Análise de Mercado

Alta do diesel eleva custos logísticos e pressiona competitividade do agronegócio brasileiro

Escalada do combustível impacta fretes, reduz margens e amplia desafios logísticos no campo


Publicado em: 23/03/2026 às 09:30hs

Alta do diesel eleva custos logísticos e pressiona competitividade do agronegócio brasileiro
Foto: Shutterstock

O aumento recente nos preços do diesel, impulsionado por tensões geopolíticas — especialmente no Oriente Médio —, tem intensificado a preocupação entre os setores produtivo e logístico no Brasil. No agronegócio, onde o transporte representa uma parcela significativa dos custos, os efeitos já começam a pressionar a rentabilidade das operações.

Segundo o professor e consultor José Vicente Caixeta Filho, diretor da cAIxeta Inteligência Logística, o peso do frete na cadeia agrícola brasileira é expressivo e tende a se agravar diante da elevação dos combustíveis.

O Brasil movimenta anualmente mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e mais de 300 milhões de toneladas de grãos, gerando cerca de R$ 1 trilhão em receitas. Nesse contexto, os custos com transporte rodoviário ultrapassam R$ 100 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 10% do faturamento do setor.

No caso da soja, um dos principais produtos da pauta agrícola, o impacto do frete pode variar entre 5% e 30% do valor da carga, dependendo da região e da época do ano. Esse cenário está diretamente relacionado às longas distâncias percorridas — frequentemente superiores a mil quilômetros — em um país de dimensões continentais como o Brasil.

Alternativas logísticas, como o transporte hidroviário pela bacia do rio Tapajós com destino aos portos do Arco Norte — entre eles Santarém, Barcarena, Itaqui, Itacoatiara e Miritituba —, podem reduzir esse peso, especialmente para cargas originadas no norte do Mato Grosso. Ainda assim, o predomínio do modal rodoviário, menos eficiente do ponto de vista energético, mantém os custos elevados.

“O frete já representa um componente relevante no custo final das commodities agrícolas, que possuem baixo valor agregado. Quando somamos a isso o aumento do preço do diesel, o impacto se torna ainda mais significativo”, explica Caixeta.

O especialista alerta que o cenário atual tem colocado em xeque a sustentabilidade financeira dos transportadores. Segundo ele, muitos prestadores de serviço enfrentam dificuldades para equilibrar as contas diante da alta expressiva do combustível. Mesmo com eventuais reduções de impostos, o aumento dos custos pode inviabilizar parte das operações.

Para Caixeta, o momento exige atenção e planejamento estratégico. A falta de uma matriz de transporte mais diversificada e eficiente segue como um dos principais entraves à competitividade do agronegócio brasileiro. Sem avanços estruturais na logística, o custo do frete tende a permanecer como um dos principais gargalos do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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