Publicado em: 09/04/2026 às 10:45hs
O crescimento do consumo de ovos no Brasil, impulsionado por hábitos alimentares mais saudáveis e dietas hiperproteicas, tem fortalecido a produção em Minas Gerais. O alimento, antes visto como alternativa econômica, passou a ocupar posição estratégica na alimentação de quem busca desempenho físico e praticidade.
Fonte de proteína de alto valor biológico, o ovo oferece, em média, 6 a 7 gramas de proteína por unidade, além de vitaminas e minerais essenciais para o metabolismo.
Segundo a nutricionista Keila Moraes, o alimento é completo do ponto de vista nutricional:
“É uma proteína de alta qualidade, com todos os aminoácidos essenciais, importante para manutenção e ganho de massa muscular. Também é rico em vitaminas do complexo B, A, D, ferro, selênio e colina, fundamental para a saúde cerebral.”
Esse perfil nutricional tem ampliado o consumo, especialmente entre praticantes de atividades físicas.
A demanda crescente se reflete diretamente na produção estadual. Em 2024, Minas Gerais produziu 5,443 bilhões de ovos. Já em 2025, o volume chegou a 5,895 bilhões, representando alta de 8,3%.
O plantel de galinhas poedeiras também cresceu 2,4%, acompanhando a expansão da atividade.
Com esse desempenho, o estado assumiu a segunda posição no ranking nacional, ultrapassando o Paraná e ficando atrás apenas de São Paulo.
O avanço também aparece no Valor Bruto da Produção (VBP), que passou de R$ 2,67 bilhões em 2024 para R$ 3,31 bilhões em 2025, crescimento de 23,7%.
Para atender a um consumidor mais exigente, o setor investe em manejo técnico rigoroso, ambiência controlada e monitoramento constante.
Segundo a técnica do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, Iara Maria França Reis, a organização da rotina da granja é fundamental:
“O manejo adequado das aves, qualidade da alimentação e da água, limpeza dos galpões, controle de temperatura e ventilação e bem-estar animal impactam diretamente na qualidade dos ovos.”
Além disso, práticas como cuidado com a cama, ninhos e coleta correta dos ovos são essenciais para o padrão final do produto.
A gestão da atividade como negócio tem sido um diferencial para os produtores. O acompanhamento de indicadores como:
permite decisões mais assertivas e aumento da rentabilidade, mesmo com controles simples.
A alimentação, principal custo da atividade, recebe atenção especial, com formulações ajustadas conforme a fase produtiva das aves. Já a biosseguridade inclui medidas como controle de acesso, uso de pedilúvio, vacinação, higienização de equipamentos e controle de pragas.
No município de Buritis (MG), o produtor Douglas Espíndola acompanha o crescimento do setor. Com 160 galinhas, ele produz entre 125 e 130 ovos por dia e já planeja expandir para até 300 aves.
“O manejo começa desde o primeiro dia de vida, com ambiente adequado, vacinação e alimentação específica. A rotina e a higiene são fundamentais para manter produtividade e qualidade”, destaca.
Atualmente, ele fornece para escolas e pretende ampliar a atuação para mercados e feiras, buscando regularização por meio do Serviço de Inspeção Municipal (SIM).
No cenário internacional, Minas Gerais também avançou em 2025, com crescimento de 129% no faturamento das exportações e 82% em volume. Os Estados Unidos foram responsáveis por cerca de 60% das compras.
Apesar do avanço, apenas 2,05% da produção mineira é destinada ao mercado externo, evidenciando a forte absorção do produto pelo mercado interno.
O aumento do consumo, aliado à profissionalização da produção, reforça o potencial de crescimento do setor. A combinação entre demanda aquecida, gestão eficiente e adoção de tecnologia tende a manter a avicultura de postura em trajetória de expansão nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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