Consumo de sorvete cresce 13% no Brasil e chega a 8,68 litros por habitante
Pesquisa da ABRASORVETE com 2.500 consumidores mostra que sabor e qualidade ganham espaço, enquanto inflação e medicamentos GLP-1 reduzem porções sem retirar o produto do cardápio
Publicado em: 24/09/2026 às 11:45hs
O consumo anual de sorvete no Brasil cresceu 13% em dois anos e alcançou 8,68 litros por habitante. O volume supera os 7,7 litros registrados no levantamento anterior da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (ABRASORVETE).
Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pela entidade em parceria com a Empresa Júnior da Fundação Getulio Vargas (EJFGV). O estudo ouviu 2.500 pessoas de diferentes regiões do país e foi divulgado nesta quarta-feira (23), Dia Nacional do Sorvete.
O levantamento revela uma transformação no perfil de consumo. Mesmo diante da inflação e do uso crescente de medicamentos para controle de peso e diabetes, os brasileiros não estão abandonando o sorvete. A principal mudança aparece no tamanho das porções, na frequência de compra e na procura por produtos de maior qualidade.
Sabor é o principal critério de compra
O sabor permanece como o fator mais importante para a escolha do consumidor. Segundo a pesquisa, 62,6% dos entrevistados consideram esse atributo decisivo no momento da compra.
O preço aparece em segundo lugar, citado por 15,6%, enquanto somente 5,2% apontam a marca isoladamente como principal critério.
Os dados indicam que o sabor tem peso 12 vezes superior ao da marca na decisão final. Marcas conhecidas ajudam a transmitir segurança ao consumidor, mas a experiência sensorial é determinante para efetivar a compra.
Para Márcio Favaro, presidente da ABRASORVETE, o mercado brasileiro atravessa uma mudança orientada pela valorização da qualidade.
“O mercado de sorvetes no Brasil está passando por uma verdadeira revolução guiada pela evolução do perfil do consumidor. Vemos hoje uma busca muito mais clara por valor e qualidade do que por quantidade”, afirma.
Medicamentos GLP-1 reduzem porções, mas não eliminam o consumo
A pesquisa também analisou os efeitos dos medicamentos injetáveis da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, sobre os hábitos alimentares.
Cerca de 30% dos entrevistados declararam usar ou já ter utilizado esse tipo de medicamento. Entre os usuários atuais, 54,1% reduziram o volume consumido ou o tamanho das porções de sorvete.
Apesar da retração na quantidade, o consumo permanece frequente. Entre as pessoas que utilizam esses medicamentos, 11,2% afirmaram tomar sorvete diariamente. Entre os não usuários, o índice é de 2,5%.
Esse público também apresenta maior interesse por produtos funcionais. Entre os usuários de medicamentos GLP-1:
- 40,5% procuram opções sem adição de açúcar;
- 36,2% demonstram interesse por sorvetes proteicos;
- 22,6% estão totalmente dispostos a pagar mais por produtos funcionais ou premium.
Quando o tratamento é interrompido, a parcela de consumidores que restringe a ingestão de sorvete cai de 34,1% para 13,8%. Para a associação, o resultado sugere que a redução está ligada principalmente ao período de uso do medicamento.
Inflação diminui frequência e tamanho das embalagens
O aumento dos preços também alterou os hábitos de compra, mas não eliminou a fidelidade às marcas preferidas.
Diante de uma alta expressiva no valor do produto, 51,7% dos consumidores preferem reduzir a frequência de consumo. Outros 14,5% escolhem embalagens ou porções menores.
Somente 25,4% aceitariam substituir sua marca habitual por uma opção mais barata. Na prática, aproximadamente três em cada quatro consumidores preferem comprar menos ou diminuir a porção antes de trocar de marca.
Esse comportamento reforça a valorização da experiência, da qualidade e da confiança já construída entre o consumidor e o fabricante.
Sorvete continua sendo consumido no inverno
O estudo também relativiza a ideia de que o sorvete é consumido exclusivamente nos períodos mais quentes.
No verão, 71,3% dos entrevistados tomam sorvete pelo menos uma vez por semana. Durante o inverno, entretanto, somente 8,2% afirmam abandonar completamente o produto.
Embora a sazonalidade continue relevante para as vendas, os dados indicam que existe espaço para ampliar o consumo durante todo o ano, especialmente com produtos e ocasiões adaptados aos meses mais frios.
Sorveterias e supermercados concentram as vendas
Os estabelecimentos físicos permanecem como os principais canais de comercialização. Sorveterias e gelaterias respondem por 43,2% das compras, enquanto os supermercados concentram 35,3%.
Juntos, os dois canais representam 78,5% das vendas mapeadas pela pesquisa.
O delivery ainda possui participação reduzida, com apenas 4% das compras. O custo é apontado como a principal barreira: 50,6% dos consumidores desistem do pedido por causa da taxa de entrega elevada.
O tempo de espera também limita o avanço do canal digital, sendo citado por 39,7% dos entrevistados.
Açaí ganha espaço como lanche e refeição rápida
A pesquisa mostra que sorvete e açaí ocupam ocasiões diferentes na rotina dos brasileiros.
O sorvete tradicional permanece associado principalmente ao lazer e às sobremesas compartilhadas com a família, situação citada por 64,4% dos participantes.
Já o açaí se destaca pela possibilidade de personalização. Para 31,3% dos consumidores, a combinação com frutas, caldas e outros complementos é um dos principais atrativos.
Além disso, 18,3% consideram o açaí uma refeição rápida ou um substituto para o lanche, especialmente antes ou depois da prática de atividades físicas.
Sorvetes artesanais e funcionais ganham mercado
A disposição para pagar mais por produtos diferenciados aparece entre as principais tendências identificadas. De acordo com o levantamento, 73,7% dos entrevistados aceitariam desembolsar um valor maior por um sorvete gourmet ou artesanal.
A produção artesanal justificaria um preço mais elevado para 55% dos consumidores. Já o uso de ingredientes importados ou com origem específica foi mencionado por 49,5%.
No segmento de produtos com apelo saudável, a preferência está concentrada na inclusão de benefícios, e não apenas na retirada de componentes. Sorvetes elaborados com ingredientes naturais aumentariam a intenção de compra de 40,4% dos entrevistados, enquanto as versões ricas em proteínas despertariam o interesse de 34,8%.
Segundo Favaro, a combinação entre prazer, qualidade e funcionalidade deverá orientar os próximos lançamentos da indústria.
“O consumidor de hoje não busca apenas um doce, ele busca uma experiência. O futuro do setor passa pela entrega de valor agregado, com o artesanal e o funcional caminhando juntos”, destaca o presidente da ABRASORVETE.
Fonte: Portal do Agronegócio
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