Análise de Mercado

Estados Unidos Reformulam Pirâmide Alimentar e Adotam Modelo Mais Próximo ao Guia Alimentar Brasileiro

Novas diretrizes dos EUA valorizam alimentos naturais e proteínas de qualidade, com menor consumo de açúcar e ultraprocessados


Publicado em: 26/01/2026 às 08:00hs

Estados Unidos Reformulam Pirâmide Alimentar e Adotam Modelo Mais Próximo ao Guia Alimentar Brasileiro
EUA atualizam recomendações nutricionais e priorizam alimentação natural

Os Estados Unidos divulgaram uma nova versão de suas Diretrizes Dietéticas Federais, documento que orienta políticas públicas de nutrição e recomendações alimentares no país. A reformulação representa uma mudança de foco na pirâmide alimentar: agora, há maior valorização das proteínas e dos alimentos in natura, com redução no consumo de ultraprocessados e açúcares adicionados.

Na prática, o novo guia dá ênfase ao consumo de carnes, peixes, ovos, laticínios, leguminosas, frutas, vegetais e grãos integrais, enquanto restringe doces, bebidas açucaradas e produtos industrializados.

Tendência global: retorno à “comida de verdade”

De acordo com a professora de Nutrologia da Afya Goiânia, Marcela Reges, a atualização segue uma tendência mundial de valorização da alimentação natural como base da dieta.

“As novas diretrizes reforçam o consumo de alimentos pouco industrializados e proteínas de boa qualidade, distribuídas ao longo do dia. Essa combinação ajuda na saciedade, preserva a massa muscular e melhora o metabolismo, facilitando o controle do peso e promovendo saúde”, explica.

Segundo ela, o novo enfoque reflete desafios contemporâneos, como o aumento das doenças crônicas e do sedentarismo.

Maior presença de proteínas na dieta americana

A principal mudança no novo guia está na ampliação da recomendação diária de proteínas, que agora varia entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal, de acordo com idade, nível de atividade física e condições de saúde.

O professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, Diego Righi, destaca que a mudança não exclui outros grupos alimentares. “A nova pirâmide não propõe uma dieta centrada apenas em carne. Ela reforça o papel das proteínas dentro de um padrão equilibrado, que inclui frutas, legumes, grãos e gorduras saudáveis”, afirma.

Fontes de proteína e qualidade da alimentação

Righi alerta que o foco deve estar na qualidade das fontes proteicas. “Proteína não é sinônimo de carne vermelha. É possível incluir leguminosas, ovos, peixes, laticínios adequados e cortes com melhor perfil de gordura, evitando excesso de gordura saturada e priorizando alimentos ricos em fibras”, explica.

O especialista reforça que ultraprocessados e embutidos não devem ser utilizados como principais fontes proteicas. “A meta é alcançar a quantidade ideal de proteína, mas com fontes saudáveis. Essa lógica segue o princípio central do Guia Alimentar Brasileiro, que privilegia alimentos naturais e minimamente processados”, pontua.

Redução do açúcar e dos produtos ultraprocessados

A nova diretriz norte-americana também reduz o espaço destinado a alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e produtos com alto teor de açúcar adicionado.

Segundo a Dra. Marcela Reges, o consumo elevado desses produtos está fortemente associado ao aumento de doenças crônicas. “O excesso de açúcar e ultraprocessados eleva o risco de obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Ao desestimular esse consumo, os EUA reforçam o papel da alimentação como estratégia de prevenção em saúde”, destaca.

Righi complementa que o objetivo não é a proibição, mas a conscientização. “Esses produtos podem ser consumidos ocasionalmente, mas devem ocupar um espaço mínimo na rotina alimentar”, diz.

Convergência com o modelo brasileiro

Embora as novas diretrizes sejam voltadas aos Estados Unidos, especialistas afirmam que elas refletem uma tendência internacional de equilíbrio e qualidade alimentar, alinhando-se ao Guia Alimentar para a População Brasileira, criado em 2004 e atualizado em 2014.

“O foco deve ser sempre o equilíbrio, respeitando a cultura alimentar, a individualidade e o contexto social de cada pessoa”, destaca Righi.

Assim como no modelo brasileiro, o guia norte-americano valoriza a personalização das escolhas alimentares, considerando preferências culturais, hábitos e até a realidade econômica das famílias. “No Brasil, esse olhar é ainda mais amplo, incluindo aspectos como comensalidade e práticas culinárias como parte essencial do cuidado em saúde”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

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