Publicado em: 17/03/2016 às 10:00hs
O maior volume de chuvas é o principal responsável pela elevação de valores das hortaliças, como o jiló, couve-flor e brócolis, que tiveram reajustes de 449%, 100% e 77%, respectivamente, se comparados à cotação de fevereiro. Conforme levantamento do CORREIO de Uberlândia, em quatro sacolões e uma feira livre da cidade, outros itens também tiveram aumento de seus preços neste período: a vagem, com alta de 62%, e frutas, como o mamão havaí e a banana-prata estão 234% e 195% mais caros.
Outro fator que também contribuiu para os aumentos foi a alta do dólar, já que muitos dos insumos agrícolas utilizados em lavouras são cotados na moeda norte-americana. Na Ceasa, também foi registrada elevação dos valores praticados, com aumento máximo de 250%, do jiló.
Brócolis e couve-flor, que, em fevereiro, custavam cerca de R$ 4 o kg cada nos sacolões, hoje, estão em torno de R$ 6,90 e R$ 8, respectivamente. O valor do kg de jiló saltou de R$ 2 para R$ 10,98. O kg da abobrinha também está mais caro. Passou de R$ 2 para R$ 8,90, praticamente o mesmo valor que o kg de peito de frango. “Vagens, brócolis e couve-flor não estamos comprando mais, pois, além de terem subido demais, quando encontramos os produtos, estão com péssima qualidade”, disse o gerente de um sacolão no bairro Saraiva, na zona sul, Luciano Furlanetto.
Com um orçamento médio de R$ 40 por semana para as despesas de hortifrútis, a balconista Patrícia Oliveira Pinho, além de reduzir a periodicidade nas compras, diminuiu a quantidade de itens. “Agora, faço esforço para comprar de 15 em 15 dias e busco só o essencial. Às vezes, até deixo de levar algumas coisas”, disse.
Quem também tem buscado alternativas é a funcionária pública Maria Angélica Bernardes, que consome, em média, R$ 50 em frutas e verduras por semana. Segundo a consumidora, mesmo com o aumento, ela conseguiu manter o valor orçado semanalmente. “Mas, para isso, passei a comprar os itens que encontro na promoção”, afirmou.
Plantio
As condições climáticas dos últimos dias têm influenciado no aumento dos preços de hortifrútis. Tanto o maior volume de chuva como a falta de precipitação, comprometem a qualidade desses produtos.
Embora o excesso de chuva dos últimos dias tenha afetado culturas, no caso dos produtores de mamão, o que prejudicou foi a falta de precipitação durante o período de floração. Vitório Aparecido Franzão disse que nos períodos favoráveis para o plantio, colhe 8 mil caixas da fruta por semana. “Nas últimas semanas, colhi 3,5 mil caixas semanais.”
Perspectiva
Como vários componentes de adubos e fertilizantes são importados, além de alguns terem petróleo como derivado, o uso desses produtos no cultivo agrícola influencia diretamente no preço final dos hortifrútis para o consumidor. Mesmo com a queda do dólar verificada nos últimos dias, segundo o economista André Luiz Carvalho de Queiroz, a previsão é que a cotação da moeda norte-americana volte a aumentar, o que “significa que o preço das frutas e hortaliças pode continuar subindo”.
Unidade local
Na unidade de Uberlândia da Centrais de Abastecimento de Minas Gerais S/A (Ceasa), também houve aumento nos preços praticados atualmente. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme levantamento do gerente da Ceasa local, Cláudio Rodrigues dos Santos, os produtos que mais tiveram aumento nos preços foram o jiló, com alta de 250%, o mamão, com elevação de 208%, pimentão, cujo reajuste no valor cobrado foi de 100%, cenoura, que está 77% mais cara, e vagem e abobrinha, ambas com encarecimento de 71%.
“Temos uma demanda regular e obviamente os varejistas não estão conseguindo comprar tudo”, disse Santos, acrescentando que, “além da baixa produção provocada por fatores climáticos, o fator econômico do momento também não tem favorecido”.
Fonte: Correio de Uberlandia
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