Publicado em: 22/10/2015 às 12:10hs
Se a exportação deste mês terminar no mesmo ritmo do das três primeiras semanas de outubro, sairão 5,5 milhões de toneladas do cereal pelos portos do Brasil.
É um número nunca obtido pelo país, que teve como recordes os meses de outubro e novembro de 2013, quando as exportações ficaram próximas de 4 milhões em cada um deles.
Nos 11 primeiros dias úteis deste mês, as exportações já somam 2,9 milhões de toneladas, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
O volume médio diário é de 266 mil toneladas, e faltam outros dez dias úteis.
Leonardo Sologuren, da consultoria Clarivi, diz que três fatores podem colocar o produto brasileiro no mercado externo: subsídios do governo, preços elevados em Chicago e a taxa de câmbio.
Sem dúvidas, o grande fator de impulsão das vendas externas neste momento é a desvalorização do real, diz ele.
A taxa atual de câmbio torna o produto brasileiro mais competitivo e o país consegue, inclusive, ganhar parte do mercado dos norte-americanos, os maiores produtores e exportadores mundiais de milho.
Diferentemente da soja, cujas exportações dependem muito da China, o Brasil tem um mercado pulverizado nas exportações de milho, diz o analista da Clarivi.
Ele acredita que o país possa exportar 25 milhões de toneladas neste ano, um volume inferior apenas ao de 2013, quando as exportações somaram 26,6 milhões de toneladas.
Naquele ano, a procura pelo milho brasileiro foi maior devido à quebra de safra nos Estados Unidos, país que também importou produto do Brasil.
A taxa de câmbio está tão favorável para o milho, assim como para as demais commodities, que inibe os efeitos ruins da logística brasileira.
E esse cenário deve continuar em 2016, uma vez que projeção da taxa é de R$ 4 por dólar para o período.
O Brasil vai continuar sendo um competidor internacional no mercado porque a cultura de milho deixou de ser apenas um plantio de oportunidade, mas de continuidade.
Para não deixar a terra parada -um ativo caro-, o produtor de Mato Grosso adotou a safrinha, e o Estado já lidera a produção nacional.
A genética permite uma safra de soja mais rápida e uma safrinha de milho mais produtiva. A tendência, portanto, é de elevação da área de milho, uma vez que a da soja aumenta pelo menos 1 milhão de hectares por ano. Uma maior área da oleaginosa puxa ainda mais a área do cereal, segundo Sologuren.
Para a safra 2015/16, a Clarivi estima uma produção de 83 milhões de toneladas de milho, acima dos 80 milhões do período anterior.
Fonte: Folha de S. Paulo
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