Análise de Mercado

EUA avaliam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e geram alerta para exportações do agronegócio

Proposta do governo norte-americano pode afetar o comércio bilateral, mas mantém isenção para carne bovina, café, frutas, aeronaves e minerais estratégicos


Publicado em: 02/06/2026 às 11:07hs

EUA avaliam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e geram alerta para exportações do agronegócio
EUA colocam em consulta tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e aumentam pressão sobre comércio exterior

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo em sua investigação comercial contra o Brasil ao propor a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e ainda será submetida a consulta pública antes de uma decisão definitiva.

A proposta é resultado de uma investigação iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses econômicos do país.

Investigação cita PIX, desmatamento e legislação anticorrupção

No relatório divulgado pelo USTR, o órgão classificou como “irrazoáveis” determinadas práticas adotadas pelo Brasil em áreas como sistemas de pagamento eletrônico, incluindo o PIX, combate ao desmatamento ilegal e aplicação de normas anticorrupção.

Segundo o governo norte-americano, essas questões poderiam criar barreiras ou distorções no comércio bilateral, justificando a adoção de medidas compensatórias. Como consequência, foi proposta a cobrança de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros.

Agronegócio mantém produtos estratégicos fora da lista

Apesar da abrangência da proposta, setores considerados estratégicos para o comércio entre os dois países ficaram fora da lista de produtos sujeitos à nova tarifa.

Entre os itens que permanecem isentos estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Frutas;
  • Aeronaves;
  • Terras raras e minerais estratégicos.

A exclusão desses produtos reduz os impactos imediatos sobre importantes segmentos do agronegócio brasileiro, especialmente aqueles com forte presença no mercado norte-americano.

Ainda assim, entidades do setor acompanham com atenção o andamento das discussões, uma vez que mudanças no texto final ou novas medidas comerciais poderão alterar o cenário das exportações brasileiras.

Processo teve ampla participação do setor privado

A investigação conduzida pelo USTR reuniu mais de 30 depoimentos e recebeu cerca de 295 manifestações, entre comentários e réplicas de representantes da indústria, entidades empresariais e demais interessados.

Com a abertura da consulta pública, o governo dos Estados Unidos inicia uma nova fase do processo regulatório, permitindo que empresas, associações e governos apresentem argumentos favoráveis ou contrários à adoção das medidas.

Cronograma prevê decisão até julho

O calendário divulgado pelo USTR estabelece as próximas etapas para a definição da política tarifária.

Os interessados poderão solicitar participação na audiência pública até 22 de junho de 2026. Os comentários formais por escrito serão recebidos até 1º de julho.

A audiência pública está marcada para o dia 6 de julho de 2026, enquanto a decisão final sobre a aplicação das medidas deverá ocorrer até 15 de julho de 2026, prazo legal previsto para o encerramento da investigação.

Impactos para o comércio exterior brasileiro

Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações brasileiras, especialmente para produtos de maior valor agregado. Caso a tarifa seja efetivamente implementada, diversos setores da indústria nacional poderão enfrentar aumento de custos e perda de competitividade no mercado norte-americano.

Para o agronegócio, a manutenção das isenções para carne, café e frutas representa um alívio inicial. No entanto, especialistas destacam que a evolução das negociações comerciais entre os dois países continuará sendo acompanhada de perto por exportadores, cooperativas e investidores, devido à relevância estratégica do mercado norte-americano para a pauta exportadora brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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