Publicado em: 27/11/2015 às 11:00hs
A diminuição é causada pela queda no preço das commodities e acontece apesar do aumento no volume de produtos vendidos para o país europeu.
Entre janeiro e outubro deste ano, US$ 1,972 bilhão em mercadorias brasileiras foi importado pela França. As compras do país europeu atingiram patamar superior (US$ 2,402 bilhões) em igual período de 2014, quando o real valia, em média, 29% menos em relação ao dólar.
Bertrand Camacho, consultor da Barral M Jorge e ex-funcionário do ministério da Fazenda da França, diz que "o crescimento econômico não muito grande previsto para a França nos próximos anos e os preços mais baixos das commodities vão dificultar um aumento expressivo no valor das exportações feitas pelo Brasil no futuro". Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB do país europeu vai crescer 1,2% neste ano e 1,5% em 2016.
Camacho também afirma que os recentes atentados terroristas que aconteceram em Paris "não devem trazer nenhum impacto para o comércio exterior".
Ainda que o valor das vendas para a França tenha diminuído, o volume exportado aumentou. Até outubro deste ano, o Brasil vendeu 9,206 bilhões de quilos em produtos para o país europeu. Em igual período do ano passado, a quantia ficou em 8,753 bilhões de quilos. Diferentemente de outros países europeus, que dão maior enfoque para a importação de manufaturados brasileiros, a França tradicionalmente busca mais as commodities. Na lista das mercadorias mais negociadas, derivados do óleo de soja aparecem na primeira posição, representando 26,7% das negociações. Em seguida, constam minério de ferro (9,2%), pasta química de madeira (7,9%), soja (6,6%) e café (5%).
Camacho comenta que a França importa manufaturados da China e da União Europeia (UE) - com o bloco, os franceses fazem 70% de suas trocas comerciais. Ele ressalta também que as compras de soja brasileira são feitas por pecuaristas do país europeu, principalmente para a alimentação dos animais, e que o minério de ferro é usado pela indústria de transformação local.
No ranking de maiores compradores de produtos brasileiros, a França aparece na 21ª posição, atrás de vários vizinhos do continente: Alemanha (5ª), Itália (10ª), Bélgica (12ª), Reino Unido (13ª), Espanha (15ª) e Rússia (18ª).
As importações brasileiras de mercadorias francesas também recuaram (-23,4%) em 2015. Em dez meses deste ano, US$ 3,709 bilhões foram gastos em compras, ante US$ 4,8 bilhões em igual período de 2014. Os produtos mais trazidos da França são componentes químicos, como fungicidas e inseticidas, e peças para carros, aviões e helicópteros.
Com as importações superando as exportações, a balança comercial entre os países segue deficitária para o Brasil. Entre janeiro e outubro deste ano, o saldo ficou negativo em US$ 1,737 bilhão.
Investimentos
Se a França não aparece entre os vinte maiores compradores de produtos brasileiros, a lista do Banco Central (BC) para investimentos diretos mostra situação diferente, com o país europeu na 5ª posição entre as nações que fizeram mais aportes no Brasil em participação no capital.
Entre janeiro e setembro de 2015, US$ 1,844 bilhão foi enviado por franceses ao Brasil. O montante mostra leve recuo (-0,3%) em relação a igual período do ano passado, quando os investimentos chegaram a US$ 1,850 bilhão.
Os investimentos via empréstimos intercompanhia também esfriaram. Em nove meses de 2015, o total ficou em US$ 1,103 bilhão, queda de 13,6% ante igual período de 2014, quando o acumulado alcançou US$ 1,277 bilhão.
Para Camacho, a "relação antiga e contínua entre os dois países e suas empresas" deve fazer com que o fluxo de investimentos seja mantido apesar da crise econômica no Brasil. Hoje, cerca de 850 companhias francesas têm operação em território brasileiro.
Balança comercial
O saldo entre as exportações e importações brasileiras com todo o mundo mostrou déficit de US$ 396 milhões na 3ª semana de novembro (16 a 22). O número é resultado de US$ 2,798 bilhões em vendas e US$ 3,194 bilhões em compras, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
No mês, as exportações somam US$ 9,696 bilhões e as importações, US$ 8,938 bilhões, com saldo positivo de US$ 758 milhões. Já no acumulado do ano, até a terceira semana deste mês, a balança opera no azul em US$ 13,003 bilhões, fruto de US$ 170,241 bilhões em exportações e US$ 157,238 bilhões em importações. No mesmo período de 2014, o País acumulava um déficit de US$ 4,173 bilhões.
De acordo com o MDIC, a queda nas exportações foi motivada por uma retração de 35,2% nas exportações de produtos semimanufaturados, de US$ 104,8 milhões para US$ 67,9 milhões, em razão de celulose, açúcar em bruto, couros e peles. Os embarques de básicos caíram 31,3%, de US$ 340 milhões para US$ 233,6 milhões, por conta de petróleo em bruto, milho em grão, carne de frango e bovina. Os produtos manufaturados, por sua vez, tiveram queda de 19,7%, de US$ 302,9 milhões para US$ 243,1 milhões.
Fonte: DCI
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