Análise de Mercado

Colheita de arroz avança no RS com preços firmes e expectativa de aumento nas vendas

Produção da safra 2025/26 deve cair mais de 14%, mas oferta interna segue suficiente para atender o consumo, segundo Conab e Cepea


Publicado em: 19/02/2026 às 11:15hs

Colheita de arroz avança no RS com preços firmes e expectativa de aumento nas vendas
Colheita de arroz avança no Rio Grande do Sul em meio a preços firmes e oferta limitada

A colheita da safra 2025/26 de arroz começou de forma pontual há duas semanas no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do grão no país. O avanço das colheitadeiras ocorre em um cenário de preços firmes e liquidez moderada, conforme indicam pesquisadores do Cepea/Esalq (USP).

De acordo com os especialistas, a baixa oferta interna e a perspectiva de produção nacional reduzida têm sustentado as cotações nas últimas semanas. A expectativa é de que as vendas de arroz em casca e beneficiado ganhem ritmo à medida que a colheita avance e o fluxo de oferta aumente nas próximas semanas.

Produção nacional deve cair mais de 14%, aponta Conab

O levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de arroz na safra 2025/26 em 10,91 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 14,45% em relação ao ciclo anterior.

A redução é explicada pela diminuição da área cultivada, que passou de 1,76 milhão para 1,55 milhão de hectares, e pela leve queda na produtividade média, projetada em 6.997 quilos por hectare.

O Rio Grande do Sul continua sendo o maior produtor nacional, com expectativa de colher 7,54 milhões de toneladas. Também são esperadas reduções em Santa Catarina e Mato Grosso, de acordo com a Conab.

Disponibilidade interna e exportações seguem sob controle

Mesmo com a produção menor, o balanço de oferta e demanda deve permanecer equilibrado. A Conab estima uma disponibilidade interna total de 14,52 milhões de toneladas, somando estoques iniciais (2,2 milhões), importações previstas (1,4 milhão) e a produção nacional.

O consumo interno deve crescer 2,86%, alcançando 10,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem somar 2,1 milhões de toneladas. Dessa forma, os estoques de passagem para fevereiro de 2026 estão projetados em 1,62 milhão de toneladas, garantindo abastecimento regular ao longo do ano.

Mercado mantém firmeza apesar de margens mais apertadas

Segundo analistas do Cepea, a retração da área plantada foi influenciada pelos preços mais baixos registrados em 2025, que reduziram a rentabilidade dos produtores e limitaram novos investimentos.

Ainda assim, o mercado interno deve seguir estável, sustentado por estoques razoáveis e pela demanda firme tanto no varejo quanto na exportação. O crédito rural segue como um fator de atenção, com condições mais restritivas para o setor orizícola.

Banco Central prevê inflação acima da meta e cenário de cautela econômica

De acordo com o Relatório de Inflação do Banco Central do Brasil (fevereiro/2026), a inflação deve permanecer acima da meta oficial de 3%, situando-se em torno de 4,2% neste ano.

O órgão indica que o setor de alimentos e commodities agrícolas continua sendo um dos principais componentes de pressão sobre os preços. Em resposta, a política monetária segue com viés restritivo, o que tende a conter o consumo, mas também pode manter o poder de compra limitado no curto prazo.

Perspectivas para o setor

Com uma safra menor e o consumo em crescimento, o setor orizícola brasileiro deve atravessar 2026 com atenção à evolução dos preços e dos custos de produção. A expectativa é de que o mercado se mantenha estável, com ajustes pontuais nas cotações conforme a colheita avance e novas projeções de exportação sejam divulgadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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