Publicado em: 25/07/2016 às 19:00hs
Projeção média- Segundo projeção média de 26 instituições ouvidas pelo Valor Data, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo15 (IPCA15) passou de 0,40% em junho para 0,46% em julho.
Estimativas - As estimativas para a prévia da inflação oficial, a ser divulgada nesta quinta-feira (21/07) pelo IBGE, vão de alta de 0,39% até 0,51%. No acumulado em 12 meses, porém, a inflação deve seguir em trajetória de declínio, ao cair de 8,98% para 8,84%, caso as projeções se confirmem.
Alimentos e bebidas- Para Márcio Milan, economista da Tendências Consultoria, quase toda a aceleração do IPCA15 esperada para o mês de julho deve vir de alimentos e bebidas, que ainda devem subir mais neste mês, ao contrário do que seria comum no período, que costuma ser de deflação de alimentos.
Triplo - O grupo alimentos e bebidas, estima Milan, deve ter subido 0,92% em julho, quase o triplo do aumento de 0,35% na prévia de junho e a maior alta dos últimos quatro anos, pelo menos. Para o índice cheio, Milan projeta aumento de 0,43% do IPCA15, alta mais forte do que a prévia do mês passado (0,40%) e também do fechamento do mês (0,35%).
Principal item- Embora a alta não esteja concentrada em um ou outro item dentro do grupo alimentação, segundo Milan, o principal culpado será, mais uma vez, o feijão. Depois de ter subido 40% em junho, o item deve ter aumentado mais 50% na prévia de julho. "É uma continuidade do movimento que a gente já observou no fim do mês passado."
Clima - O clima é a principal explicação para as altas expressivas do produto. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Feijão (Ibrafe) com produtores da região de Rio Verde (GO), Primavera do Leste e Sorriso (MT), noroeste de Minas Gerais e no Distrito Federal mostra que nem todos os produtores que estão colhendo milho agora vão semear feijão, como seria natural, por causa da falta de água nos reservatórios.
Leite - O leite também deve seguir bastante pressionado, afirma Milan, depois do aumento de mais de 8% em junho, e até mesmo os alimentos in natura estão com deflação mais branda do que sugeriria a sazonalidade do período. "É provável que esses movimentos se intensifiquem até o fim do mês", diz.
Passagens aéreas- Além da aceleração de preços do feijão e do arroz no atacado, o fim da deflação mensal das passagens aéreas também deve ter contribuído para o avanço do índice, segundo o Santander. No mês passado, esse item registrou queda de 21,16%. O banco projeta alta de 0,5% do IPCA15 em julho.
Habitação - Entre os itens que vão ajudar a segurar a inflação no mês, diz a Rosenberg, estão os preços de habitação. Depois de um aumento de 1,13% na prévia de junho, a deflação no item energia elétrica residencial e o fim dos efeitos dos reajustes da tarifa de água e esgoto devem fazer com que o aumento seja menor neste mês.
Desinflação - Ainda assim, com a forte pressão em alimentos, diz o Santander em relatório, o processo de desinflação deve ter perdido força neste mês: após desaceleração de quase 0,5 ponto percentual entre maio e junho, a inflação deve ceder apenas 0,1 ponto em julho, para 8,88% no acumulado em 12 meses.
Repique - Para Milan, da Tendências, o processo de desinflação continua em curso, mas o novo repique dos alimentos e bebidas devem tornálo um pouco mais lento. Por isso, a consultoria aumentou a estimativa para o IPCA no ano para 7,4%. Para 2017, porém, a projeção caiu de 5,2% para 5%, com as sinalizações mais duras do BC na gestão de Ilan Goldfajn, afirma ele.
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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