Análise de Mercado

Em maio, 92% dos reajustes salariais superaram inflação; maior ganho real desde 2014

Apenas 1,4% das jornadas salariais terminaram com aumento menor que a inflação


Publicado em: 04/07/2023 às 10:00hs

Em maio, 92% dos reajustes salariais superaram inflação; maior ganho real desde 2014

Em meio a um mercado de trabalho ainda resiliente, os trabalhadores seguiram conseguindo aumentos reais nas negociações salariais. Segundo o boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), 91,9% dos acordos e negociações coletivas encerrados em maio garantiram aumento real para os trabalhadores. Apenas 1,4% das jornadas salariais terminaram com aumento menor que a inflação.

Esta é a maior proporção de acordos e convenções com valorização real da série histórica do Salariômetro. "Somente em 2018 teve ganhos em proporções comparáveis", diz o coordenador do boletim, professor Hélio Zylberstajn. "O interessante é que, naquele momento, a inflação rodava perto de 2%. Ter reajuste real com inflação de 2% não é a mesma coisa que ter reajuste com inflação de 4%. Mostra a relevância do movimento."

No mês passado, o reajuste mediano foi de 5,3%, com base em 1.406 instrumentos analisados. Uma vez que a inflação acumulada no período, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), foi de 3,8%, o ganho médio real foi de 1,5%, o maior desde dezembro de 2014, quando a valorização bateu 1,7%.

Dessa forma, no acumulado do ano até maio, 74,7% dos acordos e negociações coletivas garantiram aumento real de poder de compra, com um reajuste mediano de 6,0%. Em doze meses, essa proporção cai a 55,3% no caso dos instrumentos que garantiram aumento real.

A prévia de junho indica que a tendência de ganhos reais deve permanecer. Entre os 70 instrumentos analisados, 81,4% mostrou reajuste acima do INPC e apenas 2,9% abaixo.

Para Zylberstajn, no entanto, esse movimento deve perder o ritmo no segundo semestre, à medida em que as leituras de inflação em doze meses voltam a subir. Segundo projeções do Santander e do Itaú, o INPC deve tocar um fundo entre 3,1% e 3,2% em junho, para depois avançar para a casa dos 5% entre outubro e dezembro.

"A tendência da inflação em doze meses é subir, mas não disparar. Esse patamar de 5% ainda é compatível com algum ganho real. Então devemos fechar o ano com ganhos positivos", pondera o pesquisador.

Fonte: Valor Investe

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