Publicado em: 24/05/2023 às 10:25hs
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, por 372 votos favoráveis e 108 contrários, o texto-base da proposta de arcabouço fiscal, após ajustes de última hora feitos no texto pelo relator Cláudio Cajado (PP-BA) para tornar menos generosa a regra de gastos em 2024.
Nesta quarta-feira os deputados analisarão destaques que podem mudar o texto da matéria se aprovados e, após isso, a matéria irá ao Senado.
O placar mostra uma vitória com folga para a proposta capitaneada pelo governo, já que o projeto de lei complementar exigia ao menos 257 votos favoráveis para ser aprovado.
A regra geral da proposta criada para substituir o teto de gastos estabelece que as despesas federais não poderão crescer mais do que 70% da alta das receitas, além de definir que os gastos crescerão anualmente entre 0,6% e 2,5% acima da inflação.
O texto define que em caso de descumprimento da meta fiscal, que terá uma margem de tolerância, o crescimento dos gastos passará a ser limitado a 50% da alta da receita.
Além dessa punição, o relator adicionou uma série de gatilhos automáticos de ajuste fiscal. No primeiro ano de rompimento da meta, o governo ficaria impedido de criar cargos, reajustar auxílios de servidores, criar ou aumentar despesas obrigatórias e conceder ou ampliar benefícios tributários.
Se o descumprimento ocorrer no segundo ano consecutivo, seriam barrados adicionalmente aumento de despesa com pessoal, contratações e realizações de concursos.
Também haverá travas se as despesas obrigatórias, como as previdenciárias e a folha salarial do funcionalismo público, superarem 95% do Orçamento.
Pelo texto, se o governo quiser suspender ou amortecer esses gatilhos, terá que enviar um projeto ao Congresso para pedir essa autorização, além de fazer uma compensação por meio de ajustes em outras áreas.
O acordo para votação do texto foi feito por lideranças partidárias após Cajado alterar o relatório do arcabouço para que a regra de gastos em 2024 seja menos generosa do que a versão anterior do texto.
O novo formato, segundo Cajado, é um "meio termo" entre o projeto original do governo e seu relatório divulgado na semana passada.
O governo havia proposto que, a partir de 2024, a despesa federal cresceria 70% da alta da receita, respeitando a margem de 0,6% a 2,5% de ganho real por ano.
Em relatório da semana passada, Cajado mudou a regra, definindo que os gastos em 2024 cresceriam pelo teto de 2,5%, independentemente do comportamento da arrecadação. A regra mais generosa gerou críticas de parlamentares da oposição e analistas de mercado.
De acordo com o relator, o governo previa que a versão original do texto levaria a uma alta real de 1,12% nos gastos em 2024. Por isso, ele decidiu mudar o parecer, voltando a vincular a despesa ao desempenho da arrecadação.
Pelo novo texto, o Orçamento para despesas em 2024 vai observar a regra geral, podendo crescer entre 0,6% e 2,5%, considerando o desempenho da arrecadação de 2023, mas haverá a possibilidade de um bônus.
Em maio de 2024, o governo projetará a alta de receita naquele ano sobre 2023 e, se houver previsão de ganho, ele poderá ser incorporado às despesas por meio de créditos suplementares, respeitando a limitação de 70%.
Se no fechamento de 2024 a projeção não se confirmar e a despesa crescer mais do que 70% da alta da receita, o texto define que esse excesso será subtraído da base de gastos de 2025.
"Ficou um meio termo para desfazer aquele mal entendido de que o relatório estava colocando 80 bilhões de reais (em gastos a mais)", disse Cajado mais cedo na terça, após acordo entre lideranças para mudar a redação.
O projeto cria ainda uma restrição no dispositivo proposto pelo governo para que haja um bônus para investimentos caso o teto da meta fiscal seja superado. Pelo relatório, esse bônus apenas valerá quando o Orçamento estiver operando no azul e será limitado a 70% do excesso de arrecadação -- contra 100% na proposta original.
Fonte: Reuters
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