Análise de Mercado

Agroindústria fecha 2025 com leve retração, mas projeções indicam retomada em 2026

Setor agroindustrial recua 0,1% em 2025, pressionado por juros altos e cenário externo instável; redução da Selic e consumo interno devem impulsionar recuperação neste ano


Publicado em: 23/02/2026 às 18:40hs

Agroindústria fecha 2025 com leve retração, mas projeções indicam retomada em 2026
Desempenho do setor: leve queda após ano de contrastes

O setor agroindustrial brasileiro encerrou 2025 com uma leve retração de 0,1% na produção, conforme dados do FGV Agro. O resultado reflete um ano de fortes oscilações entre trimestres positivos e negativos, marcado por um ambiente de juros elevados e instabilidade no cenário internacional.

De acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), o primeiro trimestre de 2025 registrou alta de 2,3%, sinalizando um início de ano otimista. No entanto, o segundo trimestre apresentou retração de 2,4%, enquanto o terceiro e quarto trimestres mostraram estabilidade, com variações de –0,3% e +0,3%, respectivamente.

O desempenho evidencia o esforço da agroindústria em compensar perdas e manter a produção, mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador.

Fatores que influenciaram o resultado

Assim como o restante da economia brasileira, a agroindústria enfrentou juros elevados e turbulências externas. Entre os principais fatores que afetaram o setor, destacam-se:

  • Política tarifária dos Estados Unidos, com o chamado “tarifaço” do governo de Donald Trump, que impactou o comércio internacional;
  • Casos de gripe aviária, que afetaram exportações e a produção de proteínas;
  • Custo elevado do crédito e dos insumos, que reduziu margens e limitou novos investimentos.

Apesar desses desafios, o mercado interno aquecido ajudou a sustentar parte da demanda, embora em ritmo mais moderado em comparação com anos anteriores.

Desempenho por segmento

O levantamento do FGVAgro mostra que os resultados variaram entre os principais segmentos da agroindústria:

  • Produtos alimentícios: crescimento de 1,5%, impulsionado pela demanda doméstica e pelas exportações de proteínas;
  • Bebidas: queda de 2,6%, refletindo o encarecimento dos insumos e a desaceleração no consumo;
  • Produtos não alimentícios: retração de 1,3%, influenciada pelo desempenho negativo dos setores de biocombustíveis e produtos florestais.

Essa composição setorial evidencia que, embora a indústria de alimentos tenha sustentado parte da produção, outros ramos ainda enfrentam dificuldades para retomar o ritmo pré-pandemia.

Perspectivas para 2026: retomada gradual e cautelosa

Para 2026, o cenário tende a ser mais favorável. O início do ciclo de redução da taxa Selic, aliado à manutenção de um mercado interno aquecido e à força do consumo em ano eleitoral, deve beneficiar o desempenho da agroindústria.

No entanto, analistas do FGVAgro alertam que o ambiente externo ainda representa um risco relevante, com possíveis efeitos das políticas comerciais norte-americanas e incertezas geopolíticas. As próprias eleições nacionais também podem gerar variações no ritmo de investimento e consumo.

Mesmo assim, a expectativa é de que a combinação de crédito mais acessível, custos de produção estabilizados e demanda doméstica sólida traga melhora gradual nos índices do setor ao longo do ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

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