Publicado em: 30/03/2026 às 19:20hs
O Rabobank divulgou sua nova edição do relatório AgroInfo Q1 2026, trazendo um panorama detalhado do cenário global e seus reflexos no agronegócio. O destaque desta edição é o impacto crescente da guerra no Oriente Médio sobre custos de produção, logística e mercados internacionais.
De acordo com o relatório, o agronegócio brasileiro já sente efeitos diretos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A elevação dos preços da ureia e do diesel é um dos principais reflexos imediatos.
O aumento dos custos está diretamente ligado à importância estratégica da região do Golfo Pérsico na produção global de petróleo, gás natural e fertilizantes.
Os fertilizantes nitrogenados lideram a alta. A ureia, por exemplo, acumula forte valorização desde o início do conflito, pressionando ainda mais as margens dos produtores.
Além disso, o fósforo também começa a registrar impactos, ultrapassando níveis elevados no mercado internacional. A tendência, segundo o banco, é de continuidade da pressão, especialmente se o conflito se prolongar.
Outro ponto crítico é o aumento do diesel, que afeta diretamente os custos logísticos e de produção no campo.
Esse cenário já impacta culturas como soja e milho, reduzindo o valor recebido pelos produtores, principalmente diante de uma safra recorde no Brasil.
O relatório destaca que o Oriente Médio representa cerca de 7% das exportações totais do agro brasileiro, mas tem peso muito maior em algumas cadeias:
Com o aumento dos custos de frete e possíveis restrições logísticas, há risco de redução na competitividade e redirecionamento de fluxos comerciais.
Apesar do forte avanço nos preços de energia e fertilizantes, a reação das commodities agrícolas ainda é considerada limitada.
Produtos como açúcar e algodão mostram maior sensibilidade por sua ligação com o petróleo, enquanto outras culturas seguem pressionadas por fatores de oferta e demanda.
O cenário geopolítico também amplia as incertezas econômicas globais. O Rabobank projeta o dólar a R$ 5,55 até o fim de 2026, refletindo:
Além da geopolítica, o clima segue como fator determinante. O relatório aponta possibilidade de formação de um novo El Niño no segundo semestre de 2026, o que pode influenciar a produtividade agrícola no Brasil.
O banco destaca que biocombustíveis, como etanol e biodiesel, podem ajudar a suavizar os impactos do aumento dos combustíveis fósseis, especialmente no mercado interno.
O principal alerta do Rabobank é claro: o agronegócio deve enfrentar um período de maior volatilidade e custos elevados.
Caso o conflito se prolongue, o setor pode ter que absorver impactos mais duradouros, tanto na produção quanto na exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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