Publicado em: 06/07/2026 às 15:30hs
Diante da perspectiva de um El Niño mais intenso na temporada 2026/27, produtores rurais que adotam sistemas com braquiária tendem a enfrentar com mais eficiência os períodos de estresse hídrico e altas temperaturas. A avaliação é do gerente executivo técnico da Cocamar, Rodrigo Sakurada, que destaca os benefícios da planta para a sustentabilidade do sistema produtivo.
Segundo o especialista, o uso da braquiária — seja em consórcio com o milho de inverno ou em cultivo solteiro dentro de programas de rotação de culturas — tem ganhado importância como estratégia de mitigação dos efeitos climáticos adversos.
De acordo com Sakurada, a principal contribuição da braquiária está na melhoria das condições físicas e biológicas do solo, especialmente em cenários de irregularidade das chuvas.
“A braquiária cumpre o papel de reduzir um pouco a temperatura da superfície do solo, pois mantém umidade e melhora a estrutura desse solo, o que ajuda o sistema radicular a se desenvolver”, explica.
O gerente técnico destaca que essa condição cria uma espécie de “reserva hídrica” no perfil do solo, funcionando como uma caixa d’água na subsuperfície, capaz de sustentar o desenvolvimento das plantas durante períodos de duas a três semanas sem precipitação.
Além disso, em situações de calor intenso, a presença de umidade no solo contribui para reduzir o estresse térmico das plantas e manter o metabolismo mais estável, favorecendo o desempenho produtivo.
O especialista também reforça que o manejo adequado e o controle eficiente de plantas daninhas são fundamentais para garantir o máximo aproveitamento do sistema.
Em relação à safra de milho de inverno em andamento, Sakurada avalia que o desempenho até o momento é semelhante ao ciclo anterior, que registrou boa produtividade nas áreas atendidas pela Cocamar.
Em 2025, o plantio antecipado favoreceu o desenvolvimento da cultura. Já em 2026, o plantio ocorreu mais tarde devido ao atraso na colheita da soja, mas as condições de chuvas têm contribuído para o avanço das lavouras.
“Em algumas regiões houve falta de umidade, mas quando se observa a média da nossa área de atuação, o cenário é até um pouco mais promissor que o do ano passado”, afirma.
Segundo ele, a expectativa atual é de uma safra cerca de 5% superior à anterior, desde que as condições climáticas se mantenham estáveis nas próximas semanas.
Apesar do cenário positivo até o momento, o risco climático mais relevante para o milho de inverno ainda é a ocorrência de geadas.
Na região de Maringá e no noroeste do Paraná, as lavouras estão em estágio mais avançado e, portanto, menos suscetíveis a perdas expressivas.
Já em áreas próximas a Londrina, onde o plantio foi mais tardio, há maior vulnerabilidade caso ocorram episódios de geada moderada a forte, o que pode impactar diretamente a produtividade.
A Cocamar reforça que o acompanhamento climático nas próximas semanas será decisivo para a definição do potencial produtivo da safra, especialmente em um cenário de maior variabilidade climática associada ao El Niño.
Fonte: Portal do Agronegócio
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