Publicado em: 12/04/2016 às 19:00hs
O país sul-americano --um dos maiores exportadores mundiais de grãossofre com um grave déficit energético há anos, que pode ser atenuado em parte com o uso de biocombustíveis. Atualmente, vigora uma mistura obrigatória de etanol e biodiesel nos combustíveis comercializados localmente.
"O plano do governo de Mauricio Macri é elevar a mistura do etanol com combustível dos 12 por cento atuais até um limite de 26 por cento, seguindo a política que o Brasil leva adiante há décadas", disse à Reuters o diretor-executivo da Cámara de Bioetanol de Maíz, Patrick Adam.
Recentemente, a Argentina subiu 2 pontos percentuais a mistura, o que representa cerca de 170 mil metros cúbicos adicionais que serão fornecidos por uma indústria açucareira que sofre há anos devido aos preços baixos internacionais.
"A intenção é aprofundar as porcentagens, o caminho é esse", disse um porta-voz do Ministério de Energia, que ressaltou que, de toda maneira, ainda não estão definidos os prazos nem as porcentagens nos quais crescerá o uso do bioetanol.
A mistura de 12 por cento implica em uma produção de mais de 1 milhão de metros cúbicos anuais de etanol, que pode ser produzido a base de cana ou a partir do milho.
"Um aumento a 26 por cento, por exemplo, nos faria duplicar nossa produção atual e investir 400 milhões de dólares, já que há uma enorme e crescente disponibilidade de matéria-prima para seguir crescendo", ressaltou Adam.
Diversos analistas têm alertado que haverá um forte aumento na produção do cereal devido a eliminação dos impostos e das restrições para a exportação de milho após o presidente Mauricio Macri assumir o cargo.
Mas, se os produtores celebram o maior uso doméstico de etanol, a notícia não seria boa para todos: as petroleiras perderiam até 14 pontos percentuais do mercado atual, ao mesmo tempo em que precisarão investir mais em logística para receber o biocombustível para a mistura.
Por sua vez, os fabricantes de automóveis teriam dado seu apoio para o maior uso do etanol, disse Adam.
"O certo é que na Argentina são produzidos veículos que vão ao mercado brasileiro e vice-versa, o que simplificaria a operação das montadoras", disse Adam.
Fonte: Reuters
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