Análise de Mercado

Café opera em queda nas bolsas com avanço da safra brasileira e pressão de oferta global

Arábica recua mais de 400 pontos em Nova York e robusta também cai em Londres; mercado reage ao ritmo da colheita no Brasil, clima favorável e projeções de superávit para o ciclo 2026/27


Publicado em: 14/05/2026 às 11:10hs

Café opera em queda nas bolsas com avanço da safra brasileira e pressão de oferta global
Foto: Diego Vargas
Café inicia o dia em baixa nas bolsas internacionais

O mercado futuro do café abriu esta quinta-feira (14) em forte queda nas principais bolsas internacionais, refletindo a pressão combinada do avanço da safra brasileira, condições climáticas favoráveis à colheita e expectativas de ampla oferta global para o ciclo 2026/27.

O movimento foi mais intenso para o café arábica em Nova York, enquanto o robusta também registrou perdas consistentes na bolsa de Londres.

Arábica recua mais de 400 pontos em Nova York

Por volta das 9h57 (horário de Brasília), os contratos do café arábica operavam em baixa na ICE Futures US:

  • Julho/26: -410 pontos, a 276,65 cents/lbp
  • Setembro/26: -420 pontos, a 269,20 cents/lbp
  • Dezembro/26: -400 pontos, a 263,05 cents/lbp

A pressão reflete principalmente o avanço da colheita no Brasil e a perspectiva de maior disponibilidade do produto nas próximas semanas.

Robusta também perde força em Londres

Na ICE Europe, o café robusta acompanhou o movimento de queda:

  • Julho/26: -72 pontos, a US$ 3.488/tonelada
  • Setembro/26: -65 pontos, a US$ 3.375/tonelada
  • Novembro/26: -65 pontos, a US$ 3.295/tonelada

O recuo acompanha o ritmo da colheita do conilon, especialmente no Espírito Santo, maior polo produtor da variedade no Brasil.

Safra brasileira avança e aumenta pressão sobre preços

O mercado segue reagindo ao avanço gradual da colheita brasileira, com destaque para o conilon já em ritmo mais intenso e expectativa de aceleração da safra de arábica nas próximas semanas.

Apesar de relatos pontuais de irregularidades de produtividade em algumas regiões, o sentimento predominante entre agentes do mercado é de uma oferta confortável no Brasil em 2026, o que mantém viés baixista para os preços internacionais.

Clima favorece colheita e reduz suporte aos preços

As condições climáticas mais secas em importantes regiões produtoras têm favorecido o andamento dos trabalhos de campo. Esse cenário reduz o risco climático e diminui parte do suporte que sustentava as cotações nos meses anteriores.

Com maior previsibilidade na colheita, o mercado passa a precificar uma oferta mais abundante no curto prazo.

Produção de robusta ainda pode oscilar, diz setor

No Espírito Santo, principal estado produtor de robusta, a Cooabriel aponta possibilidade de queda na safra de conilon neste ciclo, influenciada por impactos climáticos em parte das lavouras.

Mesmo assim, a leitura geral do mercado é de que o volume brasileiro continuará elevado, suficiente para manter pressão sobre os preços globais.

Fatores externos também influenciam o mercado

Além dos fundamentos agrícolas, o mercado acompanha movimentos do petróleo, do câmbio e do cenário macroeconômico internacional.

As atenções seguem voltadas às tensões geopolíticas e às relações comerciais entre Estados Unidos e China, fatores que impactam diretamente o apetite de fundos e a volatilidade das commodities.

Perspectiva segue de atenção à colheita e qualidade

Mesmo com a queda desta manhã, analistas destacam que o mercado continuará sensível ao ritmo da colheita no Brasil, à evolução da qualidade dos grãos e ao comportamento da comercialização ao longo das próximas semanas.

O foco agora está na consolidação da safra e no impacto final das condições climáticas sobre o resultado produtivo do ciclo.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --