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Análise de Mercado

Intenção de investimento da indústria atinge menor nível desde 2020, aponta CNI

Indicador recua a 51,3 pontos em setembro, enquanto expectativa de contratação sinaliza queda; análise do IFL-BH destaca desafio de converter otimismo financeiro em expansão produtiva


Publicado em: 21/10/2026 às 13:30hs

Intenção de investimento da indústria atinge menor nível desde 2020, aponta CNI

A intenção de investimento da indústria brasileira caiu para 51,3 pontos em setembro, o menor patamar desde agosto de 2020, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado evidencia a cautela das empresas em um ambiente de juros elevados, incertezas fiscais e indefinições sobre os rumos da economia.

No mesmo levantamento, a expectativa de contratação de trabalhadores ficou em 49,2 pontos, abaixo da linha de 50 pontos que separa perspectivas de aumento e redução do emprego.

Às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, o cenário coloca em destaque as condições necessárias para estimular investimentos produtivos e ampliar a geração de vagas.

Juros e incertezas dificultam decisões de longo prazo

Para Igor Montalvão, advogado, professor e integrante do Instituto de Formação de Líderes de Belo Horizonte (IFL-BH), o empresariado atravessa o período eleitoral dividido entre preocupação com os obstáculos atuais e expectativa de melhora no ambiente econômico.

Segundo ele, o custo do crédito e as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas dificultam decisões que exigem planejamento de longo prazo, como construir fábricas, ampliar operações e contratar trabalhadores.

Esses investimentos dependem de uma avaliação duradoura das condições de produção, financiamento e demanda.

Confiança da indústria mineira permanece abaixo de 50 pontos

Em Minas Gerais, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI-MG), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), caiu 2,4 pontos em setembro.

O indicador passou de 45,7 pontos em agosto para 43,3 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos pelo 22º mês consecutivo. O resultado reforça a persistência da falta de confiança entre os industriais mineiros.

Reação da Bolsa reflete expectativas, avalia especialista

Apesar da cautela no setor produtivo, Montalvão identifica uma mudança nas expectativas de parte dos investidores após o primeiro turno.

No pregão de 5 de outubro, o Ibovespa avançou 7,7% e encerrou pela primeira vez acima dos 200 mil pontos, enquanto o dólar recuou mais de 4%. Na mesma sessão, o ingresso de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira foi de aproximadamente R$ 10 bilhões.

Na interpretação do integrante do IFL-BH, esse movimento sinalizou uma percepção mais favorável de parte do mercado sobre a condução econômica, especialmente em relação à responsabilidade fiscal e à possibilidade de reformas.

Desafio para 2027 será transformar expectativas em investimento

A valorização dos ativos financeiros, contudo, não representa uma recuperação automática do investimento industrial. Enquanto a Bolsa responde rapidamente às expectativas, a expansão das empresas exige confiança sobre as condições futuras da economia.

Para Montalvão, o desafio de 2027 será converter o otimismo dos investidores em projetos produtivos, empregos e crescimento sustentado.

Na avaliação dele, esse processo dependerá de medidas concretas de equilíbrio fiscal, segurança jurídica e fortalecimento da livre iniciativa pelo próximo governo, independentemente do resultado eleitoral.

Fonte: Portal do Agronegócio

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