Custo de produção do frango sobe no Paraná e do suíno recua em Santa Catarina em junho, aponta CIAS
Alta nos custos da avicultura foi impulsionada pelos pintainhos de um dia, enquanto redução no custo da suinocultura refletiu queda nas despesas com ração
Publicado em: 23/07/2026 às 17:00hs
Os custos de produção da avicultura e da suinocultura seguiram trajetórias distintas em junho nos principais estados produtores do Brasil. Enquanto o custo de produção do frango de corte aumentou no Paraná, o custo do suíno vivo apresentou recuo em Santa Catarina, segundo levantamento divulgado pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS).
Os dados reforçam a dinâmica dos custos nas cadeias de proteína animal e servem como importante indicador para produtores, cooperativas e agroindústrias no planejamento da atividade.
Custo de produção do frango avança no Paraná
No Paraná, estado referência nacional para a avicultura de corte, o custo de produção do frango atingiu R$ 4,71 por quilo em junho, alta de 0,55% em relação ao mês anterior.
Com isso, o Índice de Custo de Produção do Frango (ICPFrango) alcançou 364,12 pontos.
No acumulado de 2026, entre janeiro e junho, o indicador registra elevação de 1,09%. Já na comparação com os últimos 12 meses, o índice apresenta leve retração de 0,35%.
Pintainhos pressionam os custos da avicultura
Embora a alimentação continue sendo o principal componente do custo de produção, foi o aumento no preço dos pintainhos que mais influenciou a alta registrada em junho.
Os principais componentes foram:
- Ração: representa 62,34% do custo total;
- Queda de 0,55% em junho;
- Redução acumulada de 3,78% nos últimos 12 meses.
Já os pintainhos de um dia, responsáveis por 19,83% do custo de produção, apresentaram forte valorização:
- Alta de 4,53% em junho;
- Aumento acumulado de 10,82% em 12 meses.
O comportamento desse insumo compensou a redução observada nos custos com alimentação, resultando na elevação do custo final da produção avícola.
Produção de suínos registra redução nos custos em Santa Catarina
Na suinocultura, o cenário foi mais favorável aos produtores.
Em Santa Catarina, principal estado de referência para o setor, o custo de produção do suíno vivo caiu de R$ 6,23 para R$ 6,21 por quilo entre maio e junho, representando redução de 0,36%.
O Índice de Custo de Produção de Suínos (ICPSuíno) encerrou o mês em 355,05 pontos.
No acumulado de 2026, a queda chega a 4,22%, enquanto, em 12 meses, o recuo é de 0,74%.
Ração continua sendo o maior custo da suinocultura
Assim como ocorre na avicultura, a alimentação permanece como o principal componente do custo de produção dos suínos.
Em junho, a ração respondeu por 72,60% dos custos totais da atividade.
O insumo apresentou:
- queda de 0,14% em junho;
- redução acumulada de 2,97% no primeiro semestre de 2026.
A estabilidade dos preços dos principais ingredientes utilizados na alimentação animal continua contribuindo para aliviar os custos da cadeia produtiva.
Paraná e Santa Catarina são referência nacional
Os estados do Paraná e de Santa Catarina são utilizados como base para o cálculo dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS por concentrarem os maiores polos nacionais de produção de frangos de corte e suínos.
Além desses estados, a Central de Inteligência de Aves e Suínos também disponibiliza estimativas de custos para:
- Goiás;
- Mato Grosso;
- Minas Gerais;
- Rio Grande do Sul.
Nos estados da Região Sul, os custos são atualizados mensalmente, enquanto em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais a divulgação ocorre trimestralmente.
Atualização dos indicadores amplia precisão dos custos
Segundo a CIAS, os coeficientes zootécnicos utilizados nos cálculos para Goiás e Minas Gerais foram revisados em abril de 2026.
Os novos parâmetros passaram a ser utilizados nas publicações divulgadas a partir de junho, tornando as estimativas mais aderentes às atuais condições de produtividade das granjas.
Custos seguem no radar do setor de proteínas
O acompanhamento dos custos de produção tornou-se uma ferramenta estratégica para produtores de aves e suínos diante da volatilidade dos preços dos insumos, das oscilações do mercado internacional de grãos e das margens da atividade.
Mesmo com a redução observada nos custos da suinocultura e a relativa estabilidade da alimentação animal, o aumento no preço dos pintainhos demonstra que diferentes fatores continuam influenciando a rentabilidade das cadeias de proteína animal.
A expectativa do setor é que o comportamento dos preços do milho, do farelo de soja e dos demais insumos continue determinando a competitividade da produção brasileira ao longo do segundo semestre de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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