Publicado em: 15/01/2026 às 17:00hs
O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com exportações recordes de US$ 169,2 bilhões, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O valor superou o recorde anterior, registrado em 2023. As importações também atingiram o maior patamar da série histórica, somando US$ 20,1 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 149,1 bilhões — alta de 2,8% em relação a 2024.
O setor manteve relevância estratégica na economia nacional, representando 49% de todas as exportações brasileiras em 2025, consolidando-se como um dos pilares da balança comercial.
A soja foi novamente o carro-chefe das vendas externas, com 108 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 10% frente a 2024. Mesmo com a queda de 7% nos preços médios, o complexo soja (grão, farelo e óleo) gerou US$ 52,9 bilhões em receita.
As exportações de carne bovina também registraram desempenho expressivo: foram 3,1 milhões de toneladas exportadas, avanço de 21%, com preço médio de US$ 5.374/t, resultando em US$ 16,6 bilhões em faturamento.
Outras proteínas animais, como a carne suína, cresceram 12% em volume, enquanto a carne de frango in natura teve queda de 6%, reflexo da gripe aviária registrada em meados do ano, que restringiu mercados importadores.
Mesmo com retração de 18% no volume exportado, o café verde alcançou recorde histórico de receita, totalizando US$ 14,9 bilhões. O resultado foi impulsionado pela valorização de 60% no preço médio do produto, que atingiu US$ 6.550/t.
A celulose também foi destaque, com crescimento de 13% no volume exportado, somando US$ 10,25 bilhões em vendas, apesar da queda de preços médios internacionais.
O complexo sucroenergético foi impactado pela queda nos preços globais e aumento da oferta internacional, o que reduziu os embarques brasileiros.
O açúcar bruto (VHP) teve retração de 12% em volume e 14% em preço, resultando em receita de US$ 12,08 bilhões. Já o açúcar refinado caiu 10% em volume e 16% em preço, gerando US$ 2,03 bilhões.
O etanol, por sua vez, registrou redução de 15% no volume exportado, mas com leve alta de 4% nos preços, totalizando US$ 934 milhões em receitas.
As exportações de milho alcançaram 41 milhões de toneladas, alta de 3%, com receita de US$ 8,47 bilhões. Já o algodão em pluma teve recorde histórico de volume exportado, somando 3 milhões de toneladas — avanço de 9% —, embora com queda de 12% nos preços médios, totalizando US$ 4,93 bilhões.
A China continuou sendo o principal destino das exportações do agronegócio, com US$ 55,3 bilhões em compras — aumento de 11,3% em relação ao ano anterior. Os principais produtos enviados foram soja, carne bovina e celulose.
A União Europeia manteve-se como segundo maior parceiro comercial, com US$ 25,2 bilhões em importações, aumento de 8,6%, concentrando-se em café, soja e celulose.
Já os Estados Unidos responderam por US$ 11,4 bilhões em compras, retração de 5,6%, devido à manutenção de tarifas sobre parte dos produtos brasileiros.
De acordo com o Itaú BBA, o agronegócio brasileiro encerra 2025 com um desempenho sólido, mas enfrenta o desafio de diversificar mercados e ampliar o valor agregado de suas exportações. A tendência para 2026 é de ajuste nos preços internacionais e disputa crescente entre açúcar e etanol, especialmente com o aumento da produção de milho e a demanda global por biocombustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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