Publicado em: 19/03/2026 às 11:55hs
O preço do diesel segue em forte alta no Brasil e já ultrapassa os R$ 7 por litro na média nacional. Levantamento da TruckPag, startup especializada em meios de pagamento para frotas pesadas, aponta a rapidez da escalada e evidencia diferenças regionais significativas em curto período.
Os dados são baseados em transações reais realizadas em milhares de postos, refletindo com maior precisão a realidade enfrentada pelas transportadoras.
De acordo com o levantamento, o preço médio do Diesel S10 passou de R$ 5,74 em 28 de fevereiro para R$ 7,07 em 16 de março. O aumento foi de R$ 1,33 por litro, o que representa uma alta de 23,10% em pouco mais de duas semanas.
A velocidade do avanço preocupa agentes do setor logístico, que já enfrentam pressão sobre custos operacionais.
Entre os estados, os maiores picos de alta foram observados no Nordeste. A Paraíba liderou com aumento de R$ 1,64 por litro no período analisado.
Já a Bahia apresentou uma das maiores variações proporcionais, com elevação de R$ 1,57 por litro, equivalente a 27,26%.
Importantes polos logísticos do país também registraram aumentos expressivos no preço do combustível, ampliando o impacto sobre o transporte de cargas.
Confira as variações:
O movimento de alta não se restringe a regiões específicas e já atinge todo o território nacional. Outros estados também apresentaram variações relevantes, como:
O cenário indica um avanço disseminado dos preços, com impacto amplo na logística nacional.
O levantamento da TruckPag considera transações realizadas em mais de 4.700 postos credenciados, sendo que 94% estão localizados em rodovias — principais pontos de abastecimento de caminhões.
Esse modelo permite acompanhar a variação dos preços ao longo do dia, oferecendo uma leitura mais fiel da realidade operacional das transportadoras.
Segundo a empresa, os dados evidenciam uma defasagem em relação aos indicadores públicos, que não conseguem captar com a mesma velocidade as mudanças no mercado, especialmente em períodos de alta abrupta.
Com a disparada do diesel, aumenta a pressão sobre o custo do transporte e sobre as negociações de frete. O efeito pode se espalhar por toda a cadeia produtiva, chegando ao consumidor final.
A TruckPag compartilha essas informações com uma base de mais de 1.300 transportadores, que utilizam os dados para orientar decisões operacionais e comerciais em um momento considerado crítico para o setor.
Para Kassio Seefeld, CEO e fundador da TruckPag, a instabilidade no preço do diesel exige atenção redobrada das transportadoras.
“O combustível é um dos principais custos da operação, e qualquer aumento impacta diretamente o valor do frete. Mesmo com a recente queda do petróleo, os preços seguem sensíveis. Esse movimento pode chegar ao consumidor final, já que grande parte dos produtos depende do transporte rodoviário”, afirma.
Segundo ele, em momentos de volatilidade, a gestão de combustível passa a ter papel estratégico. “Mapear consumo, identificar desperdícios e acompanhar o preço real pago nos abastecimentos faz diferença direta na sustentabilidade financeira das operações”, destaca.
O executivo também ressalta que regiões mais distantes das refinarias e mais dependentes de diesel importado tendem a sentir os efeitos com maior intensidade. Apesar da recente queda do petróleo Brent abrir espaço para recomposição de estoques, o mercado ainda deve acompanhar com atenção as próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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