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Análise de Mercado

Biosseguridade ganha força e se torna estratégica para exportação e competitividade da produção animal brasileira

Exigências sanitárias internacionais, segurança dos alimentos e controle de doenças colocam a biosseguridade no centro das estratégias para granjas brasileiras que buscam eficiência e acesso a mercados


Publicado em: 25/09/2026 às 07:00hs

Biosseguridade ganha força e se torna estratégica para exportação e competitividade da produção animal brasileira

A biosseguridade na produção animal deixou de ser apenas uma medida preventiva dentro das granjas e passou a ocupar posição estratégica na competitividade do setor. Com o aumento das exigências sanitárias internacionais e a crescente atenção dos consumidores à segurança dos alimentos, rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal, o controle de riscos sanitários se tornou cada vez mais importante para a produção brasileira de proteína.

O tema ganhou destaque durante uma visita técnica da Agrifirm ao Brasil, que reuniu clientes e especialistas para discutir práticas de biosseguridade diretamente nas granjas. A iniciativa contou com a participação de Marta Bruguera Bonfill, Gerente Global de Biosseguridade da companhia, que trouxe experiências de diferentes mercados e orientações para aplicação no dia a dia da produção.

A discussão ocorre em um momento de maior atenção internacional aos padrões sanitários brasileiros, incluindo a recente missão da União Europeia ao país.

Fator humano é decisivo para a biosseguridade

Entre os principais pontos observados durante as visitas técnicas está a importância da formação e conscientização das equipes.

Para Marta Bruguera Bonfill, mesmo investimentos elevados em estruturas, equipamentos e protocolos podem perder efetividade quando as pessoas envolvidas na produção não compreendem a importância de cada procedimento.

“O fator humano é o mais importante e, ao mesmo tempo, é essencial para conseguir uma biosseguridade eficiente. Podemos realizar grandes investimentos estruturais, mas, se as pessoas envolvidas não forem corretamente treinadas e não tiverem consciência da importância de cada medida, todo o esforço será em vão”, afirma.

Segundo a especialista, falhas na execução dos protocolos podem aumentar os riscos sanitários e provocar consequências econômicas para as propriedades.

A capacitação, portanto, precisa fazer parte de um processo contínuo, envolvendo diferentes níveis da cadeia produtiva.

Cenário sanitário internacional aumenta pressão sobre as granjas

Embora o Brasil apresente vantagens sanitárias importantes e seja livre de determinadas enfermidades, como a PRRS, a realidade internacional demonstra que o cenário pode mudar rapidamente.

De acordo com Marta, na última década diferentes países registraram o surgimento de novas doenças ou a disseminação de cepas mais patogênicas de enfermidades já conhecidas.

Ao mesmo tempo, aumentaram as expectativas de consumidores e da sociedade em relação a:

  • segurança dos alimentos;
  • rastreabilidade;
  • sustentabilidade;
  • bem-estar animal;
  • controle sanitário;
  • resistência antimicrobiana.

Esse conjunto de fatores amplia a importância de programas capazes de prevenir a entrada e a disseminação de agentes patogênicos dentro das unidades produtivas.

Biosseguridade externa e interna têm funções diferentes

A especialista explica que a biosseguridade pode ser dividida em duas grandes frentes.

A biosseguridade externa envolve medidas destinadas a controlar os pontos de contato da granja com o ambiente externo, reduzindo o risco de entrada ou saída de agentes causadores de doenças.

Já a biosseguridade interna está relacionada à prevenção da disseminação desses agentes dentro da própria unidade produtiva.

Segundo Marta, existe maior percepção sobre a importância da proteção externa, enquanto os procedimentos internos ainda podem receber menos atenção.

“A biosseguridade é um processo de gestão de risco e de melhoria contínua, é a base de qualquer programa eficaz de controle de doenças e a forma mais barata e segura de prevenção. Não deve ser vista como um custo, e sim como um investimento.”

Biosseguridade pode melhorar indicadores produtivos

Estudos científicos publicados entre 2007 e 2025 citados pela companhia apontam efeitos da adoção de medidas de biosseguridade sobre diferentes indicadores zootécnicos.

Um estudo de Postma e colaboradores, publicado em 2017, identificou melhoria estatisticamente significativa de 4% no número de leitões desmamados por porca ao ano após a implementação de medidas específicas de biosseguridade.

Na fase de engorda, a adoção de medidas de biosseguridade e controle sanitário pode contribuir para uma melhora de 3% a 8% no índice de conversão alimentar, dependendo das condições e características de cada granja.

Também foram observadas reduções no consumo de antimicrobianos, variando de 7% a mais de 40%, conforme as medidas adotadas nas diferentes etapas da produção.

Os resultados, entretanto, dependem das condições sanitárias, dos protocolos empregados e das características de cada sistema produtivo.

Indicadores ajudam a medir o retorno econômico

Como as granjas acompanham indicadores zootécnicos de forma sistemática, os efeitos das medidas de biosseguridade podem ser avaliados individualmente.

