Publicado em: 07/08/2024 às 11:05hs
O mercado de distribuição de insumos agropecuários registrou uma queda de 17% em 2023. A informação foi divulgada pelo presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), Paulo Tiburcio, durante coletiva de imprensa no Congresso da Andav, realizado em São Paulo (SP). A Safras News está realizando a cobertura do evento in loco.
Em 2022, as empresas associadas à Andav faturaram R$ 145,3 bilhões. Com a retração, o faturamento em 2023 foi estimado em R$ 120,6 bilhões. Tiburcio afirmou que as perspectivas para 2024 não são animadoras, indicando que o cenário não deve mudar significativamente.
Segundo Tiburcio, os grandes distribuidores foram os mais afetados pela queda no faturamento no ano passado. "Pequenos e médios sofreram menos impacto. Tivemos casos de perdas de até 40% no faturamento", destacou. Mais de 60% dos associados da Andav são compostos por pequenos e médios distribuidores.
Na quinta-feira, Tiburcio deve divulgar uma pesquisa completa sobre o setor. "Nos congressos anteriores, projetávamos a abertura de cerca de 330 novas lojas de revenda por ano, mas o otimismo nos levou a sonhar com 900 a 1.000 novas lojas. Agora, a pesquisa mostra que a realidade é de 400 novas lojas por ano nos próximos anos. É hora de sermos realistas", afirmou.
O presidente da Andav também comentou sobre os elevados estoques a preços altos, que forçaram muitas revendas a renegociar dívidas com as indústrias fabricantes. "Houve revendas que parcelaram suas dívidas em dois ou três anos. Teremos três anos de muita resiliência. O agricultor está sem dinheiro, e o distribuidor também. E a indústria não está em melhor situação", explicou.
A compra de insumos para a nova safra está atrasada em comparação com anos anteriores, com os produtores esperando uma queda nos preços. "Há cerca de 40 dias venho alertando que aqueles que não compraram até agora perderão mais dinheiro, pois não há mais espaço para queda nos preços dos insumos. Acompanho toda a importação feita pelo Brasil e todas as indústrias. Não há mais margem. Além disso, há a crise dos fretes: se deixar para a última hora, não haverá caminhões disponíveis", analisou Tiburcio.
Esses dados refletem a necessidade de cautela e planejamento por parte dos distribuidores e produtores, diante de um cenário econômico desafiador e de expectativas incertas para o futuro próximo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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