Publicado em: 27/02/2026 às 10:35hs
O Brasil encerrou 2025 com 2.866 aeronaves agrícolas tripuladas registradas, o que representa um crescimento de 5,25% em relação ao ano anterior. Os dados integram a Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025, apresentada oficialmente nesta quarta-feira (24) durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS).
O levantamento, elaborado pelo diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, reforça o papel estratégico da aviação agrícola como infraestrutura essencial para o agronegócio brasileiro.
Segundo o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, o avanço vai além dos números.
“Os dados revelam transformações estruturais no setor, com o fortalecimento das operações profissionais, a consolidação dos serviços especializados e a modernização contínua da frota”, destacou.
Com o resultado, o Brasil mantém a posição de segunda maior frota agrícola do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que contam com cerca de 3,6 mil aeronaves em operação. O país também se consolida como principal mercado internacional de aeronaves agrícolas, de acordo com relatório recente da General Aviation Manufacturers Association (GAMA).
A série histórica demonstra que o crescimento é consistente. Em 2009, o Brasil registrava 1.498 aeronaves agrícolas, e desde então o setor vem crescendo, mesmo em meio a períodos de instabilidade econômica e política, além dos impactos da pandemia de Covid-19.
A expansão se intensificou a partir de 2022, acompanhando o fortalecimento do agronegócio e o aumento da demanda por aplicações aéreas em lavouras de grande escala.
O estudo mostra uma mudança significativa no perfil operacional da frota. Atualmente, 62,9% das aeronaves estão vinculadas a Serviços Aéreos Especializados (SAE) — empresas que prestam serviços para produtores rurais. Já 35,7% pertencem a operadores privados (TPP), agricultores que utilizam seus próprios aviões nas fazendas.
Entre 2023 e 2025, houve migração de 119 aeronaves da categoria privada para o modelo de prestação de serviços. O movimento reflete a profissionalização do setor, o ganho de escala e a adaptação às exigências regulatórias.
A distribuição das aeronaves segue o mapa da produção agrícola. Mato Grosso lidera com 803 unidades, seguido por Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320). Juntos, esses quatro estados concentram mais da metade da frota nacional, com Mato Grosso sozinho respondendo por 27,5% do total.
O crescimento está diretamente ligado a culturas como soja, milho e algodão, que demandam eficiência e rapidez nas aplicações aéreas em grandes áreas.
O levantamento aponta equilíbrio entre a indústria brasileira e a importada: 51% das aeronaves são de fabricação nacional, enquanto 49% são estrangeiras.
A Embraer segue como líder no mercado, destacando-se pelos modelos movidos a etanol, tecnologia que tornou o país referência internacional. Em paralelo, cresce a presença das turboélices importadas, especialmente da norte-americana Air Tractor, impulsionadas por maior capacidade de carga e eficiência operacional.
Um dos destaques do levantamento é o registro do primeiro avião agrícola autônomo no Brasil — o Pyka Pelican. Embora represente apenas uma unidade, o modelo marca o início de uma nova fase tecnológica, com a integração gradual de sistemas autônomos e tripulados em uma das maiores frotas aeroagrícolas do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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