Cesta básica fica mais barata em sete capitais; São Paulo mantém maior preço
Salvador registra queda de 4,05% em agosto, enquanto Belo Horizonte é a única capital com alta; recuo dos legumes ajuda a conter o custo dos alimentos
Publicado em: 28/09/2026 às 10:50hs
O preço da cesta básica caiu em sete das oito capitais pesquisadas em agosto de 2026, segundo levantamento da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE. Salvador apresentou a maior redução mensal, enquanto Belo Horizonte foi a única cidade a registrar aumento.
Mesmo após uma queda de 2,07%, São Paulo permaneceu com a cesta básica mais cara entre as capitais analisadas, no valor médio de R$ 973,93. O Rio de Janeiro apareceu na sequência, com R$ 959,22.
O movimento de redução foi favorecido principalmente pelo recuo dos legumes, observado em todas as cidades pesquisadas. Em sentido contrário, arroz e leite UHT assumiram maior peso entre os itens que pressionaram os preços em agosto.
Salvador lidera queda no preço da cesta básica
Em Salvador, o custo médio da cesta básica caiu 4,05%, passando de R$ 881,50 em julho para R$ 845,79 em agosto. A retração dos legumes, de 24,21%, foi a maior entre todas as variações apuradas pelo levantamento.
São Paulo teve a segunda maior redução mensal, de 2,07%, com o valor recuando de R$ 994,55 para R$ 973,93. Apesar do alívio, a capital paulista continuou liderando o ranking de preços.
Fortaleza registrou baixa de 1,89%, para R$ 907,63, enquanto o Rio de Janeiro apresentou redução de 1,44%, para R$ 959,22. Em Manaus, a cesta ficou 1,16% mais barata, chegando a R$ 864,36.
Curitiba teve queda de 0,65%, para R$ 756,77. Em Brasília, a variação negativa foi de apenas 0,03%, mantendo o custo praticamente estável em R$ 859,07.
Belo Horizonte tem única alta, mas mantém menor custo
Belo Horizonte foi a única capital pesquisada a registrar aumento no mês. O preço médio avançou 1,34%, de R$ 743,38 para R$ 753,32.
Mesmo com a elevação, a capital mineira permaneceu com a cesta básica mais barata entre as oito cidades analisadas, ligeiramente abaixo de Curitiba.
Na composição do resultado de Belo Horizonte, o leite UHT subiu 3,32%, a manteiga avançou 3,19%, o arroz aumentou 2,63% e o óleo ficou 2,19% mais caro. As altas foram parcialmente compensadas pelas quedas dos legumes, de 15,67%, e do feijão, de 6,15%.
Legumes ajudam a reduzir custo dos alimentos
Os legumes foram o principal fator de alívio para a cesta básica em agosto. Além da queda de 24,21% em Salvador, o item recuou 22,05% em Curitiba, 20,96% no Rio de Janeiro e 19,59% em São Paulo.
Também foram registradas reduções em Fortaleza, de 17,62%; Belo Horizonte, de 15,67%; Brasília, de 9,76%; e Manaus, de 7,57%.
O feijão acompanhou esse movimento na maioria das capitais. As maiores quedas ocorreram em Brasília, com 8,30%; Belo Horizonte, com 6,15%; São Paulo, com 5,92%; e Fortaleza, com 4,55%. Curitiba e Rio de Janeiro destoaram, com altas de 2,85% e 1,86%, respectivamente.
Os ovos também ficaram mais baratos na maior parte das cidades. Fortaleza apresentou recuo de 10,17%, seguida por Curitiba, com 8,98%, e Salvador, com 7,43%.
Arroz e leite UHT pressionam preços em agosto
Enquanto legumes e feijão contribuíram para a redução da cesta básica, o leite UHT e o arroz ganharam força entre os produtos que pressionaram o orçamento do consumidor.
Em Brasília, o leite subiu 5,59% e o arroz avançou 5,23%, as maiores altas individuais entre esses dois produtos. O leite também aumentou 3,81% em Curitiba, 3,73% em Salvador e 3,60% em Fortaleza.
Em São Paulo, a farinha de mandioca subiu 2,17% e o arroz teve valorização de 2,09%. No Rio de Janeiro, a farinha de mandioca avançou 2,90%, enquanto arroz e leite aumentaram 1,34% e 1,04%, respectivamente.
Manaus apresentou uma composição diferente. O óleo registrou a principal alta, de 4,75%, enquanto a carne suína recuou 18,62%, maior queda do item entre as capitais pesquisadas.
“Agosto marcou uma inversão no padrão observado nos meses anteriores: leguminosas e hortifrúti, que vinham pressionando os preços, passaram a atuar como moderadores, enquanto itens como arroz e leite UHT assumiram o protagonismo das altas”, explica Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid.
Manaus acumula maior alta desde março
Apesar da redução mensal, Manaus acumulou o maior aumento no preço da cesta básica entre março e agosto de 2026. O valor passou de R$ 822,02 para R$ 864,36, alta de 5,15%.
Brasília apresentou avanço acumulado de 3,24%, seguida por Belo Horizonte, com 3,18%, e Fortaleza, com 3,17%. Em São Paulo, o aumento no período foi de 2,13%, enquanto Curitiba registrou relativa estabilidade, com alta de 0,38%.
Salvador e Rio de Janeiro foram as únicas capitais com redução acumulada. Na capital baiana, a cesta ficou 0,61% mais barata. No Rio, a queda chegou a 1,83%, maior recuo do período.
Rio de Janeiro lidera custo da cesta ampliada
Quando considerados outros itens de consumo, higiene e limpeza, o Rio de Janeiro apresentou a cesta ampliada mais cara do levantamento, no valor de R$ 2.207,46. Mesmo com queda mensal de 0,61%, a capital fluminense manteve a liderança.
São Paulo ocupou a segunda posição, com custo médio de R$ 2.122,51 e recuo de 1,10%. Curitiba apresentou o menor valor da cesta ampliada, de R$ 1.789,77.
Salvador teve a maior redução percentual nessa categoria, de 1,92%, levando o custo para R$ 1.933,74. Belo Horizonte registrou a maior alta, de 0,98%, enquanto Brasília apresentou avanço de 0,39%.
Entre os produtos que mais pressionaram a cesta ampliada, destacaram-se o molho de tomate e o amaciante para roupas. Em Brasília, o molho de tomate subiu 6,75%. Em Belo Horizonte, o amaciante avançou 4,89% e o molho de tomate ficou 4,57% mais caro.
Varejo precisa acompanhar oscilações regionais
A diferença entre os resultados das capitais mostra que o comportamento dos preços permanece condicionado por fatores regionais, como oferta, logística e sazonalidade.
Na avaliação de Marcelo Alves, o varejo precisa utilizar dados para antecipar mudanças na demanda, ajustar a reposição e priorizar a disponibilidade dos produtos mais sensíveis. A estratégia pode reduzir rupturas, evitar desperdícios e preservar margens diante das oscilações nos preços dos alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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