Publicado em: 27/03/2026 às 10:20hs
O preço médio dos combustíveis vendidos pelas distribuidoras aos postos segue em alta na terceira semana de março de 2026, com destaque para o diesel, que consolida um movimento de elevação contínua ao longo do mês.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), com base em mais de 257 mil notas fiscais eletrônicas, mostra que o aumento deixou de ser pontual e passou a configurar um ciclo consistente de pressão sobre os custos energéticos no país.
Na primeira semana de março, o diesel já registrava alta média próxima de 9%. Na segunda semana, o avanço superou 19% em algumas variações.
No consolidado até o dia 23, o Diesel S10 comum acumula alta média nacional de aproximadamente 24,98%, com acréscimo superior a R$ 1,25 por litro nas distribuidoras, evidenciando uma escalada contínua nos preços.
O comportamento indica uma recomposição estrutural de preços, e não apenas oscilações pontuais do mercado.
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Conselho Superior do IBPT, o cenário já gera impacto direto na economia.
“O diesel se consolidou como o principal vetor de pressão inflacionária neste mês. Como está diretamente ligado ao transporte de cargas, qualquer variação relevante impacta toda a cadeia produtiva, do agronegócio ao consumidor final”, afirma.
A análise regional aponta que o aumento ocorre em todo o país, com maior intensidade no Centro-Oeste e no Nordeste.
O cenário reforça o caráter generalizado da pressão sobre os combustíveis no território nacional.
Os dados indicam que o aumento nas distribuidoras vem sendo rapidamente repassado ao varejo. Em diversas regiões, o diesel já ultrapassa R$ 8,00 por litro nos postos.
Para Carlos Alberto Pinto Neto, diretor do IBPT, o mercado mostra uma dinâmica de repasse quase integral.
“O que observamos é uma transmissão direta da alta do atacado para o varejo. Mesmo com compressão de margens em alguns momentos, os custos não são mais absorvíveis ao longo da cadeia”, explica.
A gasolina mantém trajetória de alta, porém menos intensa que o diesel:
Em algumas regiões, como o Nordeste, os aumentos já superam 13%.
O etanol, que vinha atuando como alternativa ao consumidor, também passou a registrar leve alta, com variação média de 1,39% no mês, reduzindo seu papel como opção de alívio.
O levantamento aponta que medidas como a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel tiveram impacto restrito.
Segundo Amaral, a combinação de reajustes ao longo da cadeia e a volatilidade internacional do petróleo neutralizou os efeitos da desoneração.
“O problema não está apenas na carga tributária, mas na dinâmica estrutural de formação de preços e na dependência externa do setor”, avalia.
Com a consolidação da alta, os efeitos já são sentidos em diversos setores da economia.
O aumento do diesel eleva o custo do frete e pressiona:
Setores como agronegócio, indústria e transporte rodoviário enfrentam dificuldades para absorver reajustes que, em algumas regiões, ultrapassam 30%, o que tende a gerar efeito cascata nos preços ao consumidor.
O estudo faz parte do monitoramento contínuo realizado pelo IBPT, que acompanha semanalmente o comportamento dos preços nas distribuidoras com base em dados reais de mercado.
A evolução ao longo de março indica que a pressão sobre os combustíveis não apenas persiste, como se intensifica, sinalizando a continuidade desse cenário nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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