Análise de Mercado

Mercado global de milho deve iniciar 2026 com oferta elevada e boas perspectivas para o Brasil

Oferta internacional confortável marca o início de 2026


Publicado em: 06/01/2026 às 10:10hs

Mercado global de milho deve iniciar 2026 com oferta elevada e boas perspectivas para o Brasil
Foto: CNA

O mercado global de milho deve começar 2026 com uma oferta considerada confortável, impulsionada principalmente pelos estoques robustos nos Estados Unidos — o maior formador de preços do grão no mundo.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Paulo Molinari, esse cenário traz uma das principais incertezas do próximo ciclo: a decisão de plantio dos produtores norte-americanos para a safra 2026.

“Depois será necessário acompanhar as condições climáticas do verão nos EUA, já que em 2025 o clima foi praticamente perfeito”, destaca Molinari.

Até o momento, o analista aponta que não há sinais de adversidades climáticas graves na América do Sul, com bom desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina. “Assim, será preciso aguardar a definição da safra norte-americana para entender o comportamento dos preços internacionais”, complementa.

Mercado brasileiro segue padrão sazonal de preços

No Brasil, o comportamento dos preços deve seguir a sazonalidade tradicional, com valores mais elevados no primeiro semestre, período de menor oferta interna, e uma convergência para o mercado exportador no segundo semestre.

“O desempenho das exportações dependerá diretamente da Bolsa de Chicago e do câmbio”, explica Molinari.

Ainda segundo ele, fatores como a nova safra dos EUA, o ano eleitoral no Brasil e a expectativa de uma demanda doméstica recorde por milho podem gerar boas oportunidades de comercialização interna.

Estoques de passagem dependem da exportação e da demanda por etanol

A projeção de estoques de passagem do milho brasileiro para a próxima safra está atrelada ao resultado das exportações — que se encerram em janeiro — e à demanda das usinas de etanol.

“As indústrias de etanol costumam alongar seus estoques até a entrada da safrinha, em julho, o que reduz a disponibilidade do cereal para outros consumidores. Apesar de um estoque estimado em 14 milhões de toneladas, o volume efetivamente disponível pode ser menor”, observa o analista.

Por outro lado, a exportação de milho no primeiro semestre tende a ser mais limitada, já que o país concentra a logística no escoamento da safra de soja, que novamente deve atingir volume recorde.

Estados Unidos devem liderar exportações globais em 2026

Os Estados Unidos devem ampliar significativamente suas vendas externas de milho em 2026, retomando espaço no comércio internacional.

“O país já está exportando de forma agressiva, com um fluxo de 10 milhões de toneladas acima do registrado no ano anterior, que já havia sido recorde. A expectativa é de embarques de 81 milhões de toneladas na temporada 2025/26”, afirma Molinari.

De acordo com ele, a forte demanda global, mesmo sem a participação da China, reforça o potencial de alta das exportações norte-americanas no próximo ano.

Argentina mantém posição entre os maiores exportadores

A Argentina deve continuar na terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de milho, mesmo enfrentando um momento de transição econômica, com impacto no câmbio, nas tributações e na fluidez dos embarques.

O país deve colher uma safra superior a 50 milhões de toneladas em 2026, de acordo com estimativas da Safras & Mercado.

“Ajustes na política cambial e as condições climáticas ainda são pontos de atenção para o desempenho argentino”, alerta Molinari.

Brasil deve ter oferta robusta de milho em 2026

As projeções indicam que o Brasil poderá contar com uma oferta total de 158,3 milhões de toneladas de milho em 2026, acima das 149,7 milhões de toneladas estimadas para 2025.

A produção nacional deve alcançar 142,8 milhões de toneladas, ligeiramente superior às 140 milhões previstas para este ano. Já as exportações devem atingir 43,5 milhões de toneladas em 2026, contra 41 milhões projetadas para 2025.

O consumo interno também deve crescer, passando de 136 milhões de toneladas em 2025 para 145,7 milhões de toneladas em 2026, impulsionado pelo setor de rações e pela produção de etanol à base de milho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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