Publicado em: 02/02/2026 às 12:00hs
O consumidor brasileiro encerrou 2025 com o orçamento mais apertado devido ao avanço dos preços de produtos básicos da alimentação. O destaque ficou por conta do café em pó e em grãos, que apresentou alta de 40,7% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, segundo o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, empresa de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo.
De acordo com o levantamento, o preço médio do café passou de R$ 53,58 para R$ 76,36 no período analisado. O aumento ocorreu apesar de uma safra nacional mais robusta: segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de 2025 atingiu 56,5 milhões de sacas, avanço de 4,3% em relação ao ano anterior.
Entretanto, a queda de 9,7% na produção de café arábica, o tipo mais consumido internamente, acabou pressionando os preços. A baixa produtividade e o impacto de condições climáticas adversas reduziram a oferta dessa variedade, elevando o custo de todo o setor.
Além do café, outros itens essenciais tiveram reajustes significativos. Os queijos registraram aumento de 12,4%, seguidos por margarina (12,1%), creme dental (11,7%) e cerveja (6,2%).
Esses aumentos refletem a combinação de custos elevados de produção, logística e insumos, além do impacto do câmbio sobre produtos com componentes importados.
Apesar das altas acumuladas em 2025, dezembro trouxe um pequeno alívio para o bolso do consumidor. O levantamento da Neogrid mostra quedas nos preços de produtos essenciais da cesta básica, como leite UHT (-5,3%), ovos (-3,6%) e arroz (-2,2%).
Essas reduções ajudaram a conter a inflação de alimentos no fechamento do ano e amenizaram o impacto nas compras domésticas.
Mesmo com a desaceleração pontual em alguns itens, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — indicador oficial da inflação — subiu 0,33% em dezembro de 2025 em comparação com novembro, mostrando que o cenário inflacionário segue ativo, ainda que de forma heterogênea entre as categorias de consumo.
No recorte de dezembro, o sabão para roupa foi o item com maior alta mensal, de 2,4%, passando de R$ 14,58 para R$ 14,94. Em seguida, vieram carne bovina (2,3%), carne suína (2,2%), creme dental (1,5%) e cerveja (1,3%), indicando que o encarecimento se manteve em produtos de alta frequência de compra.
Para Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o comportamento dos preços em 2025 reflete uma combinação de fatores.
“O ano foi marcado por pressões relevantes em categorias estratégicas, como café e carnes, impulsionadas por custos elevados, oferta mais restrita e forte demanda externa, o que pressionou diretamente o orçamento do consumidor”, explica a especialista.
Segundo Fercher, a tendência para 2026 é de oscilações mais moderadas nos preços dos alimentos. “Itens sensíveis ao câmbio e à conjuntura global devem continuar em alta, mas produtos básicos tendem a apresentar maior estabilidade, reduzindo o risco de uma inflação generalizada”, afirmou.
Na região Sudeste, os legumes registraram a maior variação positiva em dezembro, com alta de 3,5%, seguidos por creme dental (2,2%), sabão para roupa e carne bovina — ambos com 1,7%.
Em contrapartida, os produtos que mais recuaram foram leite UHT (-7,6%), ovos (-4,6%), arroz (-2,8%), óleo (-1,7%) e leite em pó (-1,5%), refletindo um cenário de ajuste pontual nos preços ao fim do ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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