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Análise de Mercado

Biocombustíveis somam R$ 289 bilhões em projetos e miram aviação e transporte marítimo

Investimentos cadastrados em biocombustíveis e transição energética refletem expansão do setor; etanol de milho, SAF e biometano abrem novas frentes para a produção brasileira


Publicado em: 05/10/2026 às 10:20hs

Biocombustíveis somam R$ 289 bilhões em projetos e miram aviação e transporte marítimo

O Brasil reúne R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados em projetos ligados aos biocombustíveis e à transição energética, segundo dados apresentados no painel “Biocombustíveis e Transição Energética”, no GAFFFF 2026, em São Paulo. O montante dimensiona a expansão de uma cadeia que busca ampliar sua presença na aviação, no transporte marítimo e nas operações agrícolas.

Realizado em 2 de outubro, o debate encerrou a programação de conteúdo da terceira edição do evento. Os participantes discutiram como o país pode combinar produção agropecuária, capacidade industrial e combustíveis de menor intensidade de carbono para atender a novos mercados.

O painel foi moderado por Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, e reuniu Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP); Arnaldo Jardim, deputado federal e presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde; Mário Campos, presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil; e Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial.

Biocombustíveis conectam produção de alimentos e industrialização

Para Arnaldo Jardim, a expansão dos biocombustíveis oferece ao Brasil a oportunidade de integrar duas atividades estratégicas: a produção de alimentos e a geração de energia.

Na avaliação do deputado, o setor passou a representar uma cadeia industrial com efeitos sobre diferentes segmentos da economia. “O biocombustível é mais do que cada um isolado. É um eixo de industrialização do Brasil”, afirmou.

Jardim destacou o crescimento do etanol de milho e a utilização de seus coprodutos na alimentação animal. Segundo os dados apresentados por ele, cerca de 23% do milho produzido no país já é destinado à fabricação de etanol, movimento que amplia a conexão entre os mercados de combustíveis e proteínas animais.

Aviação e transporte marítimo ampliam oportunidades

A busca por novos consumidores está levando o setor além do mercado tradicional de veículos leves. De acordo com Mário Campos, as oportunidades incluem o combustível sustentável de aviação (SAF), aplicações no transporte marítimo, máquinas agrícolas, biogás e biometano.

O executivo relacionou esse avanço à experiência acumulada com o RenovaBio, que incorporou a mensuração de carbono à dinâmica produtiva e comercial dos biocombustíveis.

Como exemplo das novas aplicações, Campos citou o abastecimento, em julho, de um navio de longo curso com uma mistura envolvendo etanol. A iniciativa, segundo ele, demonstra o potencial dos produtos brasileiros para atender empresas interessadas em reduzir a intensidade de carbono de suas operações.

A abertura desses mercados é considerada importante para acompanhar o crescimento da produção e ampliar as alternativas de comercialização.

Biometano ganha espaço nas operações do agro

O biometano também começa a ser utilizado dentro da cadeia sucroenergética. Campos mencionou empresas que empregam o combustível no transporte de açúcar, no deslocamento da cana entre as lavouras e as unidades industriais e em equipamentos agrícolas.

Embora essas aplicações estejam avançando, o executivo avalia que ainda há espaço para desenvolver a utilização do combustível nas atividades do setor.

Outra mudança é a expansão geográfica do etanol de milho. Segundo os números apresentados por Campos, o produto já responde por 30% do etanol brasileiro, após uma presença praticamente inexistente há cerca de uma década. O crescimento tem direcionado investimentos ao Centro-Oeste e a estados do Sul.

Demanda global exige ampliação da oferta de energia

Roberto Ardenghy defendeu que a transformação da matriz energética deve considerar o aumento do consumo mundial e a participação de diferentes fontes.

Na avaliação do presidente do IBP, o processo envolve uma evolução da oferta de energia, com a combinação de tecnologias para atender à demanda e reduzir emissões. Nesse contexto, ele destacou a posição brasileira como produtora de alimentos e energia.

Plínio Nastari ressaltou, por sua vez, a experiência do país na medição da intensidade de carbono dos combustíveis. O presidente da DATAGRO citou o RenovaBio, os Créditos de Descarbonização (CBIOs) e iniciativas voltadas à redução de emissões nos transportes como instrumentos que ajudam a incorporar esse indicador às estratégias de mercado.

Novos mercados são decisivos para absorver a produção

O equilíbrio entre a expansão da oferta e o desenvolvimento da demanda aparece como um dos desafios imediatos dos biocombustíveis.

Para Campos, eventuais pressões de oferta no curto prazo precisam ser analisadas junto às possibilidades de consumo em segmentos como aviação e transporte marítimo. A consolidação dessas aplicações pode ampliar os destinos da produção brasileira e sustentar novas etapas de investimento na cadeia.

Fonte: Portal do Agronegócio

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