Fertilizantes importados mais caros impulsionam uso de biológicos e manejo nutricional para aumentar eficiência no campo
Com cerca de 88% dos fertilizantes consumidos pelo Brasil vindos do exterior, produtores ampliam adoção de tecnologias biológicas, fisiológicas e nutricionais para reduzir dependência de insumos e elevar produtividade das lavouras.
Publicado em: 14/07/2026 às 07:30hs
A alta dos custos dos fertilizantes, os riscos de abastecimento global e a maior necessidade de eficiência produtiva estão acelerando uma mudança no manejo agrícola brasileiro. Com o planejamento da próxima safra em andamento, produtores buscam estratégias capazes de melhorar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo e reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional.
Nesse cenário, soluções baseadas em manejo biológico, fisiologia vegetal, desenvolvimento radicular e eficiência nutricional ganham espaço nas propriedades rurais, combinando tecnologia e conhecimento agronômico para aumentar a produtividade com maior equilíbrio econômico.
Atualmente, aproximadamente 88% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados, o que deixa o país vulnerável a fatores externos, como conflitos geopolíticos, restrições comerciais e problemas logísticos internacionais.
Entre os principais desafios recentes estão os impactos provocados pelas tensões no Oriente Médio, incluindo as interrupções temporárias no fluxo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio global de fertilizantes, além das restrições chinesas às exportações de produtos fosfatados e dos efeitos prolongados da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Mesmo com a retomada gradual da circulação na região, o mercado deve permanecer pressionado nos próximos meses, mantendo produtores atentos aos custos e à disponibilidade dos insumos.
Eficiência nutricional se torna estratégia para reduzir riscos
Diante desse cenário, cresce a busca por tecnologias que permitam extrair maior desempenho dos fertilizantes aplicados, reduzindo desperdícios e aumentando a capacidade das plantas de absorver nutrientes.
Entre as soluções utilizadas estão:
- Fixação biológica de nitrogênio (FBN);
- Solubilização de fósforo no solo;
- Estímulo ao crescimento radicular;
- Uso de microrganismos benéficos;
- Tecnologias de aplicação para melhorar o aproveitamento dos insumos;
- Manejo fisiológico das plantas.
A evolução dessas tecnologias ganhou reconhecimento mundial com os trabalhos da pesquisadora brasileira Mariangela Hungria, premiada em 2025 com o World Food Prize, pelo desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao uso de microrganismos e à fixação biológica de nitrogênio na agricultura tropical.
No Brasil, os inoculantes biológicos já são utilizados em mais de 40 milhões de hectares, proporcionando redução da dependência de fertilizantes nitrogenados minerais e gerando economia estimada entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões por ano aos produtores.
Manejo integrado ganha força na construção da produtividade
Para a Agrocete, empresa brasileira especializada em fisiologia vegetal, biológicos e eficiência nutricional, o atual cenário reforça a necessidade de uma visão integrada da lavoura.
Segundo Andrea de Figueiredo Giroldo, diretora de Marketing e Desenvolvimento Técnico da companhia, o produtor precisa considerar todo o sistema produtivo para melhorar o retorno dos investimentos.
“Hoje, cada real aplicado em fertilizante precisa gerar produtividade real. A combinação entre ferramentas biológicas, nutricionais e fisiológicas permite melhorar o aproveitamento dos nutrientes e aumentar a segurança produtiva das lavouras”, destaca.
A empresa desenvolveu o conceito de Construção da Produtividade, estruturado a partir de mais de 330 estudos científicos realizados em parceria com cerca de 90 instituições de pesquisa.
A estratégia está baseada em três pilares:
- Plantio, vigor e enraizamento: O objetivo é garantir uma implantação mais uniforme da lavoura, com plantas mais desenvolvidas desde os primeiros estágios e maior capacidade de exploração do solo.
- Arranque e força no crescimento: A proposta busca estimular o desenvolvimento inicial das culturas, favorecendo o aproveitamento nutricional e a formação de plantas mais resistentes.
- Tecnologia de aplicação: O foco está em melhorar a deposição, absorção e eficiência dos produtos aplicados, reduzindo perdas por deriva, evaporação e escorrimento.
Estudos apontam ganhos de produtividade em diferentes culturas
Na safra 2024/2025, a Agrocete realizou 89 estudos em dez estados brasileiros, avaliando diferentes culturas e sistemas produtivos.
Os resultados indicaram ganhos médios de produtividade de até 13,2% nas áreas que utilizaram o manejo integrado em comparação aos sistemas convencionais.
Entre os resultados observados:
- Soja: incremento de até 5,4 sacas por hectare;
- Milho: ganho de até 18,9 sacas por hectare;
- Cana-de-açúcar: aumento de até 14 toneladas por hectare.
Segundo a empresa, os resultados reforçam a importância de construir a produtividade ao longo de todo o ciclo da cultura, combinando diferentes tecnologias conforme a necessidade de cada fase da planta.
Biológicos ampliam disponibilidade de nutrientes no solo
Entre as tecnologias desenvolvidas pela Agrocete está o GRAP NOD PHOS, produto biológico multifuncional voltado principalmente para soja e milho.
A solução combina:
- Solubilização de fósforo;
- Fixação biológica complementar de nitrogênio;
- Promoção do crescimento radicular.
A formulação utiliza bactérias como Pseudomonas fluorescens, associada à disponibilização de fósforo retido no solo, e Azospirillum brasilense, relacionada à fixação complementar de nitrogênio e produção de fitohormônios.
Em ensaios realizados em milho, a tecnologia apresentou ganhos médios de 18,3 sacas por hectare, aumento de 40% na massa seca das raízes e elevação dos teores foliares de fósforo e nitrogênio.
Os estudos também indicaram possibilidade de redução de até 50% da adubação fosfatada, mantendo produtividade semelhante às áreas com aplicação integral do fertilizante.
Na soja, os resultados apontaram incremento médio de 8,6 sacas por hectare, aumento de 32% no número de nódulos por planta e elevação de 59% no teor foliar de fósforo.
Integração entre inoculantes fortalece desempenho da soja
Dentro do manejo integrado, o GRAP NOD PHOS pode ser utilizado em conjunto com o GRAP NOD L+, inoculante líquido composto por bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio na soja.
Enquanto o inoculante atua diretamente na nodulação e no fornecimento biológico de nitrogênio, o NOD PHOS auxilia na disponibilidade de fósforo e no desenvolvimento das raízes.
Outra tecnologia utilizada é o GRAP STPRO, formulado com cobalto e molibdênio, nutrientes importantes para processos ligados à assimilação do nitrogênio e ao desenvolvimento inicial das plantas.
Agricultura mais eficiente depende de decisões baseadas em ciência
Com o ambiente internacional ainda marcado por incertezas, produtores brasileiros buscam alternativas para reduzir riscos e aumentar a previsibilidade das lavouras.
A adoção de tecnologias biológicas, nutricionais e fisiológicas representa uma mudança de estratégia: produzir mais utilizando melhor os recursos disponíveis.
Segundo a Agrocete, o futuro da agricultura passa por sistemas produtivos mais eficientes, capazes de combinar ciência, inovação e manejo integrado para enfrentar desafios como custos elevados, limitações logísticas e dependência externa de fertilizantes.
“Produtividade não significa apenas produzir mais, mas construir sistemas agrícolas mais eficientes e preparados para diferentes cenários. O uso inteligente dos recursos disponíveis será cada vez mais um diferencial competitivo para o produtor rural”, conclui Andrea de Figueiredo Giroldo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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