Consumo das famílias brasileiras cresce 2,70% até setembro, aponta Abras
Mesmo com recuo mensal de 1,46%, consumo nos supermercados mantém resultado positivo em 2026. Mercado de trabalho aquecido, aumento da renda e transferências de recursos ajudam a sustentar as compras das famílias.
Publicado em: 04/11/2026 às 10:10hs
O consumo nos lares brasileiros acumulou crescimento de 2,70% entre janeiro e setembro de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O resultado representa estabilidade em relação ao avanço de 2,71% registrado até agosto, indicando a continuidade da trajetória positiva do consumo das famílias ao longo do ano.
Na comparação entre setembro de 2026 e o mesmo mês do ano passado, houve crescimento de 0,59%. Já em relação a agosto, o indicador apresentou retração de 1,46%, interrompendo uma sequência de dois meses de expansão, após altas de 3,01% em julho e 2,21% em agosto.
A entidade observa que o movimento de queda em setembro também foi registrado nos dois anos anteriores: recuo de 1,30% em 2024 e de 0,94% em 2025.
Os dados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e abrangem diferentes formatos de supermercados, desde estabelecimentos de bairro até grandes redes varejistas.
Mercado de trabalho e aumento da renda sustentam o consumo
Para o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o desempenho acumulado demonstra que o consumo das famílias continua avançando, mesmo diante da necessidade de conciliar despesas com alimentação e outros compromissos financeiros.
Segundo ele, os indicadores do mercado de trabalho contribuem para manter a demanda por produtos nos supermercados.
No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desocupação ficou em 5,3%, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica.
Outro fator destacado pela entidade é a evolução dos rendimentos dos trabalhadores.
O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.777, com crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Já a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 385,6 bilhões, também recorde da série histórica, com aumento de 4,8% na comparação anual. Em valores absolutos, o avanço representa R$ 17,5 bilhões adicionais na renda dos trabalhadores.
Bolsa Família e pagamentos judiciais movimentam recursos
A Abras também aponta a transferência de recursos públicos e os pagamentos extraordinários como fatores que contribuem para movimentar o consumo das famílias.
Em setembro, o Bolsa Família destinou R$ 13,04 bilhões a aproximadamente 19,3 milhões de famílias brasileiras.
Outro destaque foi a liberação de R$ 3,22 bilhões pelo Conselho da Justiça Federal aos Tribunais Regionais Federais para pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs). Os recursos contemplaram mais de 278 mil beneficiários.
Além disso, foram realizados pagamentos de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda, ampliando a disponibilidade de recursos para os consumidores.
Cesta básica e tributação entram no radar dos supermercados
Marcio Milan destacou a ampliação da isenção de impostos sobre produtos da cesta básica como uma medida que pode contribuir para preservar o poder de compra das famílias.
A inclusão de um conjunto maior de alimentos, entre eles proteínas como carne bovina, frango e peixe, é apontada pela entidade como um fator favorável ao consumo.
Por outro lado, o setor acompanha com atenção a definição das futuras alíquotas tributárias, diante da preocupação de que a carga de impostos sobre outros produtos da cesta de alimentos e de consumo possa aumentar.
O endividamento das famílias também permanece entre os pontos de atenção da Abras, que considera necessário acompanhar as medidas adotadas para reduzir o comprometimento da renda dos consumidores.
Abras destaca impacto das bets sobre as vendas de alimentos
Outro tema mencionado pelo vice-presidente da entidade é a relação entre as apostas on-line, conhecidas como bets, e o orçamento doméstico.
Milan defendeu a manutenção da proibição dessas plataformas e associou a restrição a uma possível melhora na disponibilidade de recursos para o consumo de alimentos.
Como exemplo, citou dados divulgados pela Abras que apontaram crescimento das vendas de alimentos nas semanas posteriores à medida.
Entre 5 e 11 de outubro de 2026, as vendas avançaram 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a alta foi de 6,3%.
Os números indicam desempenho positivo nas semanas analisadas, embora não permitam, isoladamente, atribuir toda a variação exclusivamente à medida relacionada às apostas.
Mudanças na jornada de trabalho preocupam o setor supermercadista
A discussão sobre o fim da escala 6x1 e a possível redução da jornada de trabalho também foi mencionada por Milan como um ponto de atenção para o setor.
Segundo o executivo, os supermercados desempenharam papel essencial durante a pandemia, garantindo o abastecimento da população. Por isso, mudanças na legislação trabalhista precisam considerar os impactos sobre toda a cadeia de distribuição e comercialização de alimentos.
A preocupação da entidade está relacionada à capacidade de reorganização das operações, especialmente em atividades que exigem funcionamento contínuo, equipes distribuídas em diferentes turnos e logística permanente.
Consumo das famílias segue positivo em 2026
O resultado acumulado de 2,70% até setembro mostra que o consumo nos lares brasileiros mantém crescimento em 2026, apesar das oscilações mensais.
A evolução do emprego, o aumento da renda real e a circulação de recursos por meio de programas sociais e pagamentos extraordinários aparecem entre os fatores que ajudam a sustentar a demanda.
Para os supermercados, os próximos meses serão importantes para avaliar os efeitos do endividamento das famílias, da tributação, das mudanças trabalhistas e do comportamento da renda sobre as vendas.
O desempenho do consumo também merece atenção do agronegócio, uma vez que a demanda das famílias influencia diretamente o mercado de alimentos, a indústria de processamento, a distribuição e a comercialização de produtos agropecuários.
Fonte: Portal do Agronegócio
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