Publicado em: 24/04/2026 às 11:15hs
O custo do transporte rodoviário voltou a subir no Brasil em março de 2026. Segundo o Índice de Frete Rodoviário (IFR), divulgado pela Edenred Repom, o valor médio do frete por quilômetro rodado chegou a R$ 7,99, alta de 3,36% em relação a fevereiro, quando o índice estava em R$ 7,73.
O avanço reflete a combinação de fatores internos e externos, com destaque para a elevação do preço do diesel e a forte demanda de transporte impulsionada pelo agronegócio.
De acordo com a análise, o aumento expressivo no preço do diesel foi o principal responsável pela alta do frete em março. O combustível segue sendo um dos principais componentes do custo logístico no transporte de cargas no país.
Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), o diesel registrou forte aumento nos postos:
A pressão internacional sobre o petróleo, influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, também contribuiu para o encarecimento do combustível no mercado brasileiro.
Além do impacto dos combustíveis, o setor do agronegócio teve papel relevante na elevação do frete em março.
O escoamento da safra de grãos manteve o mercado de transporte aquecido. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, com leve crescimento de 0,3% em relação ao ciclo anterior, podendo atingir novo recorde histórico.
Esse cenário reforça a demanda por transporte rodoviário, especialmente em rotas de escoamento agrícola, aumentando a pressão sobre os custos logísticos.
Outro fator que impactou o mercado foi o ambiente regulatório. Em março, novas regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passaram a reforçar exigências operacionais no setor de transporte.
Entre as mudanças estão:
As medidas ampliam a fiscalização e podem gerar impactos adicionais nos custos operacionais do transporte rodoviário.
Segundo o diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, o comportamento do frete em março reflete um conjunto de pressões estruturais e conjunturais.
“O avanço do frete reflete a combinação da pressão internacional sobre o diesel e um mercado doméstico ainda aquecido pela demanda do agronegócio. Além disso, mudanças regulatórias também influenciam a dinâmica de custos”, explica.
De acordo com o executivo, a tendência de alta deve se manter no curto prazo.
“Para o fechamento de abril, o preço do frete deve continuar em trajetória de alta”, projeta.
O aumento do frete rodoviário em março reforça a sensibilidade do setor logístico brasileiro às variações do diesel, à demanda do agronegócio e às mudanças regulatórias. Com o mercado ainda aquecido e o cenário internacional volátil, a tendência é de manutenção da pressão sobre os custos de transporte nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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