Publicado em: 08/07/2026 às 19:40hs
O governo brasileiro avalia que houve avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Após uma nova rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que também foram registrados progressos na agenda de cooperação entre os dois países para o combate ao crime transnacional.
Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, o governo brasileiro continuará concentrando os esforços na pauta tarifária, evitando ampliar o escopo das negociações para outros temas considerados sensíveis.
De acordo com o ministro, um dos principais avanços ocorreu na proposta apresentada pelo governo brasileiro para ampliar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime transnacional.
A expectativa é que novas reuniões técnicas ocorram ainda nesta semana, acompanhadas de um encontro político com o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, antes do encerramento da consulta pública que servirá de base para a decisão do governo dos Estados Unidos sobre a possível adoção de novas tarifas.
Apesar do ambiente de diálogo, o governo brasileiro reforça que pretende manter as negociações focadas exclusivamente nas questões comerciais relacionadas às tarifas.
Um dos principais pontos defendidos pelo Brasil é a exclusão do etanol das tratativas comerciais.
Segundo Márcio Elias Rosa, discutir apenas a tarifa incidente sobre o biocombustível desconsidera a forte integração existente entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar, além dos impactos econômicos para a indústria sucroenergética brasileira.
O ministro destacou que o setor possui importância estratégica para diversas regiões produtoras, especialmente o Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro ainda enfrenta elevadas barreiras tarifárias para acessar o mercado norte-americano.
Na avaliação do governo, qualquer negociação envolvendo o etanol deve considerar o tratamento dado ao açúcar brasileiro, evitando desequilíbrios na relação comercial entre os dois países.
A posição defendida pelo governo brasileiro recebeu apoio de importantes entidades do setor durante audiência pública promovida pelo USTR.
Representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) argumentaram que a redução das importações de etanol norte-americano pelo Brasil não está relacionada apenas às tarifas.
Segundo as entidades, o principal fator foi o crescimento acelerado da produção nacional de etanol de milho, que ampliou a oferta doméstica e reduziu a necessidade de importações.
O setor também defende que Brasil e Estados Unidos, maiores produtores mundiais de etanol, concentrem esforços na expansão do mercado global de biocombustíveis, em vez de intensificar disputas comerciais bilaterais.
As negociações ocorrem paralelamente à investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio.
O mecanismo permite que Washington investigue práticas comerciais consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas e, caso identifique irregularidades, aplique medidas como sobretaxas, restrições comerciais ou outras sanções.
No caso brasileiro, a investigação envolve temas como comércio digital, propriedade intelectual, compras governamentais e outros aspectos da política comercial. Antes da decisão final, o USTR realiza uma consulta pública com empresas e entidades interessadas.
Com o prazo para conclusão do processo se aproximando, o governo brasileiro busca concentrar as negociações nos pontos considerados mais viáveis para alcançar um entendimento e preservar o fluxo comercial entre as duas maiores economias das Américas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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