Publicado em: 28/05/2026 às 11:40hs
O mercado de trigo no Sul do país segue operando em ambiente de oferta restrita, demanda seletiva e preocupação crescente com a disponibilidade de produto de qualidade superior. Segundo análise da TF Agroeconômica, a combinação entre estoques reduzidos da safra velha, dificuldade para encontrar trigo melhorador e expectativa de retração da área plantada mantém os preços firmes nos principais estados produtores.
No Rio Grande do Sul, os preços do trigo disponível continuam avançando gradualmente. Os moinhos elevaram as indicações para patamares entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada CIF para trigo padrão, sem características branqueadoras ou melhoradoras.
No mercado FOB gaúcho, as referências giram em torno de R$ 1.330 por tonelada para junho, R$ 1.350 para julho e R$ 1.370 para agosto. O movimento reflete a percepção de menor oferta futura, especialmente diante da expectativa de redução da área cultivada na próxima safra.
De acordo com a consultoria, a tendência de corte na área de trigo é considerada generalizada no estado, impulsionada pela escassez de sementes e pelo menor investimento tecnológico nas lavouras. Caso o cenário se confirme, os preços elevados podem se prolongar também durante a safra nova, com possibilidade de pressão temporária apenas no período de entrada da colheita, em dezembro.
Outro fator que segue pressionando o mercado é a dificuldade de encontrar trigo melhorador. No Rio Grande do Sul, compradores já aceitam produto com força de glúten de até 270 W ao redor de R$ 1.400 por tonelada FOB no armazém do vendedor.
As coberturas dos moinhos para junho já estão próximas de 100%, enquanto julho registra aproximadamente 40% de abastecimento contratado. No mercado de balcão, o preço pago ao produtor voltou a subir em Panambi, alcançando R$ 65,04 por saca.
Em Santa Catarina, o mercado acompanha o movimento de valorização observado no Paraná e no Rio Grande do Sul. O frete segue como principal diferencial na formação dos preços finais, já que as demais origens operam com relativa estabilidade.
O trigo catarinense passou a ser negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB. Já as ofertas do Paraná, especialmente na região Sudoeste, ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada. No mercado de balcão catarinense, algumas regiões registraram estabilidade, enquanto praças como Joaçaba e Xanxerê apresentaram altas pontuais.
No Paraná, a escassez de matéria-prima de boa qualidade segue sustentando os preços em níveis elevados. Negócios recentes foram registrados a R$ 1.350 por tonelada na região central do estado, R$ 1.400 FOB no Norte e R$ 1.450 CIF na região de Curitiba.
As ofertas permanecem limitadas, com produtores retraídos e buscando preços maiores. Ao mesmo tempo, os moinhos continuam avaliando propostas em um mercado cada vez mais enxuto, onde as alternativas de compra mais baratas praticamente desapareceram.
Com a combinação de oferta curta, menor perspectiva de produção e dificuldade para encontrar trigo de qualidade industrial, o mercado brasileiro segue com viés firme, especialmente na Região Sul, principal polo produtor do cereal no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias