Análise de Mercado

Bovespa destoa do exterior e sobe 1,70%, enquanto dólar recua

O balanço ruim divulgado pela Petrobrás na última sexta-feira acabou ofuscado ontem pela notícia de que a estatal deve ter uma nova metodologia de reajuste de preços


Publicado em: 29/10/2013 às 12:00hs

Bovespa destoa do exterior e sobe 1,70%, enquanto dólar recua

Embora ainda tenha que ser reavaliada, em 22 de novembro, a proposta foi bem-recebida pelos investidores, que foram em busca dos papéis da companhia. Petrobrás ON subiu quase 10% e a ação PN da estatal avançou mais de 7% - maiores elevações desde 6 de março deste ano -, ambas com forte giro. Isso fez a Bovespa retomar o patamar de 55 mil pontos, encerrando aos 55.073,37 pontos, com alta de 1,70%. Vale ON subiu 0,68% e Vale PNA registrou ganho de 0,24%.

Após cair 24% ao longo do dia, OGX ON terminou estável.

O movimento de alta da Bovespa destoou do visto em Nova York, onde os principais índices de ações permaneceram comportados. A expectativa com a reunião de política monetária do Federal Reserve, hoje e amanhã, e com a divulgação do balanço da Apple - que ocorreu após o fechamento do mercado - travou os negócios. O Dow Jones caiu 0,01%, aos 15.568,93 pontos, o S&P 500 teve alta de 0,13%, aos 1.762,11 pontos, e o Nasdaq cedeu 0,08%, aos 3.940,13 pontos.

No Brasil, a baixa liquidez marcou o dia nos mercados de dólar e juros, limitando as oscilações.

O dólar à vista negociado no balcão terminou em queda de 0,32%, aos R$ 2,1820, mas manteve-se em margens bastante estreitas ao longo da sessão, sem nem mesmo sair da faixa de R$ 2,18. A rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em 1º de novembro influenciou as transações, com parte do mercado avaliando que o Banco Central não vai, de fato, rolar todos os US$ 8,9 bilhões que vencem no mês que vem. Ontem, cerca de US$ 1 bilhão foram rolados, somando-se aos US$ 3 bilhões das operações da semana passada. Nesta terça-feira e amanhã, o BC também pretende fazer leilões para favorecer a rolagem.

No mercado de renda fixa, sem a divulgação de indicadores relevantes ao longo do dia, as taxas dos contratos futuros de juros terminaram o pregão com leve viés de alta, revertendo o movimento visto pela manhã. A liquidez reduzida favoreceu movimentos técnicos que mudaram o rumo das taxas. De qualquer forma, o mercado segue convicto de que a Selic (a taxa básica de juros da economia), atualmente em 9,50%, subirá 0,50 ponto porcentual em novembro, para 10,00%, com grandes chances de a elevação ser repetida em janeiro do ano que vem, para 10,50%. Ontem, a taxa do contrato futuro de juros com vencimento em janeiro de 2015 atingiu 10,49%, ante os 10,47% de sexta-feira. A taxa para janeiro de 2017 ficou em 11,29%, ante 11,28% de sexta-feira.

Chicago: soja tenta recuperação e opera em campo positivo

Na manhã desta terça-feira (29), os futuros da soja operavam com ligeira alta na Bolsa de Chicago, porém, com movimentos pouco significativos. As posições mais negociadas, por volta das 7h30 (horário de Brasília), subiam pouco mais de 2,50 pontos, e o contrato novembro/13 era cotado a US$ 12,73 por bushel, após uma queda de mais de 20 pontos na sessão anterior.

Na mesma direção, os principais vencimentos do trigo operavam com ligeira alta, porém, o milho trabalhava em campo negativo, com pequenas quedas. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, o avanço da colheita nos Estados Unidos pressiona o mercado do milho nesta terça. Segundo o último boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o índice de área colhida passou, em uma semana, de 39 para 59%. Além disso, 62% das lavouras do cereal foram classificadas como boas ou excelentes.

Além disso, o mercado opera com um pouco mais de cautela hoje antes da decisão sobre a política monetária do Federal Reserval (Fed - Banco Central norte-americano), que será anunciada nesta quarta-feira (30).

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Soja fecha com forte baixa, mas fundamentos seguem positivos

A soja fechou a sessão desta segunda-feira (28) com forte queda na Bolsa de Chicago. As posições mais negociadas encerrou o dia com baixas de 18,50 a 28,75 pontos, refletindo um intenso movimento de realização de lucros por parte dos fundos. O contrato novembro/13, referência para a safra norte-americana, ficou em US$ 12,71 por bushel e o maio/14, referência para a produção brasileira fechou valendo US$ 12,37.

Em função da proximidade do final do mês, os fundos de investimento exerceram uma forte liquidação de posições, depois do mercado ter registrado boas altas nos últimos dias. Assim, os primeiros vencimentos - novembro/13 e janeiro/14 - voltaram a perder o patamar dos US$ 13, recuperado nas últimas semanas. "Essa queda reflete uma liquidação dos índices", explicou Mauricio Correa, analista de mercado do SIM Consult.

Entretanto, apesar do recuo registrado hoje, o cenário de oferta e demanda se mantém extremamente ajustado, o que mantém os fundamentos positivos e ainda dando sustentação aos preços no mercado internacional. Nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou os embarques semanais de soja do país superando as 2 milhões de toneladas, bem acima do esperado pelos traders, e ainda o reporte de venda da venda de 230 mil toneladas de soja para China e destinos não revelados, o que reforça e confirma a movimentação muito forte das vendas para exportação dos Estados Unidos.

"O ritmo de embarque nos EUA está muito forte. Teoricamente, se olhássemos esses números e essas vendas, o mercado não deveria ter caído tudo isso. Porém, como subiu, havia um espaço para realizar lucros. Mas, ainda há muita coisa para acontecer, os estoques dos EUA devem ficar baixos mais a frente, com cerca de 4 milhões de toneladas, o que deixará os países da América do Sul como as únicas origens de soja", explicou Daniel D'Ávilla, analista de mercado da corretora New Edge.

Além disso, no próximo dia 31 de outubro, o USDA trará as informações das exportações semanais que não foram reportadas nas três semanas de paralisação do governo norte-americano. Essas são informações são muito aguardadas pelo mercado, uma vez que poderiam dar aos investidores uma clareza maior sobre a real situação da demanda e da oferta nesse momento.

Paralelamente, o mercado físico norte-americano também segue bastante aquecido e descolado do mercado futuro de Chicago. À espera de melhores momentos para negociar, com preços melhores e mais atrativos, os produtores locais vêm segurando suas vendas, reduzindo e "atrasando" a entrada da oferta de soja disponível no mercado, o que não estimula só uma alta dos preços, como também dos prêmios nos EUA. Esse movimento acaba sendo ainda mais intensificado pelo avanço da colheita no país.

"A soja, normalmente, sobe quando está no final da colheita. Sabendo que o prêmio nos portos continuam firmes, isso significa que esmagadores e exportadores estão disputando a soja, o que quer dizer que não deverá ter muito produto disponível nos Estados Unidos", afirma D'Ávilla.

"O mercado deve voltar bem. Temos os números de vendas semanais na quinta-feira e há bastante operações sendo registradas. Temos também os investidores se posicionando, o farelo, que também caminha com volatilidade, recuando e levanos outros índices técnicos à liquidação. Isso só deve provocar um alívio dos indicadores e, de agora em diante, o mercado deverá se estabilizar. Acredito que há espaço para o janeiro bater nosUS$ 13,30", acredita Mauricio Correa.

Notícias Agrícolas

Fonte: O Estado de S. Paulo

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