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Análise de Mercado

Canola supera 400 mil hectares no Brasil e ganha força como opção rentável no inverno

Área cultivada mais que dobrou desde 2024, enquanto rotação de culturas, demanda por óleo, novos híbridos e potencial para produção de SAF ampliam as perspectivas do setor


Publicado em: 24/09/2026 às 18:40hs

Canola supera 400 mil hectares no Brasil e ganha força como opção rentável no inverno

A canola está ganhando espaço no sistema produtivo brasileiro e deixando de ser apenas uma alternativa para a safra de inverno. A cultura avança como opção de rotação, diversificação de renda e aproveitamento das áreas entre os ciclos das principais commodities agrícolas.

Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) mostram que a área cultivada passou de 186,2 mil hectares em 2024 para 225 mil hectares em 2025. Em 2026, o plantio alcançou 405 mil hectares, crescimento de 117,5% em dois anos.

A produção nacional acompanhou a expansão. O volume, estimado em aproximadamente 223 mil toneladas em 2024, subiu para 360 mil toneladas em 2025 e pode atingir 607,2 mil toneladas em 2026.

O avanço é estimulado pela procura dos produtores por culturas rentáveis no inverno, pelo aumento da demanda por óleo e pela entrada de novos compradores no mercado. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram as principais oportunidades de expansão.

Área de canola pode chegar a 1 milhão de hectares até 2030

A expectativa do setor é de que a área cultivada com canola alcance 1 milhão de hectares no Brasil até 2030. A concretização dessa projeção consolidaria a oleaginosa entre as principais opções para o período de inverno.

Segundo Kennedy Dadalto, engenheiro-agrônomo e diretor comercial da Advanta Seeds, as dificuldades para comercializar a produção limitavam a expansão da cultura. A entrada de novos compradores e o crescimento da demanda, entretanto, começaram a modificar esse cenário.

A ampliação dos canais de comercialização oferece maior segurança para o produtor avaliar a inclusão da canola no planejamento agrícola, especialmente nas regiões em que a cultura pode ser implantada entre duas safras de verão.

Canola amplia rotação e diversifica renda no inverno

Além da oportunidade comercial, a canola pode contribuir para a rotação de culturas e para a diversificação do sistema produtivo. Sua inserção reduz a dependência de uma única atividade durante o inverno e ajuda a interromper ciclos de determinadas plantas daninhas, pragas e doenças.

A cultura também pode favorecer a organização da propriedade para a safra seguinte, desde que o híbrido, o manejo e a janela de semeadura sejam definidos de acordo com as condições de cada região.

De acordo com Dadalto, o investimento médio varia de dez a 15 sacas por hectare, dependendo do nível tecnológico adotado. Com produtividade superior a 25 sacas por hectare e preços favoráveis para o grão, a cultura pode apresentar resultado competitivo em relação a outras alternativas de inverno.

O desempenho econômico, no entanto, depende de fatores como produtividade, preço recebido, custos com sementes e insumos, condições climáticas e disponibilidade de compradores.

Produção de óleo impulsiona mercado da canola

O crescimento da demanda por óleo é um dos principais fatores por trás da expansão da canola. A matéria-prima já possui mercado nas indústrias de alimentos e biodiesel e pode ganhar uma nova frente de consumo com o desenvolvimento dos combustíveis sustentáveis.

Entre as possibilidades está o uso do óleo de canola na produção de Combustível Sustentável de Aviação, conhecido pela sigla SAF. Uma das rotas avaliadas é a HEFA, processo que utiliza óleos e gorduras como matérias-primas para a fabricação do combustível.

No Brasil, estudos analisam o cultivo da canola como segunda safra em condições tropicais, com o objetivo de verificar sua viabilidade em cadeias de combustíveis com menor intensidade de carbono.

Apesar do potencial, a canola ainda não está consolidada como matéria-prima para a produção comercial de SAF em grande escala no País.

ProBioQAV pode abrir novo mercado para a oleaginosa

O avanço do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, o ProBioQAV, pode ampliar as possibilidades de utilização do óleo de canola.

O programa estabelece metas progressivas para a redução das emissões da aviação e prevê o aumento gradual da participação dos combustíveis sustentáveis no setor.

O modelo brasileiro adota o princípio da neutralidade tecnológica, sem determinar uma única matéria-prima para a fabricação do SAF. Essa característica permite que diferentes produtos sejam avaliados conforme disponibilidade, eficiência produtiva e capacidade de redução de emissões.

Nesse contexto, a canola poderá conquistar espaço à medida que a cadeia de combustível sustentável de aviação se desenvolver. A efetiva participação da cultura dependerá de fatores tecnológicos, econômicos, regulatórios e de escala.

Novos híbridos buscam adaptação às condições brasileiras

A expansão da área cultivada também aumenta a demanda por sementes com qualidade fisiológica, produtividade elevada, maior teor de óleo e adaptação às condições brasileiras.

Outro desafio é oferecer ferramentas que facilitem o controle de plantas daninhas. A Advanta Seeds vem ampliando seu portfólio no Brasil com materiais TT, tolerantes a triazinas; CT, que combinam Clearfield e tolerância a triazinas; e os híbridos tradicionais CL, com tecnologia Clearfield.

Entre os materiais apresentados pela empresa está o Hyola Continuum CL, híbrido que reúne ciclo precoce, potencial produtivo e elevado teor de óleo.

Segundo a companhia, o material apresenta boa sanidade foliar, baixa deiscência natural — característica relacionada à abertura das síliquas e à perda de grãos — e resistência poligênica à canela-preta.

Dadalto afirma que o híbrido demonstrou adaptação às condições climáticas da Região Sul e possui ciclo compatível com a janela buscada pelos produtores.

Portfólio inclui opções para diferentes janelas de plantio

A empresa também disponibilizará os híbridos Hyola Solstice CL e Hyola Equinox CL. O primeiro é recomendado para a abertura da janela de semeadura, enquanto o segundo é apresentado como uma opção de maior estabilidade produtiva.

O Hyola Equinox CL pode ser utilizado tanto no início quanto no encerramento da janela de plantio, oferecendo maior flexibilidade ao planejamento da propriedade.

A escolha do material deve considerar região, época de semeadura, ciclo, condições climáticas, histórico da área e estratégia de manejo de plantas daninhas.

Qualidade das sementes influencia estabelecimento da lavoura

A qualidade física e fisiológica das sementes é apontada como um fator decisivo para o estabelecimento das lavouras e para a expressão do potencial produtivo dos híbridos.

Segundo Dadalto, parte das sementes importadas utilizadas na última safra apresentou padrão inferior ao esperado pelos produtores brasileiros, com reflexos sobre a implantação de algumas áreas.

A Advanta informa que produz sementes de canola no Brasil para ajustar a disponibilidade ao calendário nacional de plantio e manter os padrões físicos e fisiológicos demandados pelo mercado.

Com a expansão da área, a entrada de novos compradores e o avanço tecnológico, a canola amplia sua participação no planejamento das propriedades. O desafio será transformar o crescimento recente em uma cadeia estruturada, com oferta de sementes, assistência técnica, produtividade e comercialização compatíveis com a meta de alcançar 1 milhão de hectares até 2030.

Fonte: Portal do Agronegócio

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