Publicado em: 31/05/2016 às 16:45hs
O país fechou abril com um resultado positivo de US$ 412 milhões nas transações internacionais relativas a comércio, serviços, rendas e transferências unilaterais, o primeiro desde abril de 2009. Não causará surpresa se as contas externas fecharem no azul também em maio. O Banco Central (BC) projeta para este mês déficit de apenas US$ 200 milhões.
Superávit primário - "De certa forma, o superávit em abril representa alguma surpresa", disse Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC. "A gente caminhava para isso, mas ocorreu mais cedo do esperávamos."
Contas externas - A virada nas contas externas, que se intensificou desde o fim de 2015, decorre sobretudo do colapso das importações, em parte devida à derrocada da atividade econômica e em parte reflexo da desvalorização do real, que ajuda a fazer superávit na conta comercial. Medido em 12 meses, o déficit em conta corrente caiu a 1,92% do Produto Interno Bruto (PIB), o menor desde os 12 meses findos em fevereiro de 2010 (1,84%).
Dimensão - Para dar a dimensão desse ajuste, nos 12 meses encerrados em abril de 2015, o déficit equivalia a 4,5% do PIB. Em entrevista para apresentar os números, Maciel, lembrou que havia uma preocupação do mercado com a evolução das contas externas, que estavam em patamar geralmente associados a crises no balanço de pagamentos. "Sempre mencionamos que o regime de câmbio flutuante era a primeira linha de defesa, e um dos fatores que contribuíram para essa reversão do quadro foi o câmbio. O outro componente é a atividade", disse.
Alta - Em abril do ano passado, o dólar estava na casa de R$ 3 contra os R$ 3,5 do mês passado. Se antes o déficit das contas externas assustava porque deixava o país vulnerável a crises do balanço de pagamentos, agora que os resultados mensais entram no campo positivo a preocupação é de outra natureza.
Conservadora - Superávits em conta corrente, se essa tendência se mantiver, significam que o país se torna exportador líquido de capitais e está abrindo mão de recursos preciosos para financiar investimentos no aumento de sua capacidade produtiva. Ainda de acordo com Maciel, a projeção de déficit de US$ 25 bilhões para o ano, ou 1,48% do PIB, se mostra "conservadora e tende a ser menor do que isso". A estimativa será revisada em junho.
Acumulado - No primeiro quadrimestre do ano, a balança comercial acumulou um saldo de US$ 12,4 bilhões, contra um déficit de US$ 5,5 bilhões no mesmo período do ano passado. As exportações recuaram 3,3%, enquanto as importações tiveram retração de 31,5%. Assim, a corrente de comércio caiu 18% na mesma base de comparação.
IDP - No lado do financiamento, o Investimento Direto no País (IDP) segue robusto e a projeção de ingresso de US$ 60 bilhões também está conservadora, segundo Maciel. No ano até abril, os ingressos somavam US$ 23,753 bilhões, contra US$ 18,925 bilhões um ano antes. Apenas no mês passado o ingresso foi de US$ 6,820 bilhões.
Maio - Para maio o BC estima a entrada de outros US$ 5,3 bilhões, sendo que até o dia 20, US$ 4 bilhões já haviam ingressado no país. No cálculo em 12 meses, o IDP totalizou US$ 79,903 bilhões, ou 4,61% PIB, o maior desde os 12 meses encerrados em julho de 2011 (4,62%). Na conta de serviços, o déficit caiu 36%, de US$ 13,649 bilhões nos quatro primeiros meses de 2015 para US$ 8,734 bilhões no mesmo período de 2016. Liderando o ajuste, está o gasto com viagens internacionais, que acumula déficit de US$ 1,7 bilhão neste ano em comparação com US$ 4,7 bilhões um ano antes. Em abril, os brasileiros gastaram, no exterior, US$ 1,076 bilhão.
Menor valor - Foi o menor valor desde abril de 2009, enquanto os estrangeiros deixaram por aqui US$ 475 milhões. Maciel disse esperar uma melhora nos ingressos de estrangeiros por conta da Olimpíada, mas o volume de ingresso deve ser menor que o visto na Copa do Mundo de 2014.
Investimentos em carteira - Os investimentos em carteira mostram um acentuado ajuste no comparativo anual. De janeiro a abril, o saldo ficou negativo em US$ 5,023 bilhões, contra um ingresso de US$ 24,266 bilhões um ano antes. A explicação para esse resultado está no mercado de renda fixa, com saída líquida de US$ 7,195 bilhões no ano, considerando as negociações no país. Um ano antes, foram contabilizadas entradas de US$ 16,3 bilhões.
Realização de lucros - Segundo Maciel, depois da firme entrada do ano passado era natural se esperar uma realização de lucros. No período, o país também perdeu o grau de investimento tanto em moeda local quanto estrangeira e as incertezas advindas do campo político fizeram preço no mercado. No mercado de ações, as entradas no ano somaram US$ 3,6 bilhões até abril, contra US$ 7 bilhões no mesmo período do ano passado.
Ingresso - No mês passado, o ingresso foi de US$ 1,157 bilhão. As parciais para o mês de maio mostram nova perda de recursos na renda fixa, com as saídas somando US$ 4,032 bilhões até o dia 20. Perdas também no mercado de ações com saques de US$ 792 milhões.
Remessas - Captando principalmente a queda na atividade, as remessas de lucros e dividendos ficaram em US$ 574 milhões em abril, bem abaixo dos US$ 2,358 bilhões de um ano antes. "Sem aferir ganhos significativos, há pouca disponibilidade para remessas", disse Maciel. A retração das remessas, segundo ele, foi liderada pelos setores de telecomunicações, produtos farmacêuticos e de fumo.
Quadrimestre - No quadrimestre, as remessas totalizaram US$ 4,76 bilhões, contra US$ 5,027 bilhões em igual período de 2015. As parciais para o mês de maio mostram saída de US$ 532 milhões. Para o pagamento de juros, a parcial é de US$ 620 milhões, após o desembolso de US$ 1,388 bilhão em abril.
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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