Publicado em: 09/05/2024 às 13:30hs
O Brasil experimentou um crescimento significativo na aviação agrícola nos últimos 13 anos, impulsionado pelo aumento da produtividade e expansão das lavouras de grãos no Centro-Oeste e em outras regiões emergentes, como o Matopiba. De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a frota de aviões agrícolas no Brasil dobrou de 2010 a 2023, passando de 1.300 para 2.600 aeronaves. Desse total, Mato Grosso lidera, com 600 unidades.
A explosão no número de aeronaves agrícolas acompanha o desenvolvimento do setor agropecuário brasileiro, que tem ganhado espaço em novas fronteiras agrícolas e ampliado a demanda por operações aéreas. O Ipanema, da Embraer, movido a etanol, é o destaque da frota agrícola, sendo um dos modelos mais utilizados. Desde 2004, ele é produzido para operar com biocombustível, o que, segundo o Sindag, faz com que cerca de um terço da frota nacional seja movida a etanol.
Gabriel Colle, diretor-executivo do Sindag, destaca que o crescimento da aviação agrícola no Brasil é o maior da história do setor, iniciado em 1947, com o primeiro voo registrado em Pelotas (RS) para combater nuvens de gafanhotos. “Hoje, há muito mais procura do que o mercado consegue atender. Os fabricantes têm fila de espera até 2026, tanto os estrangeiros quanto a Embraer, com seu modelo Ipanema, que é um dos mais populares entre os agricultores", explica Colle.
O aumento da demanda por pulverização aérea está diretamente relacionado à necessidade dos produtores rurais que operam em larga escala e em áreas com janelas curtas para aplicação devido a variações climáticas. Além de pulverizar defensivos químicos ou biológicos, as aeronaves agrícolas também são usadas para fertilização, semeadura e combate a incêndios florestais.
O interesse pela aviação agrícola não se limita apenas ao setor de pulverização. A aviação executiva também vem ganhando espaço entre empresários do agronegócio. A TAM Aviação Executiva, por exemplo, vê um grande potencial no setor agro, especialmente durante a Agrishow, uma das principais feiras do segmento. Modelos executivos, como o Grand Caravan e o Beechcraft King Air 360, têm atraído produtores rurais de grande porte e donos de empresas do setor.
Leonardo Fiuza, presidente da TAM Aviação Executiva, destaca que a maioria dos compradores é de empresas de médio e grande porte no agronegócio. "Geralmente, são pessoas jurídicas, mas também temos empresários que compram individualmente para uso pessoal, como para deslocamento entre fazendas", afirma Fiuza. O modelo mais barato disponível na TAM é o Cessna 206 Turbo Stationair, custando a partir de US$ 990 mil, enquanto o mais caro, o Beechcraft King Air 360, começa em US$ 9,25 milhões.
O setor agrícola também tem atraído atenção dos bancos. Ricardo França, responsável pelo setor de agronegócios do Santander, menciona que muitos produtores não sabem que podem financiar a compra de aviões. "Antes da pandemia, passamos pela Embraer na Agrishow e fizemos grandes negócios, muitos ligados ao financiamento de aviões para produtores rurais", disse França.
O crescimento do setor agrícola no Brasil, especialmente no Centro-Oeste, tem sido um dos principais impulsionadores do aumento da frota de aviões agrícolas. Com a expansão das fronteiras agrícolas, a aviação se tornou uma ferramenta essencial para garantir produtividade e eficiência no campo. A tendência é de contínua expansão, acompanhando o ritmo de crescimento do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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