Análise de Mercado

Agronegócio paulista avança em formalização e escolaridade, aponta estudo da Fiesp

Levantamento mostra crescimento da agroindústria, aumento de trabalhadores com ensino superior e maior participação feminina no setor


Publicado em: 01/04/2026 às 11:55hs

Agronegócio paulista avança em formalização e escolaridade, aponta estudo da Fiesp

O agronegócio do estado de São Paulo encerrou 2024 com 4,34 milhões de trabalhadores, o que representa 17,2% da população ocupada estadual e 15,3% de toda a força de trabalho do agronegócio brasileiro. Os dados fazem parte de um estudo inédito elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o Cepea/Esalq-USP.

O levantamento também aponta avanços na formalização do trabalho e no nível de escolaridade dos profissionais, reforçando o perfil mais qualificado e estruturado do setor paulista.

Agroindústria lidera geração de empregos no agronegócio paulista

Entre os segmentos do agronegócio, a agroindústria foi o único a registrar crescimento no número de trabalhadores em 2024, com alta de 9,2%, o equivalente a 91.450 novos postos.

Esse avanço compensou as perdas observadas nos demais segmentos e garantiu um saldo positivo de 11.395 trabalhadores no total do setor. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas indústrias de massas, móveis de madeira, têxteis de base natural, abate de animais e bebidas.

Agrosserviços concentram maior número de trabalhadores

O segmento de agrosserviços manteve a liderança na participação da população ocupada, concentrando 51% do total, com cerca de 2,23 milhões de trabalhadores. Apesar disso, foi o setor com maior perda absoluta no período, com redução de 51.523 postos, especialmente nas áreas de comércio e transporte.

A agroindústria aparece na sequência, com 25% da população ocupada, totalizando 1,1 milhão de trabalhadores. Já o segmento primário responde por 15%, com 653 mil pessoas, refletindo uma queda significativa em relação a anos anteriores.

O segmento de insumos, por sua vez, representa 3% da força de trabalho, enquanto o autoconsumo responde por 6%.

Segmento primário registra maior queda proporcional

A agropecuária foi o segmento com maior retração relativa em 2024, com queda de 3,9%, o que corresponde à redução de 26.403 trabalhadores. As maiores perdas ocorreram nas atividades de cana-de-açúcar, horticultura e soja.

Por outro lado, algumas atividades apresentaram crescimento, como pesca e aquicultura, produção de sementes e mudas, uva e flores e plantas ornamentais.

Formalização do trabalho segue acima da média nacional

O estudo revela que 55% dos trabalhadores do agronegócio paulista possuem carteira assinada, representando a maior parcela da população ocupada do setor.

Mesmo com oscilações ao longo dos anos, o nível de formalização se mantém acima de 80%, superior à média nacional, que gira em torno de 67%. Já os trabalhadores sem carteira assinada representam cerca de 11% do total.

A categoria de trabalhadores por conta própria também ganhou relevância, passando de 16% em 2012 para 21% em 2024, totalizando 908,5 mil pessoas.

Escolaridade avança e ensino superior ganha espaço

O nível de instrução dos trabalhadores do agronegócio paulista segue em trajetória de crescimento. Em 2024, houve redução significativa no número de pessoas sem instrução (-14,9%) e com ensino fundamental (-1,9%).

Por outro lado, os trabalhadores com ensino médio passaram a representar 49% da população ocupada, enquanto aqueles com ensino superior atingiram 27% do total, com crescimento de 2,5% no período.

O avanço da escolaridade reflete uma demanda crescente por qualificação e maior complexidade das atividades no setor.

Participação feminina cresce no agronegócio de São Paulo

A presença feminina no agronegócio paulista continua em expansão. Entre 2023 e 2024, o número de mulheres ocupadas cresceu 1,6%, enquanto a população masculina apresentou queda de 0,6%.

O aumento da participação feminina está ligado, principalmente, ao crescimento das atividades fora da porteira, como agroindústria e agrosserviços, onde há maior inserção de mulheres.

Em 2024, o setor contabilizou 2,61 milhões de homens e 1,73 milhão de mulheres, com crescimento acumulado superior entre o público feminino no período analisado.

Estrutura do agro paulista evidencia perfil mais industrializado

Os dados reforçam uma característica estrutural do agronegócio paulista: a predominância de atividades fora da porteira, especialmente agroindústria e serviços.

Esse perfil difere do cenário nacional, onde a agropecuária concentra maior parcela da ocupação. Em São Paulo, o modelo mais industrializado contribui para maior formalização, qualificação da mão de obra e diversificação das atividades econômicas no setor.

Mercado de Trabalho do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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