Publicado em: 23/03/2026 às 16:00hs
O preço médio do diesel vendido pelas distribuidoras aos postos de combustíveis voltou a subir de forma significativa na segunda semana de março de 2026. Dados do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), baseados em cerca de 192 mil notas fiscais eletrônicas em todo o país, indicam que o aumento deixou de ser pontual e passou a se consolidar ao longo do período.
Na primeira semana de março (1º a 8), o diesel S10 comum já havia registrado alta média nacional de 8,70%, enquanto o aditivado subiu 8,91%. Até o dia 16, esses índices praticamente dobraram, alcançando 19,71% no S10 comum e 17,61% no aditivado. Em regiões como Centro-Oeste e Nordeste, a variação ultrapassou 20%, mostrando que o aumento está disseminado pelo país.
Apesar da isenção de PIS/Cofins sobre o diesel adotada pelo governo, os preços seguiram em alta. O reajuste promovido pela Petrobras, de R$ 0,38 por litro no diesel A, teve efeito mais relevante do que a desoneração tributária, refletindo já no primeiro dia útil após a implementação das medidas.
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Conselho Superior do IBPT, “as medidas governamentais de redução tributária, aumento da fiscalização e reuniões com o segmento não têm surtido efeito”, reforçando que o problema tem origem estrutural e não apenas fiscal.
A gasolina também apresentou avanço, embora em menor intensidade. A alta da gasolina comum passou de 2,06% na primeira semana para 5,24% até o dia 16; já a aditivada subiu de 1,71% para 2,88% no mesmo período.
Por outro lado, o etanol manteve trajetória estável, com leve queda de -0,66% na primeira semana e -0,67% até o dia 16, mostrando um comportamento distinto dos combustíveis fósseis.
No acumulado geral, a variação média dos combustíveis já se aproxima de 10% no mês, aumentando a pressão sobre setores intensivos em transporte. O impacto é direto no transporte rodoviário de cargas e passageiros, além de afetar o agronegócio e a indústria, que dependem do diesel como insumo operacional.
“O resultado certamente estará refletido na inflação deste mês”, projeta Amaral, destacando que o efeito do aumento do diesel vai além do transporte, atingindo toda a cadeia produtiva.
A guerra no Oriente Médio continua como principal fator de pressão sobre os preços do petróleo, gerando instabilidade nos mercados globais e impactando diretamente o Brasil. Distribuidoras e postos têm adotado postura cautelosa na recomposição de estoques, antecipando possíveis novas altas.
Segundo Amaral, “há temor de que a guerra dure mais que o esperado, com aumento dos preços internacionais e, consequentemente, no Brasil”.
O levantamento do IBPT integra um monitoramento contínuo dos preços das distribuidoras, com base em dados reais de mercado. A evolução observada em março indica que a pressão sobre os combustíveis ainda não atingiu seu pico e pode se estender nas próximas semanas, consolidando um cenário de impacto relevante para empresas e consumidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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