Publicado em: 10/03/2026 às 10:45hs
Em fevereiro, o valor da cesta básica aumentou em 14 capitais brasileiras, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, outras 13 capitais — incluindo o Distrito Federal — registraram queda nos preços.
O levantamento revelou que a maior elevação no preço da cesta básica ocorreu em Natal (RN), com alta de 3,52% em relação a janeiro. Outras capitais que também apresentaram aumentos significativos foram:
Esses aumentos refletem pressões sobre itens essenciais, especialmente alimentos de grande peso no orçamento familiar.
Por outro lado, algumas capitais registraram redução no custo da cesta básica em fevereiro. As maiores quedas foram observadas em:
Essas variações negativas sugerem que fatores locais e dinâmicas de mercado podem impor alívio de preços em determinadas regiões.
No acumulado de 2026 até fevereiro, 25 capitais apresentaram aumento no custo da cesta básica, enquanto as demais registraram queda. As maiores elevações no ano até agora foram em:
Em contrapartida, as maiores reduções acumuladas foram observadas em:
Um dos principais responsáveis pelo aumento do custo da cesta em fevereiro foi o feijão, item que registrou alta de preços em 26 das 27 unidades federativas. A exceção foi Boa Vista (RR), onde o preço do quilo do feijão recuou 2,41%. Em Campo Grande (MS), o aumento chegou a 22,05%, devido à oferta mais restrita, resultado de dificuldades na colheita e menor área plantada em comparação com o ano anterior.
Além disso, a carne bovina de primeira também contribuiu para a elevação da cesta em 20 capitais. A valorização está associada à menor disponibilidade de animais para abate e ao forte desempenho das exportações, que elevaram os preços da proteína no mercado interno.
Em fevereiro, São Paulo (SP) teve a cesta básica mais cara do país, com valor médio de R$ 852,87. Outras capitais com custo elevado foram:
Nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição dos itens da cesta é diferente, os menores valores médios foram observados em:
Considerando o valor da cesta básica mais elevada do país em fevereiro — a de São Paulo — e a determinação constitucional de que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o piso salarial ideal para o mês passado seria de R$ 7.164,94. Esse valor representa 4,42 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00.
O cenário macroeconômico também impacta o custo de vida, incluindo os preços de alimentos. A taxa básica de juros no Brasil, conhecida como Selic, está atualmente em 15,00% ao ano, conforme definição do Banco Central do Brasil e do Comitê de Política Monetária (Copom). Essa é a manutenção de um patamar elevado de juros, o maior em quase duas décadas, com objetivo de controlar a inflação em meio a um ambiente econômico ainda incerto e pressões de preços persistentes.
Apesar de sinais de desaceleração inflacionária e expectativas alinhadas de convergência para a meta oficial de inflação de 3%, o Copom já indicou a possibilidade de iniciar um ciclo gradual de redução da Selic em 2026, dependendo dos dados econômicos futuros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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