Publicado em: 09/03/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de arroz apresenta sustentação momentânea nas cotações nas últimas semanas. Apesar da leve recuperação observada em algumas regiões produtoras, analistas avaliam que os fundamentos do setor ainda são frágeis, principalmente devido à demanda limitada e às dificuldades enfrentadas pela indústria para repassar os custos da matéria-prima ao consumidor.
Levantamento da consultoria Safras & Mercado indica que a recente valorização está mais relacionada à escassez temporária de oferta no mercado físico do que a uma mudança estrutural no equilíbrio entre oferta e demanda.
No mercado disponível, a oferta de arroz permanece bastante restrita. Grande parte do cereal ainda está concentrada nas mãos de produtores capitalizados, que mantêm postura cautelosa e optam por segurar o produto à espera de melhores oportunidades de venda.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, essa estratégia de retenção tem sido o principal fator de sustentação das cotações no curto prazo.
Segundo o especialista, o chamado “arroz velho” praticamente desapareceu do mercado, mesmo diante de compradores dispostos a pagar cerca de R$ 55 por saca FOB na região da Fronteira Oeste, valor livre ao produtor.
Ao mesmo tempo em que os estoques da safra anterior diminuem, o arroz da nova safra começa a ingressar gradualmente no mercado. No entanto, os volumes negociados ainda são limitados, o que dificulta a formação de referências mais consistentes de preço.
Apesar da percepção de alta registrada recentemente, a consultoria alerta que o movimento ainda é considerado frágil e não indica necessariamente uma tendência firme de valorização.
Na avaliação de Evandro Oliveira, parte do mercado vem criando uma expectativa de recuperação dos preços que ainda não encontra respaldo na demanda efetiva.
A fraqueza da demanda segue sendo um dos principais fatores de preocupação para os agentes do setor. O consumo interno não apresenta ritmo suficiente para sustentar aumentos mais consistentes nas cotações do cereal.
Esse cenário aumenta o risco de retração nas vendas por parte dos produtores e pode gerar distorções na leitura do mercado.
Atualmente, o preço-base nacional do arroz em casca varia entre R$ 1,00 e R$ 1,25 por quilo, enquanto negociações acima de R$ 55 por saca ocorrem de forma pontual, geralmente associadas à reposição imediata de estoques por parte da indústria ou a demandas específicas.
No segmento industrial, o cenário permanece desafiador. A dificuldade em repassar reajustes ao mercado de arroz beneficiado continua limitando a capacidade de compra das indústrias.
O mercado de fardos, que representa o produto já beneficiado e embalado para o consumidor final, apresenta forte resistência a aumentos de preço.
Em alguns casos, tentativas mais agressivas de valorização do arroz em casca têm provocado reação imediata das indústrias, que passam a reduzir as compras ou até suspender temporariamente a comercialização do produto beneficiado.
No principal estado produtor do país, o Rio Grande do Sul, a média da saca de arroz em casca (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a última quinta-feira cotada a R$ 56,46.
O valor representa alta de 1,83% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço acumulado chega a 5,57%.
Apesar da recuperação recente, o mercado ainda registra forte desvalorização no comparativo anual. Em relação ao mesmo período de 2025, a queda nas cotações do cereal atinge 36,21%.
O ambiente macroeconômico segue sendo acompanhado de perto pelos agentes do agronegócio. Projeções divulgadas recentemente pelo Banco Central do Brasil indicam manutenção de um cenário de juros elevados e inflação ainda monitorada, fatores que impactam diretamente os custos de produção, o crédito rural e o consumo interno.
Esse contexto reforça a cautela no mercado de arroz, que ainda busca sinais mais consistentes de equilíbrio entre oferta e demanda.
Fonte: Portal do Agronegócio
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