Publicado em: 24/03/2026 às 18:40hs
As exportações brasileiras de proteínas animais iniciaram março de 2026 com comportamentos distintos entre os principais segmentos. Dados da Secex, considerando as três primeiras semanas do mês, mostram um cenário heterogêneo entre aves, suínos e pescado, com diferenças relevantes no ritmo de embarques, preços e faturamento.
A análise da média diária evidencia movimentos que nem sempre ficam claros nos números totais, indicando um mercado mais seletivo e sensível às condições da demanda internacional.
O segmento de carne de aves apresentou desempenho mais fraco no período. As exportações somaram US$ 602.833,8 milhões nas três primeiras semanas de março de 2026, abaixo dos US$ 785.830,1 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Na média diária, o recuo também é observado, passando de US$ 41.359,5 milhões para US$ 40.188,9 milhões, sinalizando perda de ritmo nas negociações externas.
O volume embarcado acompanhou essa tendência. Foram 329.818,3 toneladas neste ano, contra 438.408,4 toneladas no mesmo intervalo do ano passado. A redução na média diária reforça o menor fluxo de produto destinado ao mercado internacional.
Apesar da retração nos embarques, o preço médio da carne de frango registrou leve alta. Em março de 2026, a proteína foi negociada a US$ 1.827,8 por tonelada, frente aos US$ 1.792,5 observados em 2025.
A valorização de cerca de 2% indica firmeza do produto brasileiro no mercado externo. No entanto, o ganho de preço não foi suficiente para compensar a queda no volume exportado, resultando em menor desempenho geral do segmento.
Diferentemente das aves, o setor de carne suína apresentou melhora no ritmo das exportações. O faturamento total nas três primeiras semanas de março de 2026 foi de US$ 224.939,6 milhões, abaixo dos US$ 257.889,7 milhões registrados em 2025.
Ainda assim, a média diária avançou de US$ 13.573,1 milhões para US$ 14.996,0 milhões, indicando maior intensidade nas negociações ao longo do período.
O volume exportado de carne suína somou 89.282,3 toneladas em 2026, abaixo das 102.619,8 toneladas de 2025. Porém, a média diária subiu para 5.952,2 toneladas, frente às 5.401,0 toneladas do ano anterior.
Os preços permaneceram praticamente estáveis, com média de US$ 2.519,4 por tonelada em 2026, contra US$ 2.513,1 em 2025. A leve variação reforça um mercado equilibrado, sustentando o desempenho mais consistente do setor.
O segmento de pescado apresentou o cenário mais desafiador entre as proteínas analisadas. As exportações totalizaram US$ 3.904,9 milhões nas três primeiras semanas de março de 2026, bem abaixo dos US$ 8.280,0 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Na média diária, a retração foi expressiva, passando de US$ 435,8 milhões para US$ 260,3 milhões, evidenciando desaceleração nas vendas externas.
O volume embarcado também caiu, de 1.010,3 toneladas em 2025 para 628,0 toneladas em 2026. A média diária recuou de 53,2 para 41,9 toneladas.
Além da redução no volume e na receita, o pescado sofreu forte desvalorização. O preço médio caiu para US$ 6.217,9 por tonelada em março de 2026, ante US$ 8.195,6 no mesmo período de 2025.
A queda de cerca de 24,1% impacta diretamente o faturamento do setor. Com preços mais baixos e menor volume exportado, o segmento opera com menor intensidade e rentabilidade.
O desempenho distinto entre aves, suínos e pescado reforça um cenário de maior seletividade no mercado internacional. A análise da média diária se mostra essencial para antecipar tendências e orientar decisões estratégicas no campo, especialmente em relação à produção, comercialização e negociação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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