Agronegócio sul-americano acelera investimentos, crédito e exportações em 2026
Brasil amplia recursos para canaviais e armazenagem, Paraguai registra forte avanço nas exportações de soja e Peru aposta em crédito, irrigação e tecnologia para elevar a produtividade agrícola
Publicado em: 03/09/2026 às 16:30hs
O agronegócio da América do Sul avança em diferentes frentes, impulsionado por novos investimentos, expansão do crédito rural, crescimento das exportações e adoção de tecnologias no campo. Brasil, Argentina, Paraguai e Peru apresentam movimentos que reforçam a importância da região no abastecimento mundial de alimentos, fibras e energia.
Apesar do ambiente favorável aos negócios, produtores e empresas continuam enfrentando custos elevados, instabilidade climática e riscos fitossanitários. O cenário exige maior eficiência produtiva, capacidade de investimento e estratégias para proteger as margens.
As informações foram reunidas pela AgriBrasilis com base em dados divulgados por empresas, entidades setoriais e órgãos públicos dos quatro países.
Agrovale investe R$ 200 milhões na recuperação de canaviais
No Brasil, a Agrovale concluiu uma operação de financiamento de aproximadamente R$ 200 milhões. Os recursos serão destinados à recuperação de áreas de cana-de-açúcar degradadas e à expansão da irrigação por gotejamento em Juazeiro, no norte da Bahia.
A iniciativa busca aumentar a eficiência no uso da água, recuperar o potencial produtivo das lavouras e fortalecer a produção de cana em uma região marcada por condições climáticas desafiadoras.
O investimento em irrigação localizada também ganha relevância diante da necessidade de reduzir perdas, elevar a produtividade e aumentar a resiliência das propriedades frente à irregularidade das chuvas.
Coamo amplia infraestrutura de grãos em Mato Grosso do Sul
A Coamo anunciou investimentos de aproximadamente R$ 98 milhões por unidade em estruturas voltadas ao recebimento, armazenamento e movimentação de grãos em Mato Grosso do Sul.
A expansão acompanha o crescimento da produção agrícola no estado e procura reduzir gargalos logísticos durante os períodos de colheita. A ampliação da capacidade de armazenagem pode oferecer mais segurança aos produtores e diminuir a pressão para a comercialização imediata da safra.
O fortalecimento da infraestrutura também contribui para melhorar o fluxo de soja e milho, duas das principais culturas produzidas na região Centro-Oeste.
Banco do Brasil inicia renegociação de dívidas rurais
Outra frente importante no mercado brasileiro é a renegociação de débitos do setor agropecuário. O Banco do Brasil iniciou o atendimento de aproximadamente 113 mil clientes rurais, com até R$ 100 bilhões em operações potencialmente elegíveis.
A medida pode ajudar produtores afetados por perdas climáticas, aumento dos custos e redução das margens em determinadas atividades. O alongamento ou a reorganização das dívidas tende a melhorar o fluxo de caixa e permitir a continuidade dos investimentos necessários para as próximas safras.
As condições disponíveis dependem do perfil do cliente, das características da operação e dos critérios estabelecidos para a renegociação.
Lucro da Molinos Agro cresce 20% na Argentina
Na Argentina, a Molinos Agro registrou crescimento de 20% no lucro líquido do trimestre encerrado em junho. O resultado alcançou aproximadamente US$ 30,4 milhões.
O desempenho foi favorecido pelas margens de esmagamento de soja e girassol, que permaneceram acima da média histórica, além da operação das instalações industriais em plena capacidade.
O resultado reforça a importância do processamento de oleaginosas para a economia argentina. O país ocupa posição estratégica no comércio internacional de farelo, óleo de soja e derivados de girassol.
Área de milho deve permanecer em 8,4 milhões de hectares
Para a safra argentina de milho 2026/27, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta manutenção da área cultivada em 8,4 milhões de hectares.
As melhores condições de umidade representam um fator positivo para o plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras. Entretanto, custos de produção elevados, excesso de chuvas em algumas regiões e risco de incidência da cigarrinha-do-milho limitam uma expansão mais expressiva.
A presença do inseto preocupa os produtores por sua relação com a transmissão dos enfezamentos, doenças capazes de provocar perdas relevantes de produtividade.
Exportações de soja do Paraguai crescem 40%
O Paraguai também se destaca no cenário agropecuário sul-americano. Entre janeiro e julho, as exportações do complexo soja movimentaram US$ 3,51 bilhões, crescimento de 40% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Somente os embarques de soja em grãos chegaram a 6,8 milhões de toneladas. O desempenho amplia a entrada de divisas e confirma o peso da oleaginosa na balança comercial paraguaia.
A competitividade do país está diretamente relacionada à produção em larga escala, à proximidade dos mercados consumidores e à integração logística com outras nações da América do Sul.
Peru prepara novos financiamentos e projetos de irrigação
No Peru, o governo pretende superar US$ 298 milhões em financiamentos destinados ao agronegócio em 2026. O objetivo é ampliar o acesso dos produtores ao crédito e estimular investimentos em infraestrutura, tecnologia e modernização das propriedades.
O planejamento também prevê destravar 75 projetos de irrigação, com recursos estimados em US$ 184,5 milhões. As iniciativas são consideradas estratégicas para ampliar a oferta de água, reduzir a vulnerabilidade climática e favorecer o desenvolvimento agrícola em diferentes regiões do país.
Tecnologia pode elevar produtividade do alho em até 35%
A modernização do cultivo de alho em Arequipa é outra aposta do agronegócio peruano. Tecnologias aplicadas ao manejo da cultura podem aumentar a produtividade em pelo menos 35%.
As novas práticas também apresentam potencial para reduzir em até 33% as perdas provocadas por pragas e doenças. Os resultados podem melhorar a rentabilidade dos agricultores e elevar a qualidade do produto destinado aos mercados interno e externo.
América do Sul reforça protagonismo no agronegócio mundial
Os movimentos observados em Brasil, Argentina, Paraguai e Peru mostram que o agronegócio sul-americano segue ampliando investimentos e buscando ganhos de eficiência.
A expansão da infraestrutura, a recuperação de áreas produtivas, o fortalecimento do crédito e a incorporação de tecnologias podem elevar a competitividade regional. Ao mesmo tempo, clima, custos e sanidade das lavouras permanecem entre os principais fatores de risco.
Nesse ambiente, a capacidade de combinar financiamento, planejamento e inovação será determinante para transformar o potencial agrícola da América do Sul em crescimento sustentável da produção e das exportações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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