Análise de Mercado

Frete por km rodado sobe 3,36% em março e atinge R$ 7,99 no Brasil, aponta Edenred Repom

Alta no diesel e demanda do agronegócio pressionam custos do transporte rodoviário, enquanto cenário internacional e mudanças regulatórias reforçam tendência de aumento no frete


Publicado em: 24/04/2026 às 11:15hs

Frete por km rodado sobe 3,36% em março e atinge R$ 7,99 no Brasil, aponta Edenred Repom

O custo do transporte rodoviário voltou a subir no Brasil em março de 2026. Segundo o Índice de Frete Rodoviário (IFR), divulgado pela Edenred Repom, o valor médio do frete por quilômetro rodado chegou a R$ 7,99, alta de 3,36% em relação a fevereiro, quando o índice estava em R$ 7,73.

O avanço reflete a combinação de fatores internos e externos, com destaque para a elevação do preço do diesel e a forte demanda de transporte impulsionada pelo agronegócio.

Alta do diesel é principal fator de pressão sobre o frete

De acordo com a análise, o aumento expressivo no preço do diesel foi o principal responsável pela alta do frete em março. O combustível segue sendo um dos principais componentes do custo logístico no transporte de cargas no país.

Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), o diesel registrou forte aumento nos postos:

  • Diesel S10: alta de 13,60%, com média de R$ 7,10/litro
  • Diesel S500: alta de 12,34%, com média de R$ 7,01/litro

A pressão internacional sobre o petróleo, influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, também contribuiu para o encarecimento do combustível no mercado brasileiro.

Agronegócio sustenta demanda e reforça movimento de alta

Além do impacto dos combustíveis, o setor do agronegócio teve papel relevante na elevação do frete em março.

O escoamento da safra de grãos manteve o mercado de transporte aquecido. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, com leve crescimento de 0,3% em relação ao ciclo anterior, podendo atingir novo recorde histórico.

Esse cenário reforça a demanda por transporte rodoviário, especialmente em rotas de escoamento agrícola, aumentando a pressão sobre os custos logísticos.

Regulação do setor também influencia custos operacionais

Outro fator que impactou o mercado foi o ambiente regulatório. Em março, novas regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passaram a reforçar exigências operacionais no setor de transporte.

Entre as mudanças estão:

  • Obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em todas as operações
  • Aplicação de multas por descumprimento do piso mínimo do frete

As medidas ampliam a fiscalização e podem gerar impactos adicionais nos custos operacionais do transporte rodoviário.

Tendência de alta deve continuar em abril

Segundo o diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, o comportamento do frete em março reflete um conjunto de pressões estruturais e conjunturais.

“O avanço do frete reflete a combinação da pressão internacional sobre o diesel e um mercado doméstico ainda aquecido pela demanda do agronegócio. Além disso, mudanças regulatórias também influenciam a dinâmica de custos”, explica.

De acordo com o executivo, a tendência de alta deve se manter no curto prazo.

“Para o fechamento de abril, o preço do frete deve continuar em trajetória de alta”, projeta.

O aumento do frete rodoviário em março reforça a sensibilidade do setor logístico brasileiro às variações do diesel, à demanda do agronegócio e às mudanças regulatórias. Com o mercado ainda aquecido e o cenário internacional volátil, a tendência é de manutenção da pressão sobre os custos de transporte nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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