Análise de Mercado

Estoques de café na Europa caem ao menor nível desde 2024, aponta Hedgepoint

Importações enfraquecidas, oferta restrita e demanda mais fraca pressionam o mercado europeu de café em 2026


Publicado em: 06/04/2026 às 20:00hs

Estoques de café na Europa caem ao menor nível desde 2024, aponta Hedgepoint

Os estoques de café na Europa registraram queda nos primeiros meses de 2026 e atingiram o menor nível desde março de 2024, conforme análise da Federação Europeia de Café. O cenário reflete a combinação de importações mais fracas, restrições na oferta global e sinais de enfraquecimento da demanda no bloco europeu.

Segundo relatório da Hedgepoint Global Markets, o ambiente segue desafiador para o setor, com custos elevados e incertezas que impactam toda a cadeia.

Queda nos estoques é puxada por importações líquidas menores

A redução dos estoques está diretamente ligada à queda das importações líquidas de café. Em 2026, houve desaceleração nas compras externas, enquanto as reexportações cresceram ao longo de 2025.

Esse movimento resultou em menor disponibilidade interna no bloco europeu, afetando todas as variedades de café, com destaque para o robusta, que apresentou retração mais significativa.

Custos elevados e retenção de produto limitam oferta

Entre os fatores estruturais que restringem a oferta estão os custos financeiros ainda elevados. O mercado futuro invertido — quando contratos de curto prazo são mais caros que os de longo prazo — somado às taxas de juros mais altas, tem desestimulado a formação de estoques nos países consumidores.

Ao mesmo tempo, produtores vêm adotando uma postura mais cautelosa na comercialização. No Brasil, maior produtor mundial, cafeicultores mais capitalizados têm retido parte da safra 2025/26, reduzindo o ritmo das exportações e a participação do país no abastecimento europeu.

Entressafra e tensões geopolíticas impactam logística

O cenário global também contribui para a restrição das importações. A maioria dos países produtores está em período de entressafra, enquanto questões logísticas seguem pressionadas por tensões internacionais, como o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

De acordo com a analista Laleska Moda, da Hedgepoint, as importações da União Europeia podem permanecer limitadas até a entrada da nova safra brasileira 2026/27 no mercado.

Mudança na origem das importações ganha destaque

A redução da participação brasileira nas exportações para a Europa abriu espaço para outros fornecedores. Países como Vietnã e Indonésia ampliaram sua presença, com volumes mais próximos das médias históricas.

Essa mudança reflete a reorganização do fluxo global de café diante das restrições de oferta.

Consumo de café na Europa mostra sinais de enfraquecimento

Pelo lado da demanda, os dados indicam perda de fôlego no consumo europeu. O consumo aparente entre outubro e fevereiro da safra 2025/26 somou 17,1 milhões de sacas, abaixo das 17,4 milhões do mesmo período anterior e distante da média de dez anos, de 18,6 milhões de sacas.

O recuo está relacionado à maior sensibilidade dos consumidores aos preços elevados do café, que vêm impactando o consumo no continente desde 2024.

Vendas enfrentam dificuldades mesmo com alta de receita

Apesar de algumas empresas registrarem aumento de receita nominal, os volumes comercializados diminuíram. O setor enfrenta negociações mais difíceis com o varejo e menor demanda final, refletindo o cenário de preços altos e consumo retraído.

Perspectivas para 2026 seguem desafiadoras

As projeções para o restante de 2026 indicam continuidade das dificuldades. Tensões geopolíticas e preços elevados de energia aumentam os riscos inflacionários e afetam a confiança do consumidor europeu, o que pode limitar a recuperação da demanda no curto prazo.

Safra brasileira pode aliviar o mercado no fim do ano

Por outro lado, há expectativa de melhora no cenário global com a possível entrada de uma safra recorde no Brasil em 2026/27. Esse fator pode contribuir para a redução dos preços internacionais e estimular o consumo na Europa.

Ainda assim, o impacto dependerá do ritmo de comercialização por parte dos produtores e da velocidade de chegada da nova oferta ao mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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