Análise de Mercado

Linha de crédito para produção agropecuária tem valor recorde

Para presidente do Sistema Faemg Senar, recursos precisam chegar aos produtores sem as interrupções do último Plano Safra


Publicado em: 29/06/2023 às 19:00hs

Linha de crédito para produção agropecuária tem valor recorde

O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2023-2024, política pública do governo federal cujo objetivo é apoiar a produção agropecuária brasileira oferecendo empréstimos com juros mais baixos, foi anunciado com valor recorde de R$ 364 bilhões para médios e grandes produtores. O PAP também apresenta incentivo às boas práticas agropecuárias, trazendo um braço específico para tecnologias que favoreçam a baixa emissão de carbono. 

De acordo com o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, as medidas anunciadas contemplaram as propostas enviadas pela CNA e federações, envolvendo volume de recursos, linhas de crédito e redução de algumas taxas de juros, como para o médio produtor que acessar o Moderagro. “O produtor precisa ter segurança. Produzimos a céu aberto e corremos riscos das intempéries climáticas diariamente. Por isso, é importante que os recursos cheguem de forma contínua aos produtores, sem as interrupções que vimos ao longo do último Plano Safra, e que também tenhamos, o mais breve possível, informações sobre o Programa do Seguro Rural”, disse. 

O presidente ressaltou, ainda, que o Brasil já tem uma agropecuária sustentável e é modelo para o mundo, com uso de tecnologias e práticas regenerativas do solo e fixadoras de carbono. “Essa é uma oportunidade para que as práticas adotadas pelos produtores rurais sejam de fato reconhecidas pelos instrumentos econômicos de forma objetiva e em sintonia com a realidade do campo. Enquanto isso, continuamos com o desafio de reduzir obstáculos e burocracias visando a liberdade econômica e aproximação das políticas públicas da realidade do agro. Entendemos que quaisquer medidas que contribuam para isso são muito bem-vindas. Por meio de capacitação, assistência técnica e gerencial, e orientação aos produtores, estamos fomentamos essas práticas”, complementou.

Para a assessora técnica Aline Veloso, a grande incógnita ficou sobre o orçamento do governo para a equalização das taxas de juros apresentadas. “Analisando o que foi anunciado, serão R$272 bi para custeio e comercialização, apenas 19% com juros subvencionados. Já para os programas de investimento, serão R$92 bi, majoritariamente com recursos do BNDES, sendo 53% com subvenção. O ponto é, diante do aperto do orçamento do Governo Federal, e do volume de recursos para a equalização que já foi utilizado para custear as taxas da safra 2022/23 até o momento, será necessário um reordenamento para efetivamente fazer chegar as taxas de juros anunciadas ao produtor rural”. 

Agricultura familiar

O Governo Federal anunciou, também, o Plano Safra da Agricultura Familiar. Serão destinados R$ 71,6 bilhões por meio do Pronaf para a safra 2023/2024, volume 34% superior ao anunciado na safra passada. Ao todo, serão R$ 77,7 bilhões, somando o crédito rural a ações como compras públicas, assistência técnica e extensão rural. Os agricultores que optarem pela produção sustentável de alimentos saudáveis, com foco em orgânicos, produtos da sociobiodiversidade, bioeconomia ou agroecologia, terão ainda mais incentivos: juros de apenas 3% ao ano no custeio e 4% no investimento. 

“O Pornaf é um dos programas que consideramos prioritários, pois representamos e trabalhamos com muitos produtores caracterizados como agricultores familiares, assistidos no Programa de Assistência Técnica e Gerencial e nas capacitações. O incentivo financeiro anunciado é oportuno, especificamente para a agregação de valor aos produtos e a oportunidade de acessarem outras políticas públicas como a comercialização para a alimentação escolar, Conab, outras instituições públicas e para habilitação a novos mercados”, contextualizou Aline. 

Entre as medidas, destacam-se a redução da taxa de juros, de 5% para 4% ao ano, para quem produzir alimentos, como arroz, feijão, mandioca, tomate, leite, ovos, entre outros. O objetivo é contribuir com a segurança alimentar do país ao estimular a produção de alimentos essenciais para as famílias brasileiras. As alíquotas do Proagro Mais vão cair 50% para a produção de alimentos. 

“A produção agropecuária desenvolvida em Minas Gerais é bastante diversificada e tem se ampliado em volume ao longo dos anos, ainda que estejamos susceptíveis ao mercado, custos de produção, intempéries climáticas, dentre outros gargalos. O produtor investe em tecnologia, capacitação e tem promovido, a partir dos seus esforços e de seus colaboradores, a produção sustentável, garantindo volume para abastecer o nosso mercado interno, destinação para outros estados e países. É produção agropecuária e agregação de valor, garantindo segurança alimentar”, concluiu Antônio de Salvo. 

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