Análise de Mercado

Guerra no Oriente Médio eleva custos e aumenta pressão sobre o agronegócio brasileiro

Alta do petróleo, frete mais caro e volatilidade cambial já impactam produção, exportações e planejamento da safra


Publicado em: 18/03/2026 às 10:10hs

Guerra no Oriente Médio eleva custos e aumenta pressão sobre o agronegócio brasileiro
Foto: Chat GPT

A escalada das tensões no Oriente Médio já começa a pesar no bolso do agronegócio brasileiro. O avanço do conflito tem provocado efeitos em mercados estratégicos, elevando custos e ampliando a volatilidade em áreas como energia, logística, câmbio e commodities agrícolas.

Segundo análise de Antonio Prado G. B. Neto, CEO da Pirecal e consultor do setor, a guerra entrou na terceira semana com sinais de duração maior do que o inicialmente esperado, o que aumenta a preocupação entre produtores e agentes do mercado.

Alta do petróleo pressiona custos do agro

Desde o início da crise, o petróleo registra forte valorização. O barril do Brent chegou a US$ 103, enquanto o WTI alcançou US$ 98 — uma alta próxima de US$ 31 por barril em relação ao período anterior às tensões.

Com a energia mais cara, os impactos são diretos na cadeia agroindustrial, especialmente no transporte de insumos e no escoamento da produção.

Frete marítimo dispara e encarece exportações

O aumento do custo do combustível marítimo, o chamado bunker oil, já supera níveis observados em crises anteriores, como a Crise financeira de 2008 e a Guerra entre Rússia e Ucrânia.

Esse movimento pressiona o custo do frete internacional, encarecendo as exportações de produtos como soja, milho, carnes, açúcar e café, além de impactar a importação de insumos. O efeito se espalha por toda a cadeia, atingindo tradings, indústria e produtores rurais.

Safra recorde no Brasil contrasta com cenário externo instável

Apesar do cenário global desafiador, o Brasil caminha para uma safra robusta. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total de grãos deve alcançar 353,4 milhões de toneladas.

A projeção inclui 177,8 milhões de toneladas de soja e 138 milhões de toneladas de milho, considerando as três safras.

No cenário internacional, a suspensão das exportações de soja pela Cargill para a China elevou a cautela no mercado. Já o milho registrou alta na Bolsa de Chicago, influenciado pela valorização do trigo.

Dólar em alta amplia volatilidade

O câmbio também reflete o ambiente de incerteza global. O dólar chegou a R$ 5,32, aumentando a volatilidade e impactando diretamente os custos de produção, especialmente de insumos importados.

Por outro lado, a valorização da moeda norte-americana pode favorecer as exportações brasileiras, ainda que com custos logísticos mais elevados.

Clima e El Niño exigem atenção do produtor

No campo, as condições climáticas seguem distintas entre regiões. O Centro-Norte registra bons volumes de chuva, enquanto o Sul enfrenta precipitações mais irregulares.

Para o segundo semestre de 2026, a confirmação gradual do fenômeno El Niño reforça a necessidade de planejamento agronômico. Especialistas destacam a importância da construção do perfil de solo e do uso de corretivos, como o calcário, para aumentar a resiliência das lavouras.

Cenário exige gestão e estratégia no agro

Diante desse conjunto de fatores — energia mais cara, frete elevado, câmbio volátil e clima incerto — o agronegócio brasileiro enfrenta um ambiente mais desafiador.

A combinação de custos em alta com oportunidades de exportação exige maior planejamento por parte dos produtores e empresas do setor, que precisam equilibrar riscos e aproveitar as oportunidades do mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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