Análise de Mercado

Em dez anos, país terá mais produtos exportáveis e menos básicos

A produção brasileira de grãos, atualmente em 196 milhões de toneladas, poderá chegar a 255 milhões em 2026


Publicado em: 18/07/2016 às 12:00hs

Em dez anos, país terá mais produtos exportáveis e menos básicos

Em ótimas condições de produção e de crescimento de demanda, o volume poderá atingir até 300 milhões de toneladas naquele ano.

A área a ser cultivada dos 15 dos principias produtos sobe dos atuais 58 milhões de hectares para 66 milhões. As estimativas são do Ministério da Agricultura.

Uma boa notícia para o país, que atualmente é o que tem as melhores condições mundiais de crescimento na oferta de grãos.

A divisão desse crescimento, no entanto, preocupa. O país vai avançar ainda mais na área de plantio de soja e diminuir a de produtos básicos, como arroz e feijão.

A soja hoje é o ouro verde do país, liderando as exportações nacionais, mas a dependência é perigosa se ocorrer uma eventual mudança mundial de cenário para o produto.

Pior, a evolução da soja se dará basicamente no aumento de área plantada na próxima década, e não no crescimento da produtividade.

Nos cálculos do ministério, a área deverá sair dos atuais 33 milhões de hectares para 43 milhões em dez anos, um crescimento de 30%.

A produção, atualmente em 96 milhões de toneladas, sobe para 129 milhões, evolução de 35%. As exportações deverão crescer 42%, somando 78 milhões de toneladas.

A produtividade, no entanto, permanecerá abaixo dos 3.000 quilos por hectare, uma barreira que o país tenta vencer há vários anos.

Nesta safra, quando as condições climáticas não foram favoráveis para a produção de soja em várias regiões do país, a produtividade ficou em 2.880 quilos por hectare. Em 2026, deverá ser de 2.990, um crescimento de apenas 3,8% no período.

Outro produto de destaque, cujo crescimento também visa o mercado externo, será o milho. As previsões indicam produção de 95 milhões de toneladas, 25% mais, e exportações de 46 milhões -52% mais.

A área de arroz, que foi de 3 milhões de hectares em 2006 e caiu para 2 milhões neste ano, deverá ser de apenas 1 milhão em 2026.

Se as previsões do ministério se confirmarem, no entanto, a produtividade do cereal dobrará na próxima década.

O feijão também passa a ocupar área menor. Será apenas 1,8 milhão de hectares, ante 3 milhões neste ano.

Açúcar e leite passam a ser destaques nos próximos anos. As usinas colocarão 50 milhões de toneladas de açúcar no mercado em 2026, 52% mais, enquanto a produção de leite sobe para 43 bilhões de litros, 26% mais.

A produção de café, que está em 51 milhões de sacas, deverá atingir 65 milhões em 2026, prevê o Ministério da Agricultura.

Fonte: Folha de S. Paulo

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