Análise de Mercado

Carne de Frango Tem Queda nos Preços em Fevereiro, Mas Se Torna Mais Competitiva no Mercado Interno

Oferta elevada pressiona valores no atacado, enquanto exportações seguem em alta e ampliam competitividade frente à carne bovina


Publicado em: 27/02/2026 às 15:30hs

Carne de Frango Tem Queda nos Preços em Fevereiro, Mas Se Torna Mais Competitiva no Mercado Interno

O mercado de carne de frango encerrou fevereiro com preços em queda no atacado e nas principais regiões produtoras do país. A ampla oferta, resultado de alojamentos intensos nos últimos meses, reduziu as cotações da proteína, tornando-a mais acessível ao consumidor e competitiva em relação a outras carnes.

Oferta elevada pressiona preços e reduz margens no setor

De acordo com o analista Allan Maia, da consultoria Safras & Mercado, o cenário de fevereiro foi marcado por um equilíbrio confortável entre oferta e demanda, principalmente na região Centro-Sul. Essa situação limitou o avanço das cotações e resultou em ajustes negativos nos principais cortes.

Segundo Maia, o aumento na produção foi impulsionado por um forte volume de alojamentos em meses anteriores, o que ampliou a disponibilidade de carne no mercado. “No atacado, os miúdos apresentaram alta, mas cortes como peito e coxa recuaram devido ao excesso de oferta. Além disso, fatores sazonais, como o maior nível de despesas das famílias, também pesaram sobre o consumo”, explica o analista.

Apesar da retração, o especialista destaca que a carne de frango se tornou mais competitiva frente à carne bovina, o que tende a estimular o consumo doméstico nas próximas semanas. “As exportações seguem firmes, ajudando a reduzir a disponibilidade interna e sustentando parte da produção”, acrescenta.

Queda generalizada nas cotações dos cortes

O levantamento mensal da Safras & Mercado mostra que os preços no atacado de São Paulo apresentaram recuos ao longo de fevereiro.

Cortes congelados:

  • Peito: caiu de R$ 9,50 para R$ 9,40/kg;
  • Coxa: de R$ 6,70 para R$ 6,35/kg;
  • Asa: de R$ 11,00 para R$ 10,00/kg.

Distribuição:

  • Peito: passou de R$ 10,00 para R$ 9,80/kg;
  • Coxa: de R$ 7,00 para R$ 6,50/kg;
  • Asa: de R$ 11,20 para R$ 10,50/kg.

Nos cortes resfriados, o comportamento foi semelhante:

  • Peito: de R$ 9,60 para R$ 9,50/kg;
  • Coxa: de R$ 6,80 para R$ 6,45/kg;
  • Asa: de R$ 11,10 para R$ 10,10/kg.

Na distribuição, os preços também cederam:

  • Peito: de R$ 10,10 para R$ 9,90/kg;
  • Coxa: de R$ 7,10 para R$ 6,60/kg;
  • Asa: de R$ 11,30 para R$ 10,60/kg.
Preços regionais seguem tendência de baixa

Nas principais praças de comercialização do país, o levantamento apontou quedas no frango vivo:

  • Minas Gerais: de R$ 5,10 para R$ 4,90/kg;
  • São Paulo: de R$ 5,20 para R$ 5,10/kg;
  • Mato Grosso do Sul: de R$ 5,20 para R$ 5,00/kg;
  • Goiás e Distrito Federal: de R$ 5,05 para R$ 4,85/kg.

Já nas integrações, os preços se mantiveram estáveis:

  • Santa Catarina: R$ 4,65/kg;
  • Oeste do Paraná: R$ 4,60/kg;
  • Rio Grande do Sul: R$ 4,65/kg.

Em contrapartida, algumas regiões do Norte e Nordeste registraram alta nos preços do frango vivo:

  • Pernambuco: de R$ 5,00 para R$ 6,00/kg;
  • Ceará: de R$ 5,50 para R$ 6,40/kg;
  • Pará: de R$ 5,60 para R$ 6,50/kg.
Exportações seguem firmes e ajudam a equilibrar o mercado

As exportações brasileiras de carne de frango e miúdos comestíveis mantiveram ritmo forte em fevereiro. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 376,56 mil toneladas no período, com receita total de US$ 696,8 milhões — média diária de US$ 53,6 milhões.

O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.850,40, representando um avanço de 37,5% no valor médio diário em relação a fevereiro de 2025, além de aumento de 32,7% no volume exportado e de 3,6% no preço médio.

O bom desempenho das vendas externas contribui para equilibrar o mercado interno, reduzindo a pressão da oferta elevada e reforçando a competitividade da proteína brasileira no cenário global.

Perspectivas para março

Com o consumo doméstico aquecido e exportações em ritmo elevado, a carne de frango tende a manter boa atratividade no mercado brasileiro. No entanto, a manutenção de preços mais baixos pode continuar pressionando as margens dos produtores, especialmente em regiões com maiores custos logísticos.

O setor monitora o comportamento da demanda nos próximos meses e a possível recuperação gradual dos preços, alinhada à redução dos alojamentos e à estabilização da oferta no segundo trimestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

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