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Análise de Mercado

Benchimol e Nastari destacam cultura e liderança como pilares para o crescimento das empresas

No GAFFFF 2026, fundador da XP e presidente da DATAGRO discutem formação de equipes, confiança dos clientes e lições do agronegócio para a gestão


Publicado em: 05/10/2026 às 08:00hs

Benchimol e Nastari destacam cultura e liderança como pilares para o crescimento das empresas

Construir empresas exige mais do que reunir profissionais tecnicamente preparados. É preciso transformar valores em práticas de gestão, conectar equipes e conciliar os objetivos do negócio com as necessidades das pessoas. Essa foi uma das principais mensagens da conversa entre Guilherme Benchimol, fundador e presidente do Conselho da XP Inc., e Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, no segundo dia do GAFFFF 2026.

Durante o encontro, os empresários compartilharam experiências sobre liderança, cultura organizacional e relacionamento com clientes. O debate também abordou características do agronegócio brasileiro que, na avaliação de Nastari, oferecem lições para outras atividades econômicas, como resiliência, disposição para inovar e compartilhamento de conhecimento.

Cultura empresarial precisa fazer parte da rotina

Para Benchimol, um dos maiores desafios de quem lidera uma organização é colocar os interesses da empresa em primeiro lugar sem desconsiderar as pessoas responsáveis por seus resultados.

Esse equilíbrio, segundo ele, depende de equipes conectadas e capazes de trabalhar em torno de objetivos comuns. A cultura empresarial, nesse contexto, precisa orientar decisões e comportamentos no cotidiano.

“Cultura é um processo. É importante que haja a metodologia da cultura”, afirmou.

Na avaliação do fundador da XP, os valores de uma organização precisam ser traduzidos em métodos e práticas. Assim, deixam de ser apenas conceitos e passam a integrar a maneira como as equipes trabalham e fazem o negócio avançar.

Educação financeira e foco no cliente marcaram a trajetória da XP

Benchimol também relacionou sua visão de negócios à experiência como professor no início da trajetória empresarial. Ao perceber a falta de educação financeira entre os alunos, identificou uma necessidade que poderia atender.

“Eu comecei a empresa sendo professor. Vi que as pessoas tinham carência em educação financeira e comecei a preencher essa carência”, contou.

Segundo o empresário, compreender as necessidades dos clientes e ajudá-los a alcançar seus objetivos contribui para construir relações de confiança ao longo do tempo. Essa orientação, em sua avaliação, fortalece a reciprocidade entre a empresa e o público que ela atende.

O fundador da XP também explicou que passou a compartilhar mais de sua história nas redes sociais para estimular outras pessoas a desenvolverem suas próprias trajetórias.

“O mal é barulhento e o bem é silencioso”, declarou, ao defender que experiências e atitudes positivas também podem influenciar o ambiente empresarial e social.

Formação de equipes exige alinhamento de valores

Para Plinio Nastari, a competência técnica é importante, mas não basta para assegurar a contribuição de um profissional à organização. O alinhamento com a cultura da empresa também deve orientar a formação das equipes e a escolha de lideranças.

O presidente da DATAGRO observou que um profissional pode apresentar bom desempenho em determinadas funções e, ainda assim, não compartilhar os valores que sustentam o negócio.

“São valores fortes que fazem uma empresa”, afirmou.

Nastari disse que valoriza pessoas com abertura para aprender, trocar experiências e reconhecer a importância dos demais integrantes da equipe. Segundo ele, essa disposição contribui para a construção coletiva do conhecimento.

O dirigente também alertou que promover executivos apenas pelo desempenho técnico, sem considerar sua identificação com a cultura organizacional, pode comprometer a continuidade da empresa. Na sua avaliação, esse cuidado ganha ainda mais relevância na escolha de quem ocupará a presidência executiva.

Agronegócio oferece lições de resiliência e colaboração

Ao abordar a cultura do agronegócio brasileiro, Nastari destacou a capacidade dos produtores de enfrentar dificuldades, buscar tecnologias e compartilhar soluções.

“O pessoal do agro é resiliente, acorda cedo, é ávido por tecnologia e quer compartilhar suas soluções. O agricultor não guarda as soluções para si próprio”, afirmou.

Para o presidente da DATAGRO, essa troca de conhecimento contribui para a evolução da atividade. A transmissão de experiências entre gerações também ajuda a preservar valores e a incorporar aprendizados à gestão das propriedades.

Nastari associou essas características à presença da cultura familiar no campo, onde conhecimentos e práticas são transmitidos e adaptados ao longo do tempo.

Valores pessoais influenciam as relações profissionais

A conversa também explorou a relação entre princípios pessoais e decisões empresariais. Benchimol ressaltou a importância de considerar o outro na construção dos negócios, enquanto Nastari relacionou a disposição para fazer o bem à confiança e à qualidade das relações profissionais.

Ao longo do debate, os dois defenderam uma gestão em que resultados, desenvolvimento das pessoas e valores compartilhados caminhem juntos. A cultura, nessa perspectiva, orienta tanto a relação com os clientes quanto a formação das equipes e a preparação das futuras lideranças.

Fonte: Portal do Agronegócio

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