Mariane Pfeifer, diretora técnica da Agrifirm, destaca que a experiência prática no Brasil demonstra uma relação entre maior controle sanitário e desempenho produtivo.

“Quando intensificamos a biosseguridade, reduzimos a pressão sanitária e melhoramos a eficiência produtiva. Animais mais saudáveis apresentam melhor desempenho, menor mortalidade e menor necessidade de intervenções.”

Segundo a executiva, o impacto pode aparecer na redução das perdas, no aumento da previsibilidade dos resultados e no melhor aproveitamento dos recursos utilizados na produção.

Exigências sobre antimicrobianos devem ganhar espaço

Para Marta, as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos e promotores de crescimento tendem a ganhar importância também no Brasil.

Além das questões regulatórias, consumidores e mercados vêm ampliando a atenção sobre rastreabilidade, segurança e qualidade dos alimentos, sustentabilidade e bem-estar animal.

“Os produtores que se anteciparem vão reduzir riscos sanitários, melhorar a eficiência e a rentabilidade de suas granjas e ainda abrir novas oportunidades de comercialização nos mercados externo e interno”, projeta.

A antecipação às novas exigências pode, portanto, influenciar tanto a gestão sanitária quanto a capacidade de atender diferentes compradores e mercados.

Agrifirm amplia capacitação em biosseguridade

A Agrifirm mantém uma estrutura internacional dedicada ao tema. Atualmente, a companhia conta com 11 técnicos certificados em biosseguridade no mundo, entre eles Rafael Grando e Neventon Vieira, no Brasil.

A certificação é conduzida pela Universidade de Gante, na Bélgica, instituição reconhecida internacionalmente na área, em conjunto com a plataforma Biocheck, que reúne uma ampla base de dados sobre biosseguridade na produção animal.

A metodologia permite avaliar o nível de biosseguridade de diferentes granjas, realizar comparações e identificar pontos que podem ser aprimorados com base em parâmetros nacionais e internacionais.

Biocheck recebe reconhecimento técnico da FAO

Em outubro de 2025, o Biocheck UGent recebeu reconhecimento técnico mundial da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) por sua contribuição para a transformação sustentável da pecuária e para a melhoria da saúde animal dentro da abordagem One Health.

O reconhecimento reforça a base científica da metodologia utilizada pela Agrifirm em suas avaliações de biosseguridade.

Padrões globais podem ampliar competitividade

Para Mariane Pfeifer, a adoção de padrões internacionais de biosseguridade vai além da prevenção de doenças.

“A adoção de padrões globais vai além da proteção sanitária: ela se torna uma vantagem competitiva. Reduz riscos, aumenta a previsibilidade da produção e fortalece a confiança na cadeia.”

Na avaliação da diretora técnica, produtores que estruturam programas consistentes de biosseguridade podem estar mais preparados para atender exigências de diferentes mercados e agregar valor à produção.

Nesse cenário, o controle sanitário passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla de competitividade, previsibilidade e acesso a mercados.

Aditivos complementam estratégias de manejo

Além dos protocolos de biosseguridade, as executivas também destacam o uso de aditivos e ingredientes funcionais como ferramentas complementares ao manejo.

Essas soluções podem contribuir para a resposta dos animais diante de desafios sanitários, apoiando a imunidade, reduzindo o estresse oxidativo e favorecendo a saúde intestinal.

Entre as soluções apresentadas pela Agrifirm estão:

  • Toxfree: ferramenta direcionada à biosseguridade externa, com foco na redução do impacto de micotoxinas presentes em matérias-primas e rações e de endotoxinas nos animais.
  • C-Vita: solução voltada à biosseguridade interna, com atuação de suporte ao sistema imunológico e à saúde geral dos animais.
  • MCFA (ácidos graxos de cadeia média): utilizados dentro de uma abordagem integrada de diagnóstico de riscos e conhecimento técnico, como parte das estratégias voltadas à produção segura e competitiva.

Essas ferramentas são apresentadas como complementares às medidas de manejo, higiene, controle de acesso, treinamento e demais protocolos de biosseguridade.

Biosseguridade passa a integrar estratégia de mercado

A evolução das exigências sanitárias internacionais coloca a biosseguridade das granjas brasileiras diante de um cenário no qual prevenção, treinamento e monitoramento deixam de ser questões exclusivamente sanitárias.

A adoção de protocolos consistentes pode contribuir para reduzir riscos de doenças, melhorar indicadores produtivos, diminuir perdas e aumentar a previsibilidade da produção.

Ao mesmo tempo, o atendimento a padrões sanitários cada vez mais rigorosos pode se tornar um diferencial para produtores e empresas que buscam manter ou ampliar sua presença nos mercados nacional e internacional.

Nesse contexto, a biosseguridade se consolida como parte da estratégia de eficiência produtiva, segurança dos alimentos, sustentabilidade e competitividade da cadeia de proteína animal brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